Santiago Peña é preso após impeachment no Paraguai em meio ao escândalo do Ueno Bank
Editoria: Internacional
Santiago Peña é preso após impeachment no Paraguai. Entenda a crise do Ueno Bank, as investigações e a mudança na Presidência do país.

Foto: divulgação
Ex-presidente foi detido nesta sexta-feira (6), após decisão do Senado paraguaio. Crise financeira envolvendo o banco Ueno deixou milhões de clientes com contas bloqueadas e provocou manifestações no país.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido nesta sexta-feira (6 de novembro), em Assunção, poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. A medida foi determinada pelo Ministério Público paraguaio no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Ueno Bank.
Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia e pela Associated Press, Peña foi colocado em prisão domiciliar, enquanto aguarda os procedimentos judiciais relacionados à investigação por suspeita de lesão de confiança e outros possíveis crimes.
A ordem de detenção foi expedida por quatro integrantes do Ministério Público, ligados às áreas de crimes econômicos, anticorrupção, delitos informáticos e lavagem de dinheiro.
Senado aprova destituição de Santiago Peña
A queda de Santiago Peña ocorreu após o avanço de um processo de impeachment motivado por denúncias envolvendo suas antigas relações empresariais com o grupo controlador do Ueno Bank.
Na votação realizada nesta sexta-feira, os 44 senadores presentes aprovaram a destituição do presidente.
Peña havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), alegando a necessidade de preservar a estabilidade institucional do Paraguai. Entretanto, o Congresso não aceitou o pedido e deu continuidade ao julgamento político.
O ex-presidente nega ter cometido irregularidades.
Escândalo financeiro atinge milhões de paraguaios
A crise teve início após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, uma das instituições financeiras que mais cresceram no país nos últimos anos.
A suspensão das operações bancárias deixou quase três milhões de clientes temporariamente sem acesso às contas e aos cartões, provocando preocupação entre correntistas, investidores e aposentados.
O caso também levantou questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos na instituição financeira, incluindo depósitos de fundos previdenciários.
As investigações buscam esclarecer se houve favorecimento político, falhas de fiscalização e eventuais irregularidades na administração dos recursos.
Relação de Peña com o banco é investigada
De acordo com informações publicadas pelo jornal paraguaio ABC Color, Santiago Peña declarou, em 2023, possuir ações da Ueno Holding avaliadas em aproximadamente 6,144 bilhões de guaranis.
A participação acionária foi vendida em abril de 2025.
O ex-presidente também havia declarado investimentos em certificados de depósito na instituição financeira. As autoridades investigam possíveis conflitos de interesses e a relação entre integrantes do governo e o grupo empresarial.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação criminal.
Pedro Alliana assume a Presidência do Paraguai
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como novo presidente do Paraguai nesta sexta-feira.
Alliana deverá concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
O novo governo assume em meio à pressão para garantir o ressarcimento dos clientes prejudicados pela crise bancária e restabelecer a confiança nas instituições financeiras.
Crise no Paraguai também chama atenção na fronteira com Foz do Iguaçu
A instabilidade política e financeira no Paraguai é acompanhada com atenção na região da Tríplice Fronteira, especialmente em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, cidades que mantêm intensa relação comercial e econômica.
O Paraguai é um importante parceiro econômico do Brasil, e os desdobramentos da crise podem influenciar a confiança de investidores e o ambiente de negócios entre os dois países.
Até o momento, não há confirmação de impactos diretos da crise bancária sobre o comércio de Ciudad del Este ou sobre a circulação de pessoas na Ponte Internacional da Amizade.
O caso segue sob investigação das autoridades paraguaias.