Programa da AFA em Foz oferece tratamento e apoio familiar a adolescentes usuários de drogas

Representantes da AFA participam do Guarda Volume Podcast e explicam programas de acolhimento, tratamento e apoio familiar para crianças e adolescentes em Foz do Iguaçu.

Programa da AFA em Foz oferece tratamento e apoio familiar a adolescentes usuários de drogas

O Guarda Volume Podcast recebeu representantes da Associação Fraternidade Aliança (AFA) para discutir o trabalho de acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em Foz do Iguaçu. Durante o episódio, foram apresentados programas sociais desenvolvidos pela instituição e os desafios enfrentados no cuidado e proteção de jovens no município.

Participaram da conversa Euni Rodrigues, coordenadora do Programa Família Acolhedora; Claudia Souza, coordenadora da Unidade de Acolhimento Infantojuvenil (UAI); e Rafael Muller, integrante de uma família acolhedora.

A AFA atua há quase 35 anos em Foz do Iguaçu, desenvolvendo projetos voltados ao atendimento social de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.

Entre os programas mantidos pela instituição está o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, que atende atualmente cerca de 310 crianças, principalmente na região do Porto Meira. O objetivo é oferecer atividades educativas, acompanhamento social e fortalecimento das relações familiares.

Outro serviço apresentado durante o episódio foi o programa de guarda subsidiada, que acompanha 50 famílias em todo o município. Nesses casos, as famílias são encaminhadas pela rede socioassistencial — como CRAS, CREAS, Vara da Infância e Juventude e Ministério Público — quando existe risco de afastamento da criança por dificuldades financeiras.

A proposta é oferecer suporte para que a criança permaneça com sua família, evitando o acolhimento institucional.

Programa Família Acolhedora

Durante a conversa, Euni Rodrigues explicou o funcionamento do Programa Família Acolhedora, uma política pública de proteção à infância que permite que crianças e adolescentes afastados temporariamente de sua família de origem sejam acolhidos por famílias previamente capacitadas.

Essas famílias recebem acompanhamento técnico da equipe da instituição e oferecem um ambiente familiar temporário enquanto a situação da família de origem é acompanhada pela rede de proteção.

Também presente no episódio, Rafael Muller compartilhou sua experiência como família acolhedora. Segundo ele, o processo envolve preparação, acompanhamento profissional e um compromisso com o cuidado e desenvolvimento da criança acolhida.

Ele destacou ainda que a experiência de acolher uma criança em casa traz aprendizados importantes e reforça o papel da comunidade na proteção da infância.

Acolhimento terapêutico para adolescentes

Outro tema abordado no episódio foi o trabalho da Unidade de Acolhimento Infantojuvenil (UAI), coordenada por Claudia Souza, voltada ao atendimento de crianças e adolescentes que enfrentam problemas relacionados ao uso de substâncias.

Segundo a coordenadora, o serviço começou a ser executado pela AFA em 2019, após uma demanda identificada pelo município e encaminhada pela Secretaria Municipal de Saúde.

A unidade atende crianças e adolescentes entre 10 e 18 anos incompletos que necessitam de acompanhamento terapêutico especializado.

Claudia explicou que o atendimento segue o modelo de cuidado em liberdade, no qual o jovem precisa aceitar participar do tratamento. A porta de entrada para o serviço é o CAPS Infantojuvenil, responsável pela triagem e encaminhamento dos casos.

Muitos adolescentes chegam ao serviço em situação de abandono escolar, com vínculos familiares fragilizados e enfrentando diferentes contextos de vulnerabilidade social.

Por isso, o trabalho realizado envolve não apenas o adolescente, mas também a família.

O acompanhamento costuma durar cerca de seis meses, podendo variar conforme cada caso. Em algumas situações, o período pode ser menor ou se estender quando o jovem necessita de maior suporte terapêutico.

Segundo a coordenadora, o uso de substâncias deve ser tratado como uma doença, reconhecida inclusive na classificação internacional de doenças, e não como desvio de caráter.

Importância da rede de proteção

Durante o episódio, os convidados destacaram que o acolhimento é sempre uma medida provisória, utilizada quando é necessário garantir proteção e segurança para crianças e adolescentes.

Programas como Família Acolhedora e os serviços terapêuticos fazem parte de uma rede de proteção que busca oferecer cuidado, acompanhamento e novas oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade.

Ao abrir espaço para esse tema, o Guarda Volume Podcast reforça a importância de dar visibilidade ao trabalho de instituições que atuam diretamente na proteção da infância e da adolescência em Foz do Iguaçu.

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