PF mira esquema de tráfico internacional de mulheres para exploração sexual no Oeste do Paraná
Editoria: Polícia
PF deflagra Operação Puro Engano contra tráfico internacional de mulheres para exploração sexual no Oeste do Paraná.

Operação Puro Engano cumpriu cinco mandados em Missal, São Miguel do Iguaçu e Itaipulândia; investigação aponta que mulheres paraguaias e argentinas eram trazidas ao Brasil e submetidas a dívidas e multas
A Polícia Federal deflagrou a Operação Puro Engano para combater um suposto esquema de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual no Oeste do Paraná. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em municípios da região e resultou também na prisão de um homem por posse ilegal de arma de fogo.
Segundo a PF, dois mandados foram cumpridos em Missal, dois em São Miguel do Iguaçu e um em Itaipulândia. Todos foram cumpridos durante a operação.
A investigação teve início depois que autoridades argentinas comunicaram, por meio do Comando Tripartite, o desaparecimento de uma jovem estrangeira que se encontrava em situação de vulnerabilidade na região de fronteira.
A partir da cooperação internacional, policiais federais localizaram e resgataram a jovem, em novembro de 2025, no interior de uma casa noturna localizada na zona rural de Missal.
Mulheres chegavam ao Brasil já com dívidas, aponta investigação
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal identificou indícios de uma estrutura destinada a trazer mulheres do Paraguai e da Argentina para o território brasileiro com a finalidade de exploração sexual.
De acordo com a investigação, um agenciador seria responsável pelo transporte clandestino das mulheres através da fronteira, utilizando veículos com placas estrangeiras.
Cada deslocamento custava aproximadamente R$ 300. O valor, segundo a PF, inicialmente era pago pelos proprietários dos estabelecimentos, mas posteriormente era lançado como dívida das próprias mulheres.
Dessa forma, as vítimas começavam as atividades já endividadas e submetidas à cobrança dos valores. Os investigadores também identificaram a existência de multas que chegavam a R$ 1 mil caso as mulheres descumprissem regras estabelecidas pelos responsáveis pelos locais.
Três paraguaias foram encontradas durante a operação
Em um dos estabelecimentos comerciais alvo das buscas, os policiais encontraram três mulheres paraguaias em situação migratória irregular.
As três foram identificadas e ouvidas pelas equipes policiais. Segundo a PF, elas receberão orientação sobre os procedimentos necessários para a regularização migratória.
O Consulado do Paraguai e a assistência social municipal também foram acionados para prestar apoio e orientação às mulheres.
Crimes investigados
Entre os crimes apurados estão tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, rufianismo e favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável.
Durante o cumprimento dos mandados, um indivíduo também foi preso por posse ilegal de arma de fogo.
A Polícia Federal destacou ainda que promover a entrada ilegal de estrangeiro no Brasil ou sua saída do território nacional para ingresso irregular em outro país pode configurar o crime de promoção de migração ilegal, previsto no artigo 232-A do Código Penal, com pena de dois a cinco anos de reclusão, sem prejuízo de outras responsabilizações.
Por que “Puro Engano”?
O nome da operação faz referência, segundo a Polícia Federal, às falsas promessas de trabalho e remuneração que teriam sido utilizadas para atrair ao Brasil mulheres em situação de vulnerabilidade social.
A investigação segue em andamento para apurar a participação dos envolvidos e a extensão do suposto esquema.

