Portal Guarda Volume publica a segunda parte da entrevista exclusiva com Cristina Graeml, pré-candidata ao Senado pelo PSD
Na segunda parte da entrevista exclusiva ao Portal Guarda Volume, Cristina Graeml comenta a divisão da direita, explica a função do Senado e apresenta sua visão para o futuro do Paraná.

Parte 2 — Divisão da direita, o papel do Senado e a visão de futuro para o Paraná
Na segunda e última parte da entrevista exclusiva concedida ao Portal Guarda Volume, nas dependências do Hotel Recanto, em Foz do Iguaçu, a pré-candidata ao Senado Federal Cristina Graeml (PSD) aprofundou o debate sobre a dinâmica política da direita paranaense, explicou as diferenças entre o papel do senador e do deputado federal e traçou sua visão de futuro para o Paraná nos próximos oito anos.
Com a clareza didática construída ao longo de 35 anos de jornalismo, Cristina respondeu sem rodeios às perguntas mais delicadas da conversa e encerrou com um recado direto ao eleitor paranaense.
Portal Guarda Volume:
Cristina, há dois grupos de direita no Paraná buscando protagonismo. Na cabeça do cidadão surge a pergunta: por que vocês não se unem? São pensamentos diferentes ou pessoas diferentes com pensamentos iguais?
Cristina Graeml:
Primeiro, vamos fazer um panorama do que é o paranaense. A gente olha pelos resultados das últimas eleições e pode deduzir que, em geral, somos mais conservadores do que progressistas.
O conservador defende a vida desde a concepção, defende a família, o casamento, a liberdade religiosa. Aliás, todas as liberdades estão no topo das prioridades: liberdade de expressão, de imprensa, religiosa, de ir e vir e de trabalhar. Defende também o armamento e o direito à propriedade privada.
Já os progressistas defendem aborto, invasão de terra e desarmamento. Depois ainda combatem a polícia e passam a mão na cabeça de bandido, achando que ele só está roubando para comprar uma cervejinha. Quem matou para roubar um celular é um homicida, ponto. Precisa cumprir pena.
Separando conservadores e progressistas nesses dois espectros, temos mais conservadores no Paraná do que progressistas. Tanto que o PT nunca elegeu um governador no Paraná, nem mesmo um prefeito em Curitiba.
Dito isso, não existe partido de direita no Brasil. São mais de 30 partidos e nenhum diz em seu estatuto: "Nós somos de direita".
Atualmente, por conta da eleição de Bolsonaro em 2018, costumou-se associar o PL à direita. Mas o PL, presidido pelo mesmo Valdemar Costa Neto, em 2002 foi vice de Lula com José Alencar. Por dois mandatos seguidos, durante oito anos, o PL esteve aliado ao PT. Foi quando surgiu o Mensalão, tanto que Valdemar Costa Neto foi condenado e preso. Não podemos considerar um partido de direita.
Em 2022, o PL elegeu aproximadamente 100 deputados federais. Destes, cerca de 30 votam com o governo Lula desde o primeiro dia. Como podemos dizer que isso é um partido de direita?
O Novo, que muita gente também associa à direita, até pouco tempo autorizava o filiado a decidir se era pró-vida ou pró-aborto. Isso não existe em um partido de direita.
Portal Guarda Volume:
E por que o PL e o Novo dizem que você está dividindo a direita?
Cristina Graeml:
Por que não são eles que estão dividindo a direita?
Vamos pela lógica. Eu fui o primeiro nome do Paraná pré-lançado para o Senado. Em 12 de fevereiro de 2025, a presidente do Podemos fez o lançamento nacional da minha pré-candidatura em Brasília, durante minha filiação.
No dia seguinte já estava em Cascavel. Depois vim para Foz e, desde então, percorri 118 cidades, dando mais de uma volta e meia pelo Paraná, tudo de carro, por questão de custos.
Não existe um centavo de dinheiro público na minha campanha. Não houve na campanha municipal e consegui quase 400 mil votos em Curitiba, tornando-me a primeira mulher a disputar o segundo turno na capital.
Por que eu deveria jogar tudo isso fora porque alguém do PL ou do Novo quer ser candidato e não aceita disputar comigo?
O eleitor tem discernimento para analisar pessoas, propostas, coerência e trajetória. Minha história está aberta. Fui jornalista de televisão desde 1990, migrei para o digital em 2016 e há dez anos emito opiniões públicas. Basta pesquisar para saber o que penso.
No Paraná serão eleitos dois senadores. Os dois melhores terão as maiores votações. Não tenho medo do eleitor conservador paranaense. Quem está comigo vai comparar candidaturas e escolher quem considera mais coerente.
Quando disputei a Prefeitura de Curitiba em 2024, o PL e o Novo não me deram legenda. Eles apoiaram outro grupo político. Hoje faço parte do grupo do governador Ratinho Junior, que me convidou para filiar-me ao PSD e disputar o Senado ou ser vice-governadora.
Portal Guarda Volume:
Você pode explicar ao cidadão a diferença entre o papel do senador e do deputado federal? Muitos confundem essas funções.
Cristina Graeml:
O Brasil terá uma oportunidade única em 2026 e isso precisa ficar muito claro.
O eleitor muitas vezes confunde deputados federais e senadores. Ambos votam leis, mas o senador pode barrar muitas decisões do presidente da República, caso essa seja a vontade da população.
É o Senado que aprova os ministros do STF. O presidente indica, mas eles só assumem se forem aprovados pelos senadores.
Outra diferença importante é que o deputado federal representa a população proporcionalmente. O Paraná possui 31 deputados federais; São Paulo tem mais de 70.
Já no Senado todos os estados possuem exatamente três representantes, independentemente do tamanho da população. O senador representa o Estado, não apenas seus habitantes.
Todos os estados elegerão dois senadores em 2026. Se forem escolhidos bons senadores, acredito que o Brasil poderá fortalecer o Estado de Direito e equilibrar novamente os Poderes.
Portal Guarda Volume:
Daqui a oito anos, com você eleita senadora, como imagina o futuro do Paraná?
Cristina Graeml:
Também precisamos falar do Governo do Estado, porque vamos eleger um novo governador.
Estou no grupo do governador Ratinho Junior e trabalhando pela pré-candidatura do deputado federal Sandro Alex ao Governo do Paraná pelo PSD.
O nome para vice ainda será definido. Inclusive o meu está entre as possibilidades, mas o governador orientou que eu siga como pré-candidata ao Senado até a convenção marcada para 25 de julho.
O Paraná está bem. Não digo isso como discurso político, mas porque percorri 118 cidades e conversei com aproximadamente 100 prefeitos eleitos em 2024.
São eles que garantem vaga em creche, asfalto, atendimento médico e qualidade de vida para a população. A maioria demonstra satisfação com os rumos do Estado.
O Paraná deixou de ser a quinta economia do país e passou a ocupar a quarta posição. Estamos próximos de Minas Gerais, mesmo tendo muito menos municípios e população.
O governador priorizou investimentos nos municípios. Há centenas de estradas rurais sendo asfaltadas, beneficiando não apenas produtores, mas toda a população que depende dessa produção.
Pensando em oito anos de mandato no Senado, quero representar o Paraná em Brasília e fazer com que o Estado tenha ainda mais protagonismo nacional.
Se já somos a quarta economia do Brasil, por que não recebemos mais incentivos federais? Por que demorou tanto para sair a segunda ponte ligando Foz do Iguaçu ao Paraguai?
Essas são questões que dependem da atuação federal.
Também quero ser uma senadora municipalista, mantendo as portas do gabinete abertas para prefeitos e vereadores de todo o Paraná.
Quando precisarem buscar recursos, aprovar projetos, construir hospitais ou resolver demandas em Brasília, quero ser essa ponte entre os municípios e o Governo Federal.
O Paraná atravessou governos federais completamente diferentes e continuou crescendo. Quero contribuir para que continue tendo voz e espaço em Brasília, independentemente de quem esteja na Presidência da República.
Portal Guarda Volume:
Cristina, em nome do Portal Guarda Volume e do Podcast Guarda Volume, do apresentador Magnun Pina, muito obrigado.
Cristina Graeml:
O prazer foi todo meu.
Como jornalista, fico muito feliz em ver colegas discutindo o Paraná de maneira séria e aprofundada. É esse tipo de espaço que faz diferença para que o eleitor possa formar sua opinião ouvindo diretamente os candidatos, e não apenas o que dizem sobre eles.
O Portal Guarda Volume agradece a Cristina Graeml e à sua assessoria pela disponibilidade e abertura durante toda a entrevista, realizada em 27 de junho de 2026, nas dependências do Hotel Recanto, em Foz do Iguaçu (PR).