O fim de uma era? Lula chega ao domingo atrás nas pesquisas e arrisca a última batalha

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Política

Lula chega ao segundo turno de 2026 atrás de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Marcio Queiroz Vitor analisa o cenário e o futuro político do PT.

Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com pesquisas indicando empate técn

Foto: divulgação

Por Marcio Queiroz Vitor

As últimas pesquisas antes do segundo turno mostram uma disputa indefinida, mas com um sinal que preocupa o Palácio do Planalto. A Quaest e o Datafolha, divulgados neste sábado (24), apontam empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nos dois levantamentos, Flávio tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%, diferença dentro da margem de erro. Pela primeira vez em sua trajetória como presidente, Lula vai às urnas em situação numericamente desfavorável na reta final.

O cenário é muito diferente do que se via no início do ano. Em janeiro, a Genial/Quaest mostrava Lula vencendo todos os adversários testados em simulações de segundo turno, com sete pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

A virada apareceu nas urnas. Segundo o TSE, no primeiro turno Lula recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16% dos válidos, contra 56.104.268 votos (47,03%) do senador.

A comparação com o próprio passado pesa: em 2022, Lula havia recebido 57.259.504 votos no primeiro turno, cerca de 3,4 milhões a mais. O petista foi eleito em 2002, 2006 e 2022 e tem no currículo o título de presidente mais votado da história, com mais de 60 milhões de votos no segundo turno de 2022. Agora, aos 80 anos, tenta um quarto mandato inédito.

Pesquisas apontam disputa apertada

Os demais institutos repetem o retrato. A AtlasIntel/Bloomberg registra Flávio com 49,9% e Lula com 48,4% dos votos totais, empate técnico pela margem de erro de um ponto.

Nos votos válidos, a vantagem do senador recuou de 51,1% para 50,8%, e Lula subiu de 48,9% para 49,2%.

O Instituto Veritá aponta a maior distância, com 51,56% a 48,44% para Flávio, diferença que cresceu em relação à rodada de sexta-feira. A CNT/MDA mostra 50,7% a 49,3%, também favorável ao senador.

A Quaest ouviu 3.702 pessoas nos dias 23 e 24 de outubro, com margem de erro de dois pontos.

Do lado petista, a rejeição está estável. Segundo a Quaest, a rejeição de Lula ficou em 47%, enquanto a de Flávio caiu de 52% para 49%. Esse dado ajuda a explicar a dificuldade do presidente em atrair novos eleitores.

Eleição permanece indefinida

Há, no entanto, elementos que impedem dar a eleição como decidida. No Nordeste, Lula tem 67% dos votos válidos, contra 33% de Flávio.

Entre os eleitores com baixa ou média propensão a votar, grupo que reúne quem faltou no primeiro turno e quem vota longe de casa e que representa 24% do eleitorado, Lula lidera por 52% a 48%. Se esse eleitor comparecer, o resultado pode mudar.

Também pesa a memória recente: na véspera do primeiro turno, a Quaest mostrava Lula à frente por 46% a 45% dos válidos, e a urna registrou o contrário.

As pesquisas erraram uma vez neste ciclo e podem errar de novo, para qualquer lado.

Para os apoiadores de Flávio, os números mostram um desgaste do governo, e não um acidente de campanha. Para o campo petista, a disputa segue aberta e depende da mobilização.

O futuro de Lula e do PT

A posição do Guarda Volume é clara: o resultado de domingo é imprevisível, e nenhuma pesquisa substitui o voto. Mas a eleição já deixou uma lição que vale para qualquer desfecho.

Desde 1989, o PT só chegou ao poder com Lula ou com uma candidata escolhida por ele, e não formou outra liderança capaz de herdar esse capital político.

Se perder, Lula verá sua era encerrada pelas urnas, sem sucessor preparado. Se vencer, adia uma pergunta que voltará em 2030.

Aqui no Paraná, onde o Sul se inclinou para Flávio no primeiro turno, o eleitor de Foz do Iguaçu tem neste domingo um papel decisivo numa eleição que pode ser definida voto a voto.

Votar é a única resposta que importa.


Sobre o autor

Assuntos desta matéria

Mais notícias