Silva e Luna faz a ponte com o Palácio Iguaçu e destrava Bubas, Trincheira do Jupira e quase R$ 100 milhões para Foz
Editoria: Social
Silva e Luna articula com o Governo do Paraná quase R$ 100 milhões para Foz, com recursos para o Bubas, Trincheira do Jupira, recape e saúde.

O prefeito Joaquim Silva e Luna se consolidou como o principal intermediário entre Foz do Iguaçu e o Governo do Paraná. Sob sua articulação, a Prefeitura de Foz do Iguaçu fechou, entre meados de 2025 e o primeiro semestre de 2026, o mais volumoso ciclo de convênios com o Estado dos últimos anos: perto de R$ 100 milhões em repasses diretos ao município para urbanização, mobilidade, recape e saúde.
Na lista estão duas demandas que atravessaram gestões sem solução: a urbanização do Bubas, maior ocupação urbana do Paraná, e a trincheira sob a BR-277, que vai religar a Vila Portes ao Jardim Jupira. O desafio agora é transformar a assinatura em obra entregue.
Relação com o Palácio Iguaçu vem de antes da Prefeitura
A capacidade de interlocução do prefeito tem raízes anteriores ao mandato. General da reserva, ex-ministro da Defesa e ex-presidente da Petrobras, Silva e Luna comandou a diretoria-geral brasileira da Itaipu Binacional a partir de 2019.
Foi nesse período que a usina passou a financiar, em parceria com o Estado, as grandes obras de Foz, como a Ponte da Integração, a Perimetral Leste e a duplicação da Rodovia das Cataratas.
Na entrega do primeiro trecho duplicado da rodovia, ele próprio lembrou que o primeiro passo daquela obra foi dado em 2019, em Curitiba, com a assinatura de um convênio quando ainda estava à frente da Itaipu. Ao chegar à Prefeitura, levou consigo o trânsito no Palácio Iguaçu e a familiaridade com a engrenagem de convênios estaduais.
Pacote de R$ 500 milhões
O movimento mais ambicioso veio em junho de 2025. A Prefeitura apresentou ao governador Carlos Massa Ratinho Junior um pacote de dez obras estruturantes, com projetos técnicos prontos e valor perto de R$ 500 milhões.
Entre elas estão a revitalização e extensão da Avenida Beira Rio, a criação do Parque Monjolo e a trincheira entre Vila Portes e Jardim Jupira. O governador acolheu todas as propostas, condicionando a execução à liberação dos recursos.
Trincheira do Jupira foi a primeira a avançar
A trincheira foi a primeira a avançar, e não por acaso: era promessa de campanha de Silva e Luna e chegou a ser cobrada formalmente pela Câmara Municipal em janeiro de 2025.
A obra atende a uma ferida aberta pela duplicação da BR-277, que partiu ao meio uma região que já foi um dos polos comerciais mais movimentados de Foz, colada à Ponte da Amizade e à aduana com o Paraguai.
O convênio foi assinado em 9 de abril de 2026, durante a entrega da primeira etapa da duplicação da Rodovia das Cataratas, ao custo anunciado de R$ 17,7 milhões. Em 27 de maio, o governador autorizou a licitação, com valor atualizado para cerca de R$ 18 milhões, sendo R$ 16,9 milhões do Estado e R$ 887 mil de contrapartida municipal.
Até o fechamento desta reportagem, não foi localizada divulgação oficial sobre empresa vencedora ou ordem de serviço.
Urbanização do Bubas
No Bubas, as obras começaram em 13 de novembro de 2025, com a presença do governador e do prefeito. O investimento total é de R$ 23,5 milhões para pavimentação, redes de drenagem, água e esgoto em uma área de 523,3 mil metros quadrados, beneficiando cerca de 1,8 mil famílias.
Do total, R$ 12 milhões são do Estado, repassados pela Secretaria das Cidades (Secid) com projeto do Paranacidade, e R$ 11,5 milhões saem dos cofres da própria Prefeitura. A Sanepar soma outros R$ 3,9 milhões em saneamento.
Na cerimônia, Silva e Luna definiu o Bubas como praticamente uma cidade e afirmou que a urbanização levará ruas, calçadas, galerias e iluminação à comunidade.
R$ 65,3 milhões para infraestrutura
No mesmo evento de abril em que assinou a trincheira, o prefeito saiu com um pacote de R$ 65,3 milhões para infraestrutura urbana e rural, com destaque para a construção de uma nova escola.
Dentro dele estão R$ 33 milhões para recape asfáltico em bairros como Jardim América, Vila Paraguaia, Morumbi, Portal da Foz, Conjunto Libra, Profilurb I e Parque Ouro Verde. A contrapartida municipal somada da trincheira e do recape é de R$ 2,5 milhões.
Na saúde, o anúncio veio em maio de 2025: R$ 19,7 milhões para um Ambulatório Médico de Especialidades na região norte, um Pronto Atendimento 24 horas no Porto Meira, uma Unidade Básica de Saúde no Três Bandeiras, renovação de frota e custeio de consultas e exames especializados.
Grandes obras que não entram na conta dos repasses
Somam-se a isso as grandes obras que mudam a paisagem da cidade, mas não são repasses à Prefeitura.
A duplicação da Rodovia das Cataratas recebeu R$ 165,8 milhões via convênio entre Estado e Itaipu e teve 6,8 quilômetros liberados em abril. A Perimetral Leste foi entregue em dezembro de 2025. O Centre Pompidou Paraná, ao lado do aeroporto, tem investimento estadual estimado em cerca de R$ 250 milhões.
Articulação tem outros atores
O protagonismo do prefeito, porém, não conta a história inteira. A urbanização do Bubas dependeu da mediação do Tribunal de Justiça do Paraná, com participação do Ministério Público e da Defensoria Pública. Os primeiros convênios com Copel e Sanepar para a área foram assinados ainda na gestão anterior, de Chico Brasileiro.
Há também a questão da contabilidade: comunicados estaduais apresentaram os R$ 23,5 milhões do Bubas como investimento do Estado, quando quase metade da conta é municipal.
E há o descompasso entre anúncio e execução: do pacote de dez obras e R$ 500 milhões, só a trincheira chegou a convênio e licitação em um ano e três meses.
Calendário eleitoral e expectativa pelas obras
Por fim, o calendário. Os principais anúncios se concentraram entre abril e maio de 2026, pouco antes do período em que a legislação eleitoral restringe transferências voluntárias aos municípios, nos três meses que antecedem o pleito.
Não há irregularidade nisso, mas o timing ajuda a explicar a pressa e a coreografia dos eventos. Moradores do Jardim Jupira, comerciantes da Vila Portes e a oposição na Câmara seguem à espera de um cronograma concreto.
O saldo é favorável a Foz do Iguaçu, e o mérito da articulação cabe em boa medida a Silva e Luna, que chegou a Curitiba com projetos prontos, interlocução construída na Itaipu e capacidade de transformar demandas antigas em convênios assinados.
Mas o capital político do prefeito será medido menos pelas fotos de assinatura e mais pelos canteiros abertos. A prova definitiva da sua intermediação virá com o início efetivo da trincheira e com a liberação das outras nove obras do pacote de R$ 500 milhões, que, por ora, seguem como promessa.