Sessões de Ayahuasca crescem em Foz do Iguaçu e despertam debate sobre espiritualidade, saúde mental e segurança

Sessões de ayahuasca crescem em Foz do Iguaçu e impulsionam debates sobre espiritualidade, saúde mental, turismo espiritual e segurança dos participantes.

Sessões de Ayahuasca crescem em Foz do Iguaçu e despertam debate sobre espiritualidade, saúde mental e segurança

O uso ritualístico da ayahuasca vem ganhando cada vez mais espaço em Foz do Iguaçu, principalmente entre pessoas que buscam experiências de autoconhecimento, espiritualidade e equilíbrio emocional. Na tríplice fronteira, grupos espiritualistas e centros independentes passaram a divulgar sessões abertas ao público, geralmente realizadas aos finais de semana.

Uma das divulgações recentes nas redes sociais convida participantes para sessões de ayahuasca em Foz do Iguaçu, promovidas pela chamada “Sociedade Espiritual Divina Ayahuasca”. O anúncio destaca encontros aos sábados e domingos voltados ao público da região formada por Brasil, Paraguai e Argentina.

A ayahuasca é uma bebida ancestral amazônica preparada tradicionalmente a partir do cipó Banisteriopsis caapi e das folhas da planta Psychotria viridis, conhecida como chacrona. Utilizada há séculos por povos indígenas da Amazônia, a bebida provoca alterações de consciência e é associada a experiências espirituais profundas.

Como funcionam as sessões

Em Foz do Iguaçu, os encontros costumam seguir modelos inspirados em tradições xamânicas e espiritualistas. Geralmente, os participantes passam por uma recepção inicial com orientações sobre os efeitos da bebida e cuidados necessários durante a experiência.

As cerimônias normalmente incluem:

momentos de silêncio e meditação;
músicas instrumentais e cânticos espirituais;
consumo controlado da ayahuasca;
acompanhamento de facilitadores;
rodas de reflexão após o encerramento.

Alguns grupos também utilizam práticas complementares, como defumações, rapé indígena e vivências holísticas em meio à natureza.

Relatos de participantes descrevem experiências intensas de introspecção, emoções profundas, sensação de “limpeza espiritual”, além de visões e reflexões pessoais. Em muitos casos, também são relatados náuseas, vômitos e alterações emocionais consideradas parte do processo ritualístico.

Crescimento do turismo espiritual

A procura por sessões de ayahuasca vem crescendo na região da tríplice fronteira, acompanhando um fenômeno nacional ligado ao chamado “turismo espiritual”. Pessoas de diferentes estados e até estrangeiros buscam experiências ligadas à expansão da consciência e práticas ancestrais.

Entre os grupos e espaços divulgados na região estão centros espiritualistas, casas xamânicas e organizações independentes que promovem encontros periódicos em Foz do Iguaçu.

O interesse também aumentou após estudos científicos que investigam possíveis efeitos terapêuticos da ayahuasca em tratamentos relacionados à depressão, ansiedade e dependência química. Pesquisadores, no entanto, alertam que os estudos ainda estão em desenvolvimento e não substituem tratamentos médicos convencionais.

Especialistas alertam para riscos

Apesar do crescimento das cerimônias, profissionais da saúde fazem alertas sobre os riscos psicológicos envolvidos no consumo da substância, especialmente para pessoas com histórico de transtornos psiquiátricos, esquizofrenia, bipolaridade ou uso de medicamentos antidepressivos.

Especialistas recomendam cautela e orientação adequada antes da participação em sessões, além da verificação da procedência dos grupos responsáveis pelos encontros.

No Brasil, o uso religioso e ritualístico da ayahuasca é permitido, desde que realizado dentro de normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad). A comercialização indiscriminada e o uso recreativo da bebida, porém, não são autorizados.

O avanço das cerimônias em Foz do Iguaçu também levanta debates sobre fiscalização, segurança sanitária e acompanhamento psicológico dos participantes, principalmente diante da popularização das práticas nas redes sociais.

Por: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

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