Por que tantos brasileiros da fronteira torcem pelo Paraguai na Copa do Mundo? Entenda a relação única entre os países
Em cidades como Foz do Iguaçu, a rivalidade dá lugar à amizade, aos laços familiares e ao orgulho de ver a Tríplice Fronteira representada no maior torneio do futebol mundial.

Enquanto em boa parte do Brasil a eliminação de um rival sul-americano costuma ser motivo de comemoração, na região da Tríplice Fronteira a história é bem diferente. Em cidades como Foz do Iguaçu, é comum encontrar brasileiros vibrando com as vitórias da seleção paraguaia na Copa do Mundo, especialmente quando o Brasil também segue vivo na competição.
A cena pode parecer curiosa para quem vive distante da fronteira, mas faz parte da realidade de milhares de moradores que convivem diariamente com paraguaios e argentinos. Mais do que países vizinhos, as fronteiras praticamente desaparecem na rotina de quem vive na região.
Em Foz do Iguaçu, muitos brasileiros trabalham no Paraguai, fazem compras em Ciudad del Este, possuem familiares do outro lado da fronteira ou construíram amizades ao longo da vida. Da mesma forma, milhares de paraguaios vivem, estudam e trabalham no Brasil.
Essa convivência cria uma identidade própria. Em vez de enxergar o Paraguai apenas como um adversário esportivo, muitos moradores da fronteira o veem como parte da sua história.
A Copa fortalece esse sentimento
A histórica campanha da seleção paraguaia na Copa do Mundo de 2026 despertou uma verdadeira onda de entusiasmo na região. Após eliminar a Alemanha nos pênaltis e garantir vaga nas oitavas de final, a festa tomou conta não apenas das ruas paraguaias, mas também de diversos bairros de Foz do Iguaçu.
Bandeiras do Paraguai passaram a dividir espaço com as bandeiras brasileiras, e não é difícil encontrar famílias comemorando as duas seleções ao mesmo tempo.
Para muitos moradores, o cenário ideal seria uma final entre Brasil e Paraguai, permitindo que ambos chegassem o mais longe possível na competição.
Mais do que futebol
O apoio ao Paraguai também representa respeito à história e à superação de um país que, mesmo com uma população muito menor que a brasileira, frequentemente revela jogadores competitivos e seleções aguerridas.
Na fronteira, torcer pelo Paraguai não significa deixar de ser brasileiro. Pelo contrário: a maioria dos torcedores continua colocando a seleção brasileira em primeiro lugar, mas adota o Paraguai como uma "segunda seleção", fruto da convivência diária e dos laços culturais construídos ao longo de décadas.
É uma realidade difícil de explicar para quem nunca viveu na região, mas perfeitamente natural para quem atravessa uma ponte internacional quase todos os dias.
A força da Tríplice Fronteira
A relação entre Brasil, Paraguai e Argentina faz da Tríplice Fronteira um dos lugares mais multiculturais da América do Sul. Idiomas se misturam, famílias possuem diferentes nacionalidades e tradições são compartilhadas naturalmente.
Por isso, quando o Paraguai entra em campo em uma Copa do Mundo, muitos brasileiros da fronteira também vestem vermelho e branco, celebrando não apenas uma seleção, mas uma parte importante da identidade regional.
No fim das contas, o sentimento pode ser resumido em uma frase bastante comum entre os moradores da fronteira:
"Se não for o Brasil, que seja o Paraguai."