“Uma vergonha”: Moro promete cobrar concessionária desde o primeiro dia para duplicar a BR-277 entre Foz e Cascavel

Sergio Moro promete cobrar a concessionária desde o primeiro dia para acelerar a duplicação da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Cascavel.

Sergio Moro no Guarda volume

A duplicação da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Cascavel virou compromisso de campanha de Sergio Moro (PL). Em entrevista ao Guarda Volume nesta quinta-feira, 24 de setembro, a dez dias do primeiro turno, o candidato ao Governo do Paraná classificou como uma vergonha o fato de a rodovia ainda não estar duplicada no trecho e afirmou que sua primeira medida para a estrada, se eleito, será cobrar da concessionária do pedágio a execução das obras previstas em contrato.

Moro disse conhecer bem a realidade da rodovia por ter morado em Cascavel. Segundo ele, a pista simples em boa parte do percurso representa um risco sério à segurança de motoristas, caminhoneiros e famílias que cruzam o Oeste, além de desanimar o turismo, principal atividade econômica de Foz do Iguaçu. O candidato também mirou o grupo que governa o estado há quase oito anos, ao afirmar que nesse período a duplicação entre as duas maiores cidades da região não foi concluída.

A demanda está longe de ser nova. A BR-277 é a principal ligação da tríplice fronteira com o restante do Paraná, com os portos e com os grandes centros do país. A comunidade regional reivindica há décadas a conclusão da duplicação entre Foz do Iguaçu e Cascavel, incluindo o trecho de Matelândia, considerado um gargalo logístico que custa vidas.

Ao longo dos 24 anos da antiga concessão, encerrada em 2021 após um contrato marcado por polêmicas, esse investimento nunca foi assegurado. A estrada é também porta de entrada da economia turística: pesquisa citada pela imprensa local mostra que 65% dos turistas que chegam a Foz do Iguaçu usam o transporte rodoviário.

O cenário atual é de uma nova concessão, ainda nos primeiros anos. O Lote 6 das concessões rodoviárias, que passou a ser operado pela EPR Iguaçu, previa em edital 69,1 quilômetros de novas pistas duplas entre o perímetro urbano de Cascavel e Matelândia, passando também por Santa Tereza do Oeste, Céu Azul, Medianeira e São Miguel do Iguaçu, além de faixas adicionais entre Santa Terezinha de Itaipu e Foz do Iguaçu.

O contrato prevê cerca de R$ 12,6 bilhões em obras. O pedágio, no entanto, já é cobrado, enquanto a duplicação completa entre Foz e Cascavel só está prevista após o terceiro ano da concessão.

Na apresentação feita à ACIFI, a EPR justificou o prazo pela necessidade de elaborar projetos executivos e obter licenças ambientais. Em abril deste ano, reportagem do H2FOZ indicou entrega do trecho de Matelândia prevista para 2028.

O licenciamento, por sua vez, sofreu mudança recente: a análise da duplicação entre Foz e Prudentópolis passou do Ibama para o Instituto Água e Terra (IAT), que ainda vai decidir se exigirá EIA/RIMA ou estudos simplificados.

É nesse descompasso entre pedágio cobrado e obra por fazer que Moro ancora o discurso. A leitura do candidato encontra eco em quem usa a rodovia: a preocupação de usuários e entidades da sociedade civil com a efetiva realização das obras, diante do histórico da concessão anterior, foi registrada pela imprensa regional desde o início do novo contrato.

Moro aparece na liderança em todas as pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, com 48,7% na Neokemp e 36% na Quaest, o que dá peso adicional ao compromisso assumido com o Oeste.

Há, porém, outro lado a considerar. O governo estadual sustenta que a nova concessão foi modelada justamente para concluir a duplicação e lembra entregas feitas diretamente pelo DER, como a duplicação da BR-277 em Guarapuava e em Cascavel, onde foi construído o novo Trevo Cataratas.

A concessionária afirma que suas ações seguem o cronograma contratual e as exigências ambientais. Também pesa o fato de a BR-277 ser rodovia federal, com contrato regulado pela ANTT, o que limita a margem de ação direta do governo estadual; o poder de um governador, nesse caso, se exerce sobretudo por pressão política, articulação com o governo federal e acompanhamento do contrato.

A proposta de Moro não detalha, até aqui, quais instrumentos seriam usados para acelerar as obras. Os adversários Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) não foram ouvidos por esta reportagem.

A duplicação da BR-277 é uma dívida antiga com Foz do Iguaçu e com todo o Oeste, e é positivo que o favorito na disputa pelo governo a coloque no centro do debate. A fronteira não precisa de mais promessas, precisa de pista dupla, de menos acidentes e de um corredor à altura do segundo maior destino turístico do país.

Ao chamar a situação de vergonha e se comprometer a cobrar a concessionária desde o primeiro dia, Moro fez uma promessa que a região saberá medir quilômetro a quilômetro. Se eleito, a estrada será seu primeiro grande teste com o Oeste.

Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

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