Por terra, ar ou fronteira: as várias portas de entrada do Parque Nacional do Iguaçu
Foz do Iguaçu registra alta de 84% nas buscas por passagens de ônibus e reforça acesso ao Parque Nacional do Iguaçu por terra, ar e fronteira.

Foz do Iguaçu registra crescimento de 84% nas buscas por passagens rodoviárias e reforça posição como destino turístico conectado por diferentes modais
Foz do Iguaçu volta a puxar a fila entre os destinos brasileiros mais procurados por quem viaja de ônibus. O salto de 84% nas buscas por passagens rodoviárias, registrado pela ClickBus no primeiro semestre de 2026, diz menos apenas sobre estradas e mais sobre um fenômeno que a cidade conhece bem: a disputa por espaço no imaginário turístico nacional, agora ampliada por múltiplas portas de entrada, que vão do asfalto da BR-277 aos corredores aéreos que ligam o município a sete capitais brasileiras.
A relação entre Foz do Iguaçu e os fluxos de visitantes nunca foi linear. Erguida às margens de um dos maiores sistemas de quedas d'água do planeta e ladeada por dois países, a cidade construiu sua vocação turística sobre uma geografia que é, ao mesmo tempo, vantagem e desafio logístico.
O Parque Nacional do Iguaçu, tombado pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural, historicamente absorve picos e vales de visitação atrelados a fatores que extrapolam a vontade do viajante: câmbio, infraestrutura viária, disponibilidade de voos e, mais recentemente, a concorrência de outros destinos de natureza que também disputam o turista pós-pandemia.
O crescimento na procura por ônibus, portanto, precisa ser lido dentro desse cenário mais amplo, e não como um dado isolado de sucesso.
BR-277 é principal corredor terrestre
Os números apresentados situam a BR-277 como espinha dorsal do acesso terrestre, conectando o Paraná a Foz do Iguaçu. Já a BR-469 faz a ligação final até a unidade de conservação.
Do lado argentino, a travessia pela Ponte Internacional Tancredo Neves, a partir de Puerto Iguazú, mantém os visitantes daquele país entre os principais públicos internacionais do parque, historicamente na segunda posição entre as nacionalidades estrangeiras.
Já a malha aérea garante ligação direta com Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Recife, com tempos de voo que variam de pouco mais de uma hora, nos trechos paulista e curitibano, a cerca de quatro horas partindo do Nordeste.
Parque amplia experiências para os visitantes
Quanto à experiência dentro do parque, a gestão da concessionária Urbia+Cataratas amplia o roteiro tradicional da Trilha das Cataratas, de aproximadamente 1,5 quilômetro até os mirantes da Garganta do Diabo.
Entre as opções estão o Caminho do Poço Preto, pela Mata Atlântica, passeios de bicicleta e atrações vinculadas a horários específicos, como Amanhecer, Pôr do Sol e Céu das Cataratas, além de dois restaurantes e da feira de artesanato realizada aos sábados.
O funcionamento ocorre todos os dias do ano, com horários que variam entre dias de semana e fins de semana. A recomendação institucional é para a compra antecipada dos ingressos pelo site oficial, especialmente para passeios noturnos e experiências em horários especiais, que possuem vagas restritas.
Números exigem cautela na análise
Nem tudo, contudo, deve ser tomado sem ressalvas. O levantamento da ClickBus mede intenção de busca por passagens, não confirma embarques efetivos nem receita gerada. A metodologia completa da pesquisa também não foi detalhada na divulgação que embasa esta reportagem.
Tampouco há, no material disponibilizado, comparação com outros destinos concorrentes do país que permita contextualizar se o crescimento de 84% representa avanço real na participação de mercado ou se também reflete uma base de comparação mais baixa no primeiro semestre de 2025.
Outro ponto que caberia investigação à parte é o impacto desse aumento de fluxo sobre a infraestrutura da BR-469 e sobre a capacidade de atendimento do parque, especialmente em datas de pico — tema que a divulgação da concessionária naturalmente não aborda.
Foz consolida diferentes portas de entrada
Ainda assim, o conjunto de dados aponta para uma tendência consistente: Foz do Iguaçu deixou de depender de um único corredor de acesso e passou a se posicionar como destino multimodal, absorvendo tanto o turista que chega de ônibus quanto aquele que desembarca de avião ou atravessa a fronteira.
Para a economia local, isso significa menor dependência de fatores isolados, como preço do combustível ou oferta de voos, e maior resiliência diante das oscilações sazonais.
A ampliação da estada média, sugerida pela diversidade de atrações e horários oferecidos pelo parque, também aponta para um modelo de turismo que busca reter o visitante por mais dias, com reflexos diretos na rede hoteleira, gastronômica e em outros segmentos ligados à atividade turística de Foz do Iguaçu.
Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.