Segurança e cuidado social andam juntos em nova etapa da Operação Nossa Casa em Foz do Iguaçu
Operação Nossa Casa realiza 30 abordagens em Foz do Iguaçu e encaminha 21 pessoas em situação de rua para Casas de Passagem.

Vinte e uma abordagens resultaram em encaminhamentos para serviços de assistência social em ação que reuniu cinco secretarias municipais na noite desta terça-feira (15)
A Prefeitura de Foz do Iguaçu deu mais um passo na consolidação de sua política de atenção à população em situação de rua. Na noite desta terça-feira (15), equipes de cinco secretarias municipais voltaram às ruas do centro da cidade em uma nova rodada da Operação Nossa Casa, iniciativa que combina assistência social, saúde e segurança pública em um único movimento coordenado.
Ao todo, 21 profissionais participaram da ação, que resultou em 30 abordagens e no encaminhamento de 21 pessoas para as Casas de Passagem do município.
Atuação integrada
A Operação Nossa Casa nasce de um diagnóstico recorrente em cidades de médio e grande porte no Brasil: a situação de rua não se resolve com ações isoladas de uma única pasta, mas exige a convergência de políticas públicas de assistência social, saúde, meio ambiente e segurança.
Foz do Iguaçu, cidade de fronteira com fluxo intenso de pessoas e desafios sociais próprios de sua posição geográfica, tem intensificado nos últimos meses esse tipo de resposta integrada, buscando equilibrar o cuidado com a garantia de direitos e a organização do espaço urbano.
Sob o lema “Nossa Casa é Cuidar de gente, segurança também se constrói com cuidado”, a ação desta terça-feira reuniu as Secretarias Municipais de Assistência Social, Saúde, Meio Ambiente, Segurança Pública e Comunicação.
O ponto de encontro das equipes foi a Estação Cultural Haroldo Alvarenga, na Praça Getúlio Vargas, região central da cidade, de onde partiram para pontos já mapeados pela concentração de pessoas em situação de rua.
21 pessoas aceitaram acolhimento
Em cerca de duas horas e meia de trabalho, foram realizadas 30 abordagens. Vinte e uma pessoas aceitaram encaminhamento: 17 foram direcionadas à Casa de Passagem III, duas à Casa de Passagem II e outras duas à Casa de Passagem I.
Nove pessoas recusaram o encaminhamento, mas, mesmo assim, receberam orientações sobre os serviços disponíveis no município — um dado que a gestão municipal trata como parte do processo, não como fracasso da abordagem.
O inspetor da Guarda Municipal José Carlos dos Reis descreveu a função da corporação na operação como um papel de apoio: garantir segurança às equipes das demais secretarias enquanto elas conduzem o atendimento social e de saúde.
Já o diretor da Proteção Social Especial, Sidney Ribeiro, explicou que o trabalho começa pela abordagem social, com oferta de vagas de acolhimento, e que eventuais demandas de saúde identificadas no contato também geram encaminhamento imediato.
Segundo ele, a saída da situação de rua não depende de uma política isolada, mas da soma de diferentes frentes de atuação do poder público.
Meio Ambiente recolhe dois caminhões de entulho
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente também teve participação direta na ação, recolhendo entulho dos locais abordados. Ao final da noite, dois caminhões haviam sido carregados.
Para o diretor Sidney Ribeiro, a segunda fase da Operação Nossa Casa mostra amadurecimento na integração entre as secretarias envolvidas, com cada pasta compreendendo melhor seus limites técnicos e legais de atuação, o que resulta, segundo ele, em respostas mais coordenadas e humanas.
Resultados de longo prazo ainda precisam ser acompanhados
Chama atenção o fato de que o material divulgado pela Prefeitura traz majoritariamente a fala de gestores municipais e da própria corporação envolvida na ação, sem espaço para o relato de quem foi abordado nem para a avaliação de entidades da sociedade civil, pesquisadores ou conselhos de direitos humanos que acompanham a política de assistência à população em situação de rua na cidade.
Também não há, no material oficial, indicação de metas de médio prazo, número total de pessoas atendidas pelo programa desde seu início ou taxa de permanência nos serviços de acolhimento — informações que ajudariam a avaliar a efetividade da iniciativa para além do resultado pontual de cada ação.
A frequência anunciada para novas etapas da Operação Nossa Casa sinaliza que a Prefeitura de Foz do Iguaçu pretende manter esse modelo como política permanente, e não como resposta pontual a uma demanda conjuntural.
É um caminho correto na forma — a integração entre secretarias tende a produzir respostas mais completas do que ações isoladas de fiscalização ou de assistência. Mas a efetividade real da operação só poderá ser medida ao longo do tempo, acompanhando quantas das pessoas encaminhadas de fato permanecem nos serviços de acolhimento e conseguem, a partir daí, construir uma trajetória de saída da rua.
Cuidado que se sustenta é diferente de cuidado que aparece apenas na noite da abordagem.
Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.