Paraguai avança enquanto o Brasil observa: decreto de Santiago Peña acende alerta na fronteira

decreto assinado pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, não é apenas mais uma medida econômica. É, na prática, um movimento estratégico que coloca o país vizinho alguns passos à frente na disputa por investimentos internacionais — e isso impacta diretamente regiões como Foz do Iguaçu e toda a tríplice fronteira.
Ao regulamentar e ampliar o regime de maquila, incluindo agora empresas de serviços com incentivos fiscais claros, o Paraguai envia um recado direto ao mercado global: abrir empresa no país é mais simples, mais barato e mais rápido.
Enquanto isso, o Brasil segue preso em um sistema tributário complexo, burocrático e, muitas vezes, hostil ao empreendedor.
Uma estratégia clara — e agressiva
O Paraguai não está improvisando. Está executando um plano.
Ao permitir que empresas de tecnologia, call centers, serviços administrativos e até operações digitais se beneficiem de impostos reduzidos, o país amplia seu leque de atração. Antes focado na indústria, agora entra com força no setor que mais cresce no mundo: serviços.
Com devolução de parte do IVA, simplificação de processos e incentivo à exportação, o custo de operação cai drasticamente. Para qualquer empresário, a decisão passa a ser cada vez mais racional e estratégica.
O risco real para o Brasil
Não se trata apenas de teoria econômica. Esse movimento já começou.
Empresas brasileiras, especialmente das regiões Sul e Centro-Oeste, passam a olhar com mais atenção para o Paraguai. E não apenas grandes indústrias — pequenas e médias empresas também entram nesse radar.
O risco é direto: fuga de investimentos, perda de empregos e enfraquecimento da economia local brasileira, principalmente nas cidades de fronteira.
Foz do Iguaçu tende a sentir esse impacto de forma imediata. De um lado, um país oferecendo vantagens competitivas objetivas. Do outro, um ambiente que ainda dificulta crescimento, inovação e expansão empresarial.
O Brasil precisa reagir — e rápido
O movimento do Paraguai escancara uma realidade incômoda: não basta ter mercado consumidor grande se o ambiente de negócios não acompanha.
Se o Brasil não avançar em reformas estruturais, simplificação tributária e redução de burocracia, continuará assistindo empresas cruzarem a fronteira em busca de sobrevivência e competitividade.
O decreto de Peña não é apenas uma política econômica. É um aviso.
E ignorar esse aviso pode custar caro.
MARCIO QUEIROZ VÍTOR
Jornalista há 21 anos
Gestor em Marketing e Eventos há 25 anos
MBA em Comunicação e Marketing
Coordenador comercial do Guarda Volume
PhD sobre Foz do Iguaçu