OPINIÃO | Foz do Iguaçu não é apenas as Cataratas
Artigo de opinião defende que eventos culturais, esportivos e turísticos são ferramentas de desenvolvimento econômico para Foz do Iguaçu.


Por Márcio Queiroz Vítor
Em uma cidade turística como Foz do Iguaçu, discutir investimentos públicos em eventos exige responsabilidade, equilíbrio e visão estratégica. É legítimo que a população cobre melhorias na saúde, infraestrutura, segurança e atendimento nos bairros. Essas áreas são essenciais e devem ser prioridades permanentes de qualquer gestão pública.
Mas também é preciso compreender que cultura, esporte, turismo e entretenimento não são despesas supérfluas. São ferramentas de desenvolvimento econômico e social.
Existe um erro recorrente quando parte da sociedade tenta colocar eventos e serviços públicos como adversários. A realidade econômica mostra o contrário. Em cidades turísticas, os eventos funcionam como motores da economia. Eles movimentam hotéis, restaurantes, bares, motoristas de aplicativo, agências, ambulantes, trabalhadores temporários, comércio e toda a cadeia produtiva ligada ao turismo.
Foz do Iguaçu não vive apenas das Cataratas. A cidade depende diretamente da capacidade de atrair pessoas, gerar fluxo turístico e manter um calendário ativo de eventos culturais, esportivos e corporativos durante o ano inteiro. Sem isso, há redução no movimento econômico, queda na ocupação hoteleira e perda de competitividade para outros destinos nacionais e internacionais.
Por isso, o investimento público em eventos, inclusive privados, faz parte de uma política pública moderna de desenvolvimento. No Brasil e no mundo, governos apoiam festivais, corridas, feiras, congressos e atrações culturais porque entendem que o retorno econômico pode superar o valor investido.
O recurso aplicado não desaparece. Ele circula na economia local, gera arrecadação, fortalece empregos e projeta a cidade. Apoiar eventos privados não significa beneficiar apenas empresários. Quando a prefeitura investe em um grande evento, ela também incentiva uma cadeia inteira de serviços e trabalhadores que dependem da movimentação gerada por essas atividades.
O turismo moderno funciona por meio dessa parceria entre poder público e iniciativa privada. Muitos eventos possuem custos elevados de estrutura, segurança, divulgação e logística. O apoio institucional permite ampliar o alcance popular, fortalecer o calendário turístico e posicionar Foz do Iguaçu como um destino competitivo.
A crítica sobre transparência e critérios técnicos é válida e necessária. O dinheiro público precisa ter prestação de contas, retorno mensurável e benefícios claros para a população. O debate sobre prioridades é saudável dentro da democracia.
No entanto, transformar investimentos em cultura, esporte e turismo em “gasto desnecessário” é ignorar como funciona a economia de uma cidade que depende diretamente do turismo.
Foz do Iguaçu precisa investir no básico, sim. Mas também precisa investir em sua imagem, em sua economia criativa, em sua capacidade de atrair visitantes e gerar oportunidades.
Uma cidade forte não abandona cultura e eventos. Ela entende que desenvolvimento econômico também passa pela valorização do turismo, do entretenimento e da movimentação econômica que eles proporcionam.
Defender eventos não é ser contra saúde ou infraestrutura. É defender empregos, renda, turismo, arrecadação e o fortalecimento econômico de Foz do Iguaçu.