Silva e Luna desmonta o alarmismo da base americana e mostra que a defesa do Brasil está em mãos brasileiras

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Social

Silva e Luna considera improvável a instalação de uma base militar dos EUA no Brasil e destaca a capacidade das Forças Armadas nacionais.

General Joaquim Silva e Luna, prefeito de Foz do Iguaçu e ex-ministro da Defesa, comenta a possibilidade de bases milita

Foto: Reprodução/UOL News.

Por Márcio Queiroz Vitor | Guarda Volume

A cada eleição, uma assombração antiga volta a circular: a de que um governo de direita entregaria pedaços do território nacional a tropas estrangeiras. Quem tratou de desfazer o fantasma desta vez foi uma das vozes mais experientes da defesa brasileira.

Em entrevista ao UOL News – 2ª edição, do Canal UOL, exibida na quinta-feira (8), o general Joaquim Silva e Luna, atual prefeito de Foz do Iguaçu, ex-ministro da Defesa e ex-diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, classificou como de baixíssima probabilidade a instalação de uma base militar dos Estados Unidos no país, inclusive num eventual governo Flávio Bolsonaro.

A fala chega em hora decisiva. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), contrariando a maior parte das pesquisas, e os dois voltam às urnas em 25 de outubro.

Com a segurança pública e o controle das fronteiras no centro da disputa, era previsível que adversários tentassem associar a candidatura a uma suposta submissão militar a Washington. O diagnóstico de quem conhece a caserna por dentro aponta na direção contrária.

A experiência de quem conhece a defesa nacional

Silva e Luna não fala como comentarista de ocasião. Eleito prefeito de Foz do Iguaçu em primeiro turno em 2024, administra desde janeiro de 2025 a principal cidade da fronteira brasileira, depois de ter sido ministro da Defesa, diretor-geral da Itaipu e presidente da Petrobras.

Conhece a fronteira de quem a governa no dia a dia e conhece por dentro o funcionamento das Forças Armadas.

Na entrevista, comparou o Brasil a países que abrigam estruturas militares americanas, como a Colômbia e a Coreia do Sul, e foi direto:

"No Brasil, imagino que não. Ele tem Forças Armadas suficientes".

Para o general, o país tem efetivo, tem meios e tem tropas bem distribuídas por todo o território, capazes de atender às demandas nacionais sem depender de presença estrangeira permanente.

Cooperação militar não significa instalação de bases estrangeiras

O ex-ministro também separou, com clareza, duas coisas que o debate eleitoral costuma misturar.

Cooperação internacional, exercícios conjuntos e treinamentos com outros países acontecem há muitos anos e fazem parte da rotina de qualquer força moderna.

Base militar estrangeira é outra conversa, e essa, segundo ele, não está no horizonte.

Trata-se de uma visão que combina abertura a parcerias com firmeza na soberania, exatamente o equilíbrio que se espera de um projeto sério de defesa.

Combate ao crime organizado e o papel das Forças Armadas

Há ainda um recado importante sobre o combate ao crime organizado, bandeira central da trajetória de Flávio Bolsonaro, que presidiu a Comissão de Segurança Pública do Senado.

Silva e Luna lembrou que a Constituição permite o emprego das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem, mediante decisão do governo e entendimento com os militares.

Para ele, o Brasil está entre os raros países em que as Forças Armadas podem atuar constitucionalmente em duas frentes: a defesa externa e a garantia da lei e da ordem.

Ou seja, o país já dispõe de instrumento próprio, legal e nacional para enfrentar facções e o narcotráfico, sem precisar terceirizar a segurança.

Investimento em defesa é um desafio para o próximo governo

O general reconheceu um ponto que deveria unir qualquer eleitor preocupado com a defesa: os equipamentos militares brasileiros são adequados, mas a capacidade depende de recursos, e os últimos anos foram de cortes na reposição e na inovação.

A crítica aponta um caminho claro para o próximo governo, que é recompor o orçamento da defesa e valorizar quem protege as fronteiras.

Uma avaliação baseada em décadas de experiência

Os críticos dirão que a avaliação de Silva e Luna é uma opinião pessoal, e ele próprio fez questão de ressaltar isso.

Mas é uma opinião qualificada, vinda de quem ocupou os cargos mais sensíveis da estrutura de defesa e de energia do país, e que serve de resposta firme ao discurso do medo.

Também dirão que o prefeito é filiado ao PL, o mesmo partido de Flávio Bolsonaro. É verdade, e não há por que esconder.

Mas a avaliação dele se apoia em décadas de carreira militar e em cargos de Estado ocupados em governos de diferentes orientações, e não em conveniência eleitoral.

Para Foz do Iguaçu, a soberania nacional tem importância direta

Para Foz do Iguaçu, que vive na linha de frente da segurança nacional, a mensagem é tranquilizadora, e vem do próprio chefe do Executivo municipal.

A defesa da fronteira continuará sendo tarefa do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, da Polícia Federal e da Receita Federal.

O que a região precisa é de um governo que invista nessas instituições, dê respaldo a quem combate o crime organizado e trate a soberania com seriedade.

A avaliação de Silva e Luna indica que esse projeto é possível com Flávio Bolsonaro, sem bandeiras estrangeiras e com os pés firmes no chão brasileiro.


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