Prefeito Silva e Luna celebra vitória de Moro e projeta parceria entre Foz e o Palácio Iguaçu

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Política

Silva e Luna celebra a vitória de Sergio Moro e projeta uma nova relação entre Foz do Iguaçu e o Governo do Paraná a partir de 2027.

Silva e Luna e Sergio Moro

Enrolado na bandeira do Brasil e cercado por apoiadores vestidos de verde e amarelo, o prefeito de Foz do Iguaçu, general Joaquim Silva e Luna, celebrou na noite de domingo, 4 de outubro, a vitória de Sergio Moro no primeiro turno da eleição para o Governo do Paraná.

Em menos de um minuto, o chefe do Executivo municipal deixou claro que não se tratava de uma adesão de última hora.

“Desde a primeira hora, apostamos no Sergio Moro para governador do Estado”, afirmou.

No discurso, o prefeito destacou três atributos do governador eleito: coragem, trajetória e capacidade de enfrentar desafios. Disse apostar “na coragem dele, na história dele, no desafio que ele enfrentou” e vinculou a escolha às “necessidades que o Brasil passa hoje, no Paraná e no próprio país como um todo”.

A agenda apontada foi direta: enfrentar o crime e enfrentar a desordem, tema sensível para uma cidade de Tríplice Fronteira que convive historicamente com o contrabando, o descaminho e o tráfico de armas e drogas.

Na parte final, Silva e Luna deslocou o foco da segurança para a economia, ao afirmar que o Paraná já é um estado de destaque, mas ainda tem muito potencial para crescer, citando um setor com amplo espaço de expansão, que, pelo contexto da fala, parece ser a indústria.

Moro, por sua vez, já sinalizou que pretende enxugar a estrutura do Estado, reduzir despesas com burocracia e adotar critérios técnicos na montagem da equipe, discurso que dialoga com o perfil de gestão defendido pelo prefeito.

Alinhamento entre Prefeitura e Governo do Estado

A manifestação tem peso institucional para a cidade. Silva e Luna chegou à Prefeitura de Foz do Iguaçu em 2025, eleito pelo PL, mesmo partido do governador eleito, depois de uma carreira de destaque no serviço público federal: general do Exército, foi ministro da Defesa, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional e presidente da Petrobras.

Com o alinhamento partidário entre Prefeitura e Palácio Iguaçu a partir de 2027, Foz entra no novo ciclo estadual em posição privilegiada de interlocução, num momento em que a cidade também ampliou sua bancada, com três deputados estaduais e um federal eleitos.

O resultado local reforça essa sintonia: Moro venceu no estado com 3,1 milhões de votos e, em Foz, recebeu 55,34% dos votos válidos, mais que o dobro de Requião Filho (PDT), segundo colocado na cidade.

Alinhamento não garante resultados

A leitura entusiasmada da noite da vitória, porém, merece ponderações. A primeira é que o discurso de ordem e combate ao crime esbarra em limites de competência: o enfrentamento ao contrabando e ao tráfico na fronteira depende em grande parte da Polícia Federal, da Receita Federal e das Forças Armadas, órgãos federais sobre os quais nem o governador nem o prefeito têm comando. A relação com Brasília também dependerá do resultado do segundo turno presidencial, em 25 de outubro.

A segunda é que o alinhamento partidário, embora facilite o diálogo, não garante por si só recursos ou obras. A história recente do Paraná mostra que municípios de diferentes cores políticas disputam o mesmo orçamento estadual.

A terceira é que cerca de 45% dos eleitores de Foz não votaram em Moro, e esses cidadãos também esperam da Prefeitura uma relação institucional, e não apenas partidária, com o novo governo.

Também não há, na fala, propostas concretas ou metas específicas para Foz do Iguaçu e a região de fronteira.

O desafio de transformar afinidade em resultados

A presença do prefeito na celebração confirma que a Prefeitura de Foz do Iguaçu pretende ocupar papel central na relação com o próximo governo estadual, e essa é uma oportunidade que a cidade não pode desperdiçar.

Silva e Luna conhece como poucos a máquina federal, a Itaipu e a lógica da segurança de fronteira. Somado a um governador aliado e a uma bancada ampliada, Foz reúne, pela primeira vez em muito tempo, condições políticas raras para pautar o Estado.

O desafio, a partir de 1º de janeiro de 2027, será transformar a afinidade da noite da vitória em uma agenda objetiva: segurança integrada na fronteira, investimentos em indústria, turismo e infraestrutura, e uma relação com o Palácio Iguaçu que beneficie todos os iguaçuenses, e não apenas os que vestiram verde e amarelo no domingo.

Coragem elegeu Moro. Resultados entregues em Foz é que vão medir o valor dessa parceria.

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