Os desafios do Espaço das Américas no novo complexo do Marco das Três Fronteiras
Editoria: Turismo
Novo complexo do Marco das Três Fronteiras terá Mirante da Paz, gastronomia e Espaço das Américas revitalizado. Entrega está prevista para dezembro.

Conhecer profundamente o território foi o ponto de partida dos profissionais responsáveis por criar um espaço turístico, cultural e gastronômico integrado
Arquitetos, urbanistas, paisagistas e engenheiros levaram dois anos para realizar os estudos e elaborar o projeto do novo complexo turístico do Marco das Três Fronteiras, com a revitalização do Espaço das Américas, em Foz do Iguaçu (PR).
Os profissionais são de uma empresa de origem local. A escolha levou em consideração a necessidade de compreender as particularidades geográficas e culturais do ponto em que Brasil, Paraguai e Argentina fazem fronteira.
Uma das premissas foi preservar um dos principais elementos da paisagem: o pôr do sol no horizonte paraguaio, contemplado por quem está no Brasil e na Argentina.
“Qualquer intervenção que propuséssemos tinha que preservar a visão que as pessoas têm dessa paisagem deslumbrante. Isso trouxe definições específicas para este projeto”, comenta o arquiteto e urbanista responsável pelo planejamento da revitalização, Alexandre Balthazar.
Outro desafio foi vencer o desnível de 22 metros em uma extensão de apenas 100 metros, característico da margem onde os rios Paraná e Iguaçu se encontram. Para fazer a descida, o visitante poderá escolher entre uma escada ou uma rampa de inclinação suave que levará ao novo mirante de observação da foz do Rio Iguaçu, ponto em que o rio das Cataratas deságua no Rio Paraná.
O Mirante da Paz é uma das novidades do complexo e, por elevador, dará acesso à Praça da Integração, outro atrativo no caminho até o Espaço das Américas revitalizado.
Espaço Gastronômico das Américas
Uma das perguntas que o urbanista Alexandre Balthazar mais tem respondido é: “Vão preservar o Espaço das Américas?”. O questionamento está relacionado à história do monumento, inaugurado em 1997, durante a gestão do ex-governador Jaime Lerner, na época dos Jogos Mundiais da Natureza.
A ideia original era que o local funcionasse como um fórum de debates, encontros e atividades relacionadas à integração latino-americana e ao Mercosul, além de receber eventos culturais.
A identidade da edificação será preservada, mas o espaço ganhará nova configuração e novos usos.
“O Espaço das Américas era, basicamente, um anfiteatro, tinha uso específico”, explica Balthazar.
“A mudança estrutural que teremos é para que a área se configure como uma grande praça, incluindo a representação de Brasil, Paraguai e Argentina, que é o maior valor da nossa região”, complementa.
As toras de eucalipto, elementos característicos da construção, não resistiram ao tempo. Como estavam enterradas no concreto, tiveram a conservação comprometida. Agora, foram substituídas e estão sendo instaladas em pares, com uma nova solução construtiva para aumentar a durabilidade.
Os visitantes também encontrarão manifestações e intervenções artísticas relacionadas à identidade da Tríplice Fronteira. No chão, uma representação do encontro dos rios irá compor um cenário com réplicas dos três obeliscos fronteiriços.
A experiência inclui ainda gastronomia e apresentações ligadas às tradições dos três países.
“O visitante poderá conhecer um pouco mais da cultura da Tríplice Fronteira por meio dos sabores e das experiências que estarão no espaço, com opções como parrilla, bife de chorizo e sopa paraguaia, além de apresentações como a dança das garrafas”, afirma Jurema Fernandes, diretora de Operações do Grupo Cataratas.
Um detalhe pouco conhecido fica sob a plataforma principal do Espaço das Américas: uma estrutura interna de três andares criada para dar sustentação e suportar a pressão das águas em caso de cheias.
No futuro, essa base estrutural, com colunas expostas e aberturas singulares, poderá receber um novo uso. “Quem sabe um Museu do Território?”, especula Alexandre Balthazar.
Mais de 120 profissionais trabalham atualmente na execução do projeto. A previsão de entrega é para dezembro deste ano.
Com a revitalização, o espaço reforça sua proposta de integração entre Brasil, Paraguai e Argentina por meio do turismo, da cultura e da gastronomia.
Texto: Izabelle Ferrari


