OPINIÃO | Trevo do Charrua: uma cidade não pode esperar eternamente por soluções
Após mais de sete anos fechado, o Trevo do Charrua volta ao centro do debate com projeto de reabertura. A obra pode representar um novo capítulo para a mobilidade urbana de Foz do Iguaçu.

Durante mais de sete anos, moradores de Foz do Iguaçu conviveram com uma realidade que parecia ter sido normalizada: o fechamento do Trevo do CTG Charrua. O que deveria ser uma medida temporária acabou se transformando em um dos maiores símbolos da falta de fluidez no trânsito da cidade.
Quem passa diariamente pela região sabe que o impacto vai muito além de alguns minutos perdidos no trajeto. O fechamento alterou rotas, aumentou distâncias, sobrecarregou vias alternativas e trouxe prejuízos para trabalhadores, comerciantes e moradores da região norte do município. O problema deixou de ser apenas uma questão viária para se tornar uma questão de qualidade de vida.
Agora, a Prefeitura de Foz do Iguaçu anuncia um novo momento. O projeto apresentado em audiência pública prevê a reabertura do acesso por meio de uma estrutura moderna, com foco em mais segurança e maior fluidez no trânsito. A proposta inclui a construção de um viaduto no local, eliminando conflitos entre os diferentes fluxos de veículos e criando uma solução definitiva para uma demanda histórica da população.
É importante reconhecer que o crescimento de Foz do Iguaçu exige intervenções compatíveis com a nova realidade urbana. A cidade expandiu, novos bairros se consolidaram e o fluxo de veículos aumentou significativamente. Manter um dos principais acessos da região fechado por tanto tempo significou impor à população um custo diário em tempo, combustível e desgaste emocional.
Naturalmente, toda grande obra gera debates. Questionamentos sobre investimentos, impactos durante a execução e prazos são legítimos e fazem parte do processo democrático. No entanto, é preciso compreender que a ausência de solução também tem um preço — e esse preço vem sendo pago pelos iguaçuenses há anos.
A reabertura do Trevo do Charrua representa mais do que uma obra de concreto e asfalto. Representa a recuperação da mobilidade de uma cidade que não pode ficar parada. Significa devolver aos cidadãos um direito básico: o de se deslocar com segurança e eficiência.
Foz do Iguaçu é um dos principais destinos turísticos do Brasil e uma referência logística na tríplice fronteira. Uma cidade com essa importância econômica precisa ter infraestrutura à altura de seus desafios. O Trevo do Charrua é uma dessas prioridades.
Se o projeto for executado conforme planejado, com responsabilidade técnica e respeito aos recursos públicos, a obra terá potencial para encerrar um capítulo de improvisos e inaugurar uma nova fase na mobilidade urbana do município.
Depois de mais de sete anos de espera, o que a população deseja não é apenas o início das obras. É a certeza de que, desta vez, a solução sairá do papel e chegará às ruas.
Márcio Queiroz Vítor é jornalista há 21 anos, gestor em Marketing e Eventos há 26 anos, possui MBA em Comunicação e Marketing, atua como coordenador comercial do Guarda Volume e é PhD sobre Foz do Iguaçu.