Polícia cumpre busca e apreensão contra o Macuco Safari após suspeita de omissão de provas sobre morte de turista holandês
Polícia Civil cumpre busca e apreensão contra empresa responsável pelo Macuco Safari durante investigação da morte de turista holandês em Foz.

A Polícia Civil do Paraná intensificou, nesta segunda-feira (31), as investigações sobre o acidente que matou o turista holandês Mark Lensink, de 25 anos, na atração Macuco Safari, dentro do Parque Nacional do Iguaçu.
Por meio da 6ª Subdivisão Policial (6ª SDP) de Foz do Iguaçu, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na sede da Ilha do Sol Agência de Viagens Ltda., empresa responsável pela operação turística, sob a suspeita de que informações relevantes para o esclarecimento do caso teriam sido ocultadas das autoridades.
Acidente ocorreu em julho
O acidente ocorreu em 28 de julho, quando uma embarcação utilizada no passeio tombou nas corredeiras do rio Iguaçu, próximo à base das quedas d’água, arremessando os ocupantes na água.
Lensink, que viajava com a noiva e a família dela, não resistiu e morreu ainda no local, apesar das manobras de resgate mobilizadas pela concessionária e pelo Corpo de Bombeiros.
O episódio é apontado como o segundo acidente fatal em quatro décadas de operação do passeio. O caso mais grave anterior ocorreu em 1999, quando sete pessoas morreram em uma colisão entre botes.
Investigação busca imagens e lista de passageiros
O Macuco Safari é uma das atrações mais procuradas do Parque Nacional do Iguaçu, com média mensal de cerca de 30 mil visitantes e quase 370 mil passeios realizados somente em 2025, segundo dados do ICMBio.
É justamente esse volume de operação, associado à gravidade do desfecho, que torna a apuração das circunstâncias do acidente uma questão de interesse público direto, para além do caso individual da vítima.
Segundo nota divulgada pela Polícia Civil, a autoridade responsável pelo inquérito havia solicitado à empresa o fornecimento de imagens e documentos capazes de esclarecer o que aconteceu no momento do tombamento.
Parte do material, porém, teria sido entregue de forma incompleta, com cortes nas imagens. A lista integral de passageiros do passeio também não teria sido apresentada — documento considerado essencial para a localização de testemunhas do acidente.
Diante da situação, a autoridade policial representou à Justiça pela expedição de um mandado de busca e apreensão.
A ordem judicial foi cumprida por nove policiais civis, que apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos que podem conter imagens e dados de interesse para a investigação.
Empresa afirma colaborar com investigação
Em nota distribuída à imprensa, a Ilha do Sol Agência de Viagens, responsável pelo Macuco Safari, afirmou manter “compromisso irrestrito com a transparência” e disse que vem prestando colaboração integral às autoridades, atendendo tempestivamente às solicitações de documentos e informações no âmbito das apurações.
A empresa reafirmou também que permanece prestando assistência às vítimas e aos familiares e que acompanha ativamente as etapas da investigação.
O conteúdo da manifestação da empresa, no entanto, contrasta com o que a própria Polícia Civil descreve: a existência de imagens editadas e a ausência da lista de passageiros, elementos que, segundo a autoridade policial, motivaram a busca e apreensão.
Esse contraste entre o posicionamento institucional da empresa e os fatos narrados pela autoridade policial é o centro da investigação neste momento. Enquanto a Ilha do Sol afirma colaborar plenamente, o órgão investigador relata ter precisado recorrer ao Judiciário para obter provas que deveriam, em tese, já estar disponíveis.
O material apreendido segue agora para análise da Polícia Civil, que aguarda ainda o retorno de outros órgãos públicos oficiados. Novas etapas da apuração devem ser divulgadas conforme o avanço do inquérito.
Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.