Senado do Paraguai mira contrato milionário do Hotel Casino Acaray e investiga possível prejuízo ao IPS

Senado do Paraguai investiga contrato do Hotel Casino Acaray em Ciudad del Este após suspeitas de aluguel abaixo do mercado e possível prejuízo milionário ao IPS.

Senado do Paraguai mira contrato milionário do Hotel Casino Acaray e investiga possível prejuízo ao IPS

Parlamentares questionam aluguel considerado abaixo do valor de mercado e pedem auditoria sobre patrimônio do Instituto de Previdência Social

O Senado do Paraguai aprovou uma série de pedidos de informações ao Instituto de Previdência Social (IPS) para investigar a gestão de imóveis pertencentes à instituição. Entre os casos que mais chamam a atenção está o contrato do tradicional Hotel Casino Acaray, em Ciudad del Este, apontado por parlamentares como um dos negócios mais controversos envolvendo o patrimônio da previdência paraguaia.

O pedido foi apresentado pelo senador paraguaio Rafael Filizzola, que solicitou documentação detalhada sobre imóveis pertencentes ao IPS e os contratos atualmente em vigor. O objetivo é verificar as condições em que esses bens públicos estão sendo administrados e se os acordos firmados atendem aos interesses da instituição e dos contribuintes paraguaios.

Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, o Hotel Casino Acaray é explorado desde 2005 pela empresa Azar Internacional S.A.. O complexo é considerado um dos empreendimentos mais tradicionais da Tríplice Fronteira, sendo o único hotel cinco estrelas do departamento de Alto Paraná e abrigando um dos maiores cassinos da região.

Valor do aluguel gera questionamentos

O caso ganhou repercussão após questionamentos sobre o valor pago mensalmente ao IPS pela utilização da estrutura. Atualmente, a instituição recebe cerca de 54,6 milhões de guaranis por mês em aluguel, montante equivalente a aproximadamente R$ 38 mil na cotação atual.

Críticos do contrato afirmam que a quantia estaria muito abaixo do potencial econômico do empreendimento. De acordo com especialistas consultados pelo Senado, um imóvel com as características do Hotel Casino Acaray poderia gerar entre 400 milhões e 500 milhões de guaranis mensais em aluguel — valor entre oito e dez vezes superior ao atualmente recebido pelo IPS.

Caso essa estimativa seja confirmada durante as investigações, o prejuízo acumulado ao longo dos anos poderá alcançar cifras milionárias para a previdência social paraguaia.

Mudança contratual também está sob investigação

Outro ponto que desperta atenção dos parlamentares é uma alteração contratual realizada em 2013. Conforme documentos mencionados durante os debates, o contrato original previa reajustes indexados ao dólar norte-americano, acompanhando a valorização do imóvel e as oscilações do mercado.

Posteriormente, o acordo teria sido modificado, eliminando a indexação em moeda estrangeira e reduzindo mecanismos de atualização periódica do valor do aluguel.

Para os críticos da medida, a mudança teria beneficiado a empresa exploradora do hotel, enquanto reduziu a capacidade de valorização do patrimônio pertencente ao IPS.

Pressão sobre a gestão do IPS

A investigação ocorre em meio a um período de forte pressão sobre a administração do Instituto de Previdência Social. Recentemente, o então presidente da instituição, Jorge Brítez, deixou o cargo em meio a denúncias, auditorias e questionamentos relacionados à gestão dos bens da previdência social paraguaia.

Parlamentares defendem uma revisão ampla dos contratos patrimoniais do IPS e avaliam a possibilidade de renegociação ou revisão dos acordos considerados prejudiciais à instituição.

O Hotel Casino Acaray possui mais de 100 apartamentos, estrutura para eventos, seminários, atividades sociais e um dos principais cassinos da região de fronteira. Apesar da expansão das operações e da consolidação do empreendimento no mercado regional, o contrato atualmente em vigor permanece válido até 2033.

A expectativa é que as informações solicitadas pelo Senado sirvam de base para futuras auditorias e para a adoção de medidas destinadas a proteger o patrimônio do sistema previdenciário paraguaio.

Por: Márcio Queiroz Vitor
Jornalista há 21 anos | Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos | MBA em Comunicação e Marketing | Coordenador Comercial do Guarda Volume

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