Quem é o turista que chega a Foz? Prefeitura leva a cidade ao centro de pesquisa nacional que vai ouvir 22,5 mil visitantes

Pesquisa nacional entrevista turistas em Foz do Iguaçu para identificar perfil, gastos, permanência e avaliação dos visitantes do destino.

turistas em Foz do Iguaçu

Pesquisa Nacional de Demanda Turística coleta dados de visitantes no aeroporto e na rodoviária de Foz do Iguaçu; levantamento pretende traçar o perfil de quem visita os principais destinos brasileiros

A Prefeitura de Foz do Iguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (SMTU), colocou a cidade no mapa de um dos maiores levantamentos já feitos sobre o comportamento do viajante no país. Até esta quinta-feira, 24 de setembro, pesquisadores do Observatório de Turismo de Foz abordam visitantes no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu – Cataratas e na Rodoviária Internacional como parte da Pesquisa Nacional de Demanda Turística, a PNDT, iniciada no dia 16.

Foz do Iguaçu é daqueles destinos em que o turismo não é um setor da economia, mas a própria economia. Cataratas, Itaipu, compras no Paraguai, gastronomia na Argentina e um calendário crescente de eventos e congressos sustentam hotéis, restaurantes, agências e milhares de empregos.

Mesmo assim, boa parte das decisões sobre promoção e investimento no setor ainda se apoia em estimativas de fluxo, e não em conhecimento detalhado de quem é o visitante, quanto gasta e o que pensa do destino. É essa lacuna que a pesquisa pretende reduzir.

22,5 mil entrevistas no país

O estudo faz parte das ações do Observatório Nacional de Turismo Sustentável, administrado pelo Itaipu Parquetec em parceria com o Ministério do Turismo, e tem execução técnica da Rede Brasileira de Observatórios de Turismo (RBOT).

Ao todo, 50 municípios foram selecionados, com a meta de aplicar 22,5 mil entrevistas em todo o país. Em Foz, a coleta está sob responsabilidade do Observatório de Turismo local, coordenado tecnicamente pela SMTU, com o objetivo de reunir cerca de 450 questionários.

Os entrevistadores trabalham identificados com crachá e perguntam sobre a motivação da viagem, o meio de transporte usado, o tipo de hospedagem, o tempo de permanência, os gastos e a avaliação da experiência na cidade.

Segundo a Prefeitura, os resultados devem orientar políticas públicas, campanhas de promoção, melhorias nos serviços e decisões de investimento em âmbito nacional.

Gestão orientada por dados

Para Sheila Domingues, coordenadora do Observatório de Turismo de Foz e chefe da Divisão de Estatística e Estudos Turísticos da SMTU, participar de uma pesquisa desse porte fortalece as estatísticas do município.

Ela afirma que a escolha de Foz e a atuação direta do Observatório reforçam o protagonismo da cidade e o compromisso da Secretaria com uma gestão orientada por dados.

Limites da pesquisa

Há, no entanto, limites que precisam ser considerados na leitura futura dos resultados. A amostra local, de cerca de 450 entrevistas, é pequena diante do volume de visitantes que a cidade recebe ao longo do ano, e o período de coleta, concentrado em nove dias de setembro, não capta as variações de alta e baixa temporada.

Além disso, os dois pontos de abordagem, aeroporto e rodoviária, deixam de fora quem chega de carro próprio, de excursão fretada ou atravessa as pontes internacionais vindo do Paraguai e da Argentina, perfis relevantes na dinâmica da tríplice fronteira.

Também não há, até o momento, data divulgada para a publicação dos dados, nem informação sobre como serão apresentados os recortes por município.

O desafio será transformar dados em decisões

A iniciativa merece reconhecimento. Um destino que vive do turismo precisa conhecer o seu visitante com base em evidências, e a Prefeitura de Foz do Iguaçu acerta ao colocar o Observatório municipal na linha de frente de um estudo nacional.

O valor real da pesquisa, porém, será medido depois: na transparência com que os resultados forem divulgados, na qualidade dos recortes locais e, sobretudo, na capacidade de transformar números em decisões que melhorem a experiência de quem vem e a renda de quem vive do turismo na cidade.

O Guarda Volume vai acompanhar a divulgação dos dados.

Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

Mais notícias