Ponte da Integração: duas inaugurações, disputa política e a verdade que não cabe no palanque

Disputa política marca duas inaugurações da Ponte da Integração Brasil–Paraguai. Entenda quem realmente planejou, financiou e executou a obra e o papel da Perimetral Leste no impacto logístico da fronteira.

Ponte da Integração: duas inaugurações, disputa política e a verdade que não cabe no palanque

A semana foi marcada por uma cena no mínimo curiosa na Tríplice Fronteira: duas inaugurações da Ponte da Integração Brasil–Paraguai, a mesma obra, com discursos diferentes e protagonistas distintos. De um lado, o Governo do Paraná, liderado por Ratinho Junior. Do outro, o Governo Federal, sob comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado foi uma disputa simbólica que levantou uma pergunta inevitável: de quem, afinal, é o mérito pela obra?

Quando o assunto é obra pública, discurso não substitui cronologia. E a linha do tempo é clara.

A Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco, contou com investimento aproximado de R$ 323 milhões, viabilizados pela Itaipu Binacional. Foi durante a gestão do General Joaquim Silva e Luna como diretor-geral brasileiro da Itaipu que o projeto saiu do papel, superou entraves técnicos e administrativos e avançou de forma decisiva até se tornar realidade. Planejamento, liberação de recursos, governança e execução foram marcas daquele período.

Ou seja, a espinha dorsal da obra foi construída muito antes dos atuais palanques e discursos de inauguração.

Ao Governo do Paraná, é justo reconhecer a responsabilidade pela execução da Perimetral Leste, obra complementar indispensável para que a ponte cumpra sua função logística. Com investimento em torno de R$ 180 milhões, a Perimetral conecta a nova travessia à BR-277, retirando o tráfego pesado da área urbana de Foz do Iguaçu e garantindo fluidez ao escoamento da produção regional e nacional. Sem essa obra, a ponte seria apenas concreto sobre o rio, sem eficiência econômica real.

Já o Governo Federal, representado pelo presidente Lula, surge no momento final, colhendo os dividendos políticos de uma obra praticamente concluída. O discurso da integração regional e do fortalecimento do Mercosul é legítimo, mas não pode apagar quem assumiu riscos, tomou decisões impopulares e enfrentou resistências quando a obra ainda era um problema em aberto.

É nesse ponto que se impõe um princípio básico da boa política e da honestidade histórica: dar a César o que é de César.

A Ponte da Integração e a Perimetral Leste não são fruto de improviso nem de conveniência eleitoral. São resultado de gestão técnica, visão estratégica e coragem administrativa, especialmente no período em que a Itaipu Binacional esteve sob o comando do General Silva e Luna, hoje prefeito Silva e Luna, que conduziu decisões estruturantes longe dos holofotes e perto das necessidades reais da fronteira.

E aqui está o fato político que não pode ser ignorado: mesmo atravessando 2025 em meio a problemas graves, controversos e inaceitáveis, o prefeito Silva e Luna deixa como legado para a região aquilo que ela mais precisava há décadas — logística de alta qualidade, estruturante e definitiva.

No fim, governos passam, discursos mudam, mas pontes e perimetrais ficam. E a história costuma ser implacável com quem tenta reescrevê-la depois que o concreto já secou.

Marcio Queiroz Vítor Iguaçuense Jornalista há 20 anos Gestor de eventos e marketing há 25 anos MBA em Comunicação e Marketing PhD sobre Foz do Iguaçu Comercial Guarda Volume

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