Vendaval castiga Foz de novo: família de seis pessoas perde a casa para a água e Itaipu C tem postes quebrados

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Meio Ambiente

Vendaval atinge Foz do Iguaçu, alaga casa na Região Norte e deixa família de seis pessoas desalojada. No Itaipu C, árvores caíram e postes foram quebrados.

vendaval em Foz do Iguaçu

Temporal atingiu Foz do Iguaçu na noite desta terça-feira (29); Região Norte acumulou 47 milímetros de chuva, enquanto quedas de árvores provocaram danos à rede elétrica no Itaipu C

Foz do Iguaçu voltou a enfrentar a força do tempo na noite desta terça-feira (29). Por volta das 19h, uma Tempestade Local Convectiva acompanhada de vendaval colocou em ação a Defesa Civil da Prefeitura de Foz do Iguaçu, que coordenou o atendimento a uma família desalojada na Região Norte e a quatro quedas de árvores no Bairro Itaipu C, onde a rede elétrica foi atingida e postes acabaram quebrados.

A noite de terça-feira se soma a uma sequência preocupante de eventos climáticos registrados no município. Entre 9 e 10 de setembro, outro temporal já havia derrubado seis árvores pela cidade, uma delas também na Rua Goiânia, no Itaipu C, que agora voltou a ser palco de três ocorrências.

Em julho, a Região Norte havia acumulado mais de 100 milímetros de chuva em uma única noite, com vias alagadas. Levantamentos da Defesa Civil do Paraná situam Foz entre os municípios paranaenses com maior número de registros climáticos recentes, sobretudo vendavais.

O tema chegou também ao Legislativo. Em 17 de setembro, vereadores e técnicos da Defesa Civil discutiram a preparação da cidade para eventos extremos, e o Fundo Municipal de Calamidade Pública, criado pela Lei Municipal nº 5.719/2026, foi apontado como ferramenta central nessa estratégia.

Região Norte teve 47 milímetros de chuva

Os números desta vez vieram dos pluviômetros automáticos do Cemaden espalhados pelo município. Até as 23h, a Região Norte somava 47 milímetros de chuva, a Leste registrava 26 milímetros e a Sul, 17 milímetros.

Foi justamente no Norte, onde a água caiu com mais intensidade, que uma casa localizada em área de ocupação vizinha ao Bairro Lagoa Dourada ficou alagada.

Os seis integrantes da família foram retirados pela Guarda Municipal e levados à Casa de Passagem mantida pela Secretaria Municipal de Assistência Social, onde receberam abrigo emergencial.

Árvores caíram e postes foram quebrados no Itaipu C

No Itaipu C, o vento tombou três árvores na Rua Goiânia e uma na Rua Campo Grande, derrubando fiação e partindo postes.

Copel, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a empresa Vital foram acionadas para retirar os troncos e trabalhar no restabelecimento da energia.

A Defesa Civil informou que ainda não havia aferido a velocidade das rajadas e que não houve feridos nem outros desalojados.

O órgão permanece em alerta. Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199, o Corpo de Bombeiros pelo 193 e a Guarda Municipal pelo 153.

Balanço ainda deixa perguntas

Há, porém, lacunas no balanço oficial. Não se sabe quantos imóveis do Itaipu C e arredores ficaram sem energia elétrica, tampouco quando o fornecimento será completamente normalizado. Essas informações cabem à Copel e ainda não haviam sido divulgadas.

O fato de a Rua Goiânia registrar quedas de árvores duas vezes em menos de um mês também levanta questionamentos sobre a vistoria e a poda preventiva da arborização local e demanda explicações do poder público.

A situação da família acolhida na Casa de Passagem representa mais do que um atendimento pontual. Trata-se do retrato de moradores instalados em uma área irregular e sujeita a alagamentos, situação que não se resolve apenas com uma noite de abrigo. O que acontecerá com essas seis pessoas nos próximos dias ainda não foi informado.

O boletim divulgado também se limita a dados pluviométricos de três regiões da cidade, sem apresentar medições das demais áreas do município.

Da resposta à prevenção

A Prefeitura de Foz do Iguaçu demonstrou capacidade de reação ao articular Defesa Civil, Guarda Municipal, Assistência Social, Meio Ambiente e concessionária em poucas horas.

O próximo passo, porém, precisa ser a prevenção.

Com vendavais cada vez mais frequentes, o Fundo Municipal de Calamidade Pública deve sair da lei e chegar às ruas, na forma de inventário de árvores de risco, alternativas de moradia para famílias que vivem em áreas alagáveis e informação clara sobre os prazos de reparo após eventos climáticos severos.

A apresentação da Defesa Civil prevista para a sessão da Câmara Municipal de 13 de outubro será o momento de mostrar à população não apenas como a cidade responde às tempestades, mas também como pretende se antecipar a elas.

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