Turismo impulsiona empregos, mas escassez de mão de obra desafia Foz do Iguaçu, Paraná e Brasil
Turismo impulsiona a geração de empregos em Foz do Iguaçu e no Paraná, mas a escassez de mão de obra qualificada mantém milhares de vagas abertas no setor.

O turismo, um dos principais motores da economia brasileira e paranaense, vive um momento de forte geração de empregos, mas enfrenta um obstáculo cada vez mais evidente: a dificuldade de preencher vagas abertas por falta de mão de obra disponível e qualificada. O cenário se manifesta de forma clara em Foz do Iguaçu, um dos destinos turísticos mais relevantes do país, onde a alta demanda por trabalhadores convive com milhares de oportunidades ainda não ocupadas.
Em âmbito nacional, estimativas de grandes portais de emprego indicam a existência de mais de 4 milhões de vagas anunciadas diariamente no Brasil, distribuídas entre setores como serviços, comércio, logística, indústria e, especialmente, turismo. Embora não exista um número único e oficial centralizado em tempo real pelo Ministério do Trabalho, os dados revelam um mercado aquecido e, ao mesmo tempo, um descompasso entre oferta de vagas e disponibilidade de profissionais.
Esse cenário ocorre mesmo com o avanço do emprego formal. O Brasil atingiu, em 2025, mais de 49 milhões de vínculos formais ativos, o maior número da série histórica do Caged. No total, o país soma mais de 103 milhões de pessoas ocupadas, considerando empregos formais e informais, além de registrar uma das menores taxas de desemprego dos últimos anos. Ainda assim, empresas de diversos setores seguem relatando dificuldades para contratar.
Paraná mantém mais de 26 mil vagas abertas
No Paraná, os dados reforçam essa realidade. As Agências do Trabalhador do estado registram cerca de 26.472 vagas de emprego abertas, número que oscila semanalmente conforme atualizações do sistema. A maior concentração está no setor de serviços, área na qual o turismo exerce papel estratégico. Funções operacionais, atendimento ao público e serviços especializados lideram a demanda e são justamente as que apresentam maior dificuldade de preenchimento.
Foz do Iguaçu concentra mais de 2,5 mil vagas e sente impacto direto no turismo
Em Foz do Iguaçu, cidade cuja economia está diretamente ligada ao turismo, a escassez de mão de obra se torna ainda mais sensível. Dados oficiais indicam que o município possui atualmente cerca de 2.560 vagas abertas no sistema das Agências do Trabalhador, número que se mantém elevado ao longo dos últimos meses.
Grande parte dessas oportunidades está vinculada à cadeia produtiva do turismo, envolvendo hotelaria, bares, restaurantes, agências de viagens, transporte turístico, eventos e comércio. Empresários relatam dificuldades para formar equipes completas, sobretudo em períodos de alta temporada, o que pode impactar desde a qualidade do atendimento até a capacidade operacional dos empreendimentos.
Turismo cresce e amplia demanda por trabalhadores
O desempenho do turismo ajuda a explicar esse cenário. Segundo dados do World Travel & Tourism Council (WTTC), o turismo no Brasil responde por mais de 8,2 milhões de empregos, cerca de 8% do total de postos de trabalho do país, com projeção de alcançar 9,7 milhões de empregos até 2035. Apenas nos primeiros meses de 2025, o setor criou mais de 106 mil vagas formais, impulsionado principalmente pelos segmentos de Alimentação, Transporte e Alojamento.
Apesar desse crescimento consistente, o setor enfrenta entraves como alta rotatividade, falta de qualificação específica, jornadas diferenciadas e dificuldade de retenção de profissionais, fatores que ajudam a explicar por que tantas vagas permanecem abertas, mesmo em um mercado de trabalho aquecido.
Desafio estratégico para um destino internacional
Para Foz do Iguaçu, destino internacional que recebe visitantes durante todo o ano, a falta de mão de obra no turismo ultrapassa o aspecto econômico e se consolida como um desafio estratégico para o desenvolvimento da cidade. A manutenção da qualidade dos serviços, da competitividade do destino e da experiência do turista depende diretamente da disponibilidade de profissionais preparados.
O cenário reforça a necessidade de investimentos contínuos em qualificação profissional, valorização do trabalhador do turismo e integração entre poder público, iniciativa privada e entidades do setor. Enquanto isso, milhares de vagas seguem abertas no Paraná e em Foz do Iguaçu, evidenciando um paradoxo do mercado atual: o turismo cresce, gera empregos e renda, mas enfrenta dificuldades para encontrar quem sustente esse crescimento.
MARCIO QUEIROZ VÍTOR Jornalista há 20 anos Gestor em Marketing e Eventos há 25 anos MBA em Comunicação e Marketing Coordenador comercial do Guarda Volume PhD sobre Foz do Iguaçu