Portal Guarda Volume faz entrevista exclusiva com a pré-candidata ao Senado do Paraná, Cristina Graeml
Em entrevista exclusiva ao Portal Guarda Volume, Cristina Graeml comenta segurança pública, fronteira, maioridade penal, participação feminina na política e cenário eleitoral de 2026.

Nas dependências do Hotel Recanto, em Foz do Iguaçu, o Portal Guarda Volume recebeu neste sábado, 27 de junho, a jornalista e pré-candidata ao Senado Federal pelo Paraná, Cristina Graeml (PSD), em uma entrevista exclusiva que promete movimentar o debate político regional.
Com 35 anos de carreira no jornalismo, prêmios como o Esso e o Tim Lopes de Jornalismo Investigativo no currículo, e quase 400 mil votos conquistados na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024 — tornando-se a primeira mulher a chegar ao segundo turno em uma eleição municipal na capital paranaense —, Cristina chega a Foz como parte de uma ampla jornada pelo interior do Paraná.
Até o momento, já visitou 118 municípios do estado dentro de sua pré-campanha ao Senado, cargo para o qual foi o primeiro nome lançado no Paraná, ainda em fevereiro de 2025.
Durante mais de uma hora de conversa franca e sem cortes — a pedido da própria entrevistada, que sinalizou abertura total ao jornalismo —, Cristina abordou temas como o papel da mulher na política e no mercado de trabalho, a redução da maioridade penal, a segurança pública na tríplice fronteira, a dinâmica da direita paranaense e sua posição dentro do xadrez político do PSD e do governador Ratinho Junior.
Mulher, segurança pública e os desafios da fronteira
Portal Guarda Volume: Cristina, você tem muitos obstáculos por ser mulher. A gente vê o fortalecimento da mulher na política e na vida profissional, mas também casos gravíssimos de feminicídio aqui em Foz, em Curitiba, no Paraná inteiro. Como você consegue lidar com isso sendo mulher e liderando um grupo grande de pessoas?
Cristina Graeml: Primeiro, muito obrigada pelo espaço e por me permitir chegar ao teu público, que eu sei que é bastante abrangente aqui na região de Foz — um público bastante consciente e bastante variado. A gente precisa falar para todo mundo quando pretende representar o Estado do Paraná, que é o meu caso agora.
Estou me propondo a ser a representante do Paraná no Senado. Fui o primeiro nome do Paraná pré-lançado para candidata ao Senado, em fevereiro de 2025. Já faz um ano e quatro meses que estou nessa jornada. Já estive em Foz do Iguaçu algumas vezes nesse período e estou com 118 cidades visitadas.
Essa é uma questão muito premente ainda, infelizmente. Participei de dois encontros ontem, um em Cascavel — uma caravana que a Secretaria Estadual da Mulher vem realizando. O governador Ratinho Junior foi o primeiro governador do Paraná a criar essa secretaria, entendendo essa necessidade.
A mulher, por sua natureza, é mais frágil fisicamente — estou falando de força física, porque nós somos muito fortes em determinação e propósito. A mulher é muito aguerrida. Mas, em algumas relações doentias, o homem acaba se valendo dessa diferença física para tentar se impor sobre a mulher.
Existe também um lastro cultural. Não muito distante na nossa história, o homem era o único provedor da casa e dependia da força física para garantir a subsistência da família. Isso acabou sendo transmitido entre gerações.
Hoje a realidade mudou. A mulher entrou com força no mercado de trabalho e passou, muitas vezes, a ser vista como competidora. Para alguns homens, ela deixa de ser parceira e passa a ser encarada como adversária.
Falo também pela minha experiência no jornalismo. São 35 anos de profissão, com passagem por mais de nove emissoras de televisão. O jornalismo é uma profissão predominantemente feminina, mas percebo que, em determinadas situações, existe um componente de disputa quando uma mulher ocupa posições de liderança.
A mulher parece estar sempre precisando provar que é capaz. Trabalha mais horas, se dedica mais e busca fazer melhor para ser reconhecida. Isso precisa ser trabalhado desde cedo, nas escolas, dentro das famílias e também na literatura infantil. Não somos competidores. Homem e mulher se complementam. Na política, a presença feminina ainda é pequena, mas felizmente vem crescendo.
Redução da maioridade penal
Portal Guarda Volume: Dentro do Senado, você vai discutir temas como a redução da maioridade penal. As pessoas estão preparadas para ouvir uma discussão mais independente de lados sobre esse tema?
Cristina Graeml: Essa questão é muito mais discutida pela direita do que pela esquerda, pela forma como cada grupo enxerga a criminalidade. Mas todos os brasileiros querem reduzir os índices de violência.
A eleição de 2026 tem pautado praticamente todas as discussões políticas. Vamos eleger deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente da República. Todos falam em combater a criminalidade.
Tenho rodado o Paraná e visitado cidades pequenas que também enfrentam problemas graves. O tráfico de drogas, armas, órgãos, mulheres e crianças acontece em todo o país.
As organizações criminosas utilizam adolescentes justamente porque sabem que eles recebem punições menores. Muitas vezes passam poucos meses em unidades socioeducativas e voltam às ruas, fortalecendo essas organizações.
Por que discutir os 16 anos? Porque no Brasil, aos 16 anos, o cidadão já pode votar. Se ele possui discernimento para escolher seus representantes, também deve existir uma discussão sobre sua responsabilização pelos próprios atos.
Sou favorável ao debate e também à redução da maioridade penal. Mas sempre ressalto que a prioridade número um precisa ser a educação, especialmente na primeira infância, aliada ao fortalecimento da assistência social e da estrutura familiar. Sem isso, continuaremos apenas combatendo os efeitos da criminalidade.
Segurança pública e a realidade da tríplice fronteira
Portal Guarda Volume: Como você, como pré-candidata ao Senado, vê Foz do Iguaçu dentro de uma discussão nacional e internacional? A cidade possui características muito específicas, como fronteira, Itaipu, diplomacia, saúde pública e segurança.
Cristina Graeml: Existe uma questão federal muito importante envolvendo Foz do Iguaçu.
O PSD ainda definirá, durante a convenção marcada para 25 de julho, se disputarei o Senado ou se integrarei a chapa como candidata a vice-governadora, a convite do governador Ratinho Junior. Independentemente da decisão, preciso conhecer o Paraná inteiro, e é exatamente isso que estou fazendo.
Foz possui fronteira com Paraguai e Argentina, o que amplia significativamente os desafios da segurança pública.
A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as Forças Armadas exercem papel fundamental na proteção das fronteiras, mas precisam atuar em conjunto com as polícias Civil e Militar.
Sempre existe espaço para melhorar, especialmente na área de inteligência policial. Inteligência significa investigar antes que o crime aconteça.
Ao longo dos meus 26 anos como repórter de televisão, acompanhei inúmeras operações que desmontaram rotas de tráfico, contrabando de cigarros, eletrônicos e outras atividades criminosas vindas do Paraguai, muitas delas utilizando o Rio Paraná.
Esses resultados foram alcançados graças ao trabalho de inteligência, denúncias da população e investigação permanente. É um trabalho que precisa ser continuamente fortalecido.
Os governos precisam atuar de forma integrada. Embora o Senado não execute diretamente essas ações, cabe aos senadores aprovar orçamento e projetos que garantam estrutura, contratação de policiais e investimentos em inteligência. Pretendo atuar como parceira da população paranaense nessa área.
Segunda parte será publicada neste domingo
A segunda parte da entrevista, abordando o panorama político do Paraná, a divisão da direita, os partidos e a posição de Cristina Graeml no cenário eleitoral de 2026, será publicada neste domingo, 28 de junho, pelo Portal Guarda Volume.
Entrevista realizada em 27 de junho de 2026, nas dependências do Hotel Recanto, em Foz do Iguaçu (PR).
Portal Guarda Volume — Informação com responsabilidade.
MARCIO QUEIROZ VÍTOR
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.