Rios recuam em Foz, mas Prefeitura mantém vigilância e cinco famílias da Vila Bancária ainda esperam a água baixar
Editoria: Meio Ambiente
Nível dos rios recua em Foz do Iguaçu, mas cinco famílias da Vila Bancária continuam desalojadas. Defesa Civil mantém monitoramento das cheias.

Foto: Divulgação
Por Marcio Queiroz Vitor
Depois de dias de chuva forte, o nível das águas começou a ceder em Foz do Iguaçu. Na quarta-feira (14), a medição chegou a 121,4 metros. Até as 11h desta quinta-feira (15), havia recuado 10 centímetros. A Prefeitura de Foz do Iguaçu, por meio da Defesa Civil, avalia que a tendência é de queda contínua, mesmo com a previsão de novas chuvas, e mantém o monitoramento ativo dos rios Paraná e Iguaçu.
Foz do Iguaçu vive literalmente no encontro das águas. A cidade é margeada pelos dois rios que desenham a Tríplice Fronteira com o Paraguai e a Argentina. O comportamento de ambos depende da chuva local, mas também do que acontece rio acima, nas bacias que atravessam o Paraná e outros estados, e da operação das usinas hidrelétricas instaladas ao longo dos dois cursos d'água.
Por isso, cada centímetro medido nas réguas da fronteira interessa a três países ao mesmo tempo. A memória recente das cheias do Iguaçu, que já fecharam passarelas das Cataratas e transformaram a vazão do rio em notícia internacional, ajuda a explicar por que o município trata a subida das águas como assunto de vigilância permanente, e não como episódio isolado.
Prefeitura mantém equipes mobilizadas
Segundo a Prefeitura, a Defesa Civil acompanha as réguas dos rios e também os dados dos pluviômetros automáticos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão federal que mede em tempo real o volume de chuva em pontos estratégicos.
Em paralelo, equipes das secretarias municipais de Obras e de Meio Ambiente seguem mobilizadas nas ruas. Elas verificam pontos de alagamento, desobstruem galerias de águas pluviais e sinalizam vias com buracos abertos pela chuva, para reduzir o risco a motoristas e pedestres.
Cinco famílias seguem fora de casa na Vila Bancária
O impacto social mais direto está na Vila Bancária. Cinco famílias que moram no local precisaram deixar suas casas e estão abrigadas na residência de parentes, dentro do próprio bairro, à espera de que o nível da água permita o retorno.
A Defesa Civil e a Secretaria de Assistência Social acompanham esses moradores e prestam apoio enquanto durar a situação.
Para comunicar ocorrências ou fazer solicitações, a população pode usar a plataforma eOuve ou ligar para o 156, canais oficiais de atendimento do Município. A Defesa Civil atende pelos telefones 199 ou 153.
Informações que ainda precisam ser esclarecidas
Há, porém, perguntas que o boletim oficial não responde. A informação divulgada não deixa claro a qual dos dois rios, e a qual ponto de medição, corresponde a marca de 121,4 metros.
Também não diz qual é a cota considerada de alerta ou de transbordamento para a cidade, um dado essencial para que o morador entenda o tamanho real do risco.
Não há detalhes sobre o tipo de apoio prestado às famílias desalojadas, nem sobre eventuais perdas materiais. Também não se sabe se a Vila Bancária, área que volta ao noticiário sempre que os rios sobem, tem algum plano de solução definitiva. A voz dos próprios moradores, por enquanto, segue ausente do relato.
O desafio é transformar monitoramento em prevenção
A queda do nível é uma boa notícia. A resposta coordenada da Prefeitura de Foz do Iguaçu, com Defesa Civil, Obras, Meio Ambiente e Assistência Social atuando ao mesmo tempo, mostra uma estrutura que funciona na hora do aperto.
Mas uma cidade que convive com dois grandes rios não pode depender apenas da boa gestão da emergência. O desafio que fica, quando a água baixar, é transformar o monitoramento em prevenção.
Isso significa dar transparência total às cotas de risco e enfrentar de vez a situação das famílias que, a cada cheia, voltam a fazer as malas.