Moro rejeita o centrão e mira vitória no primeiro turno com aliança enxuta
Sergio Moro rejeita alianças com o centrão, destaca coligação com PL, Novo e Podemos e mira vitória no primeiro turno no Paraná.
A dez dias da eleição, Sergio Moro (PL) fala como quem já enxerga a linha de chegada. Em entrevista ao Guarda Volume nesta quinta-feira, 24 de setembro, o candidato ao Governo do Paraná descreveu uma campanha em confiança crescente e afirmou que as pesquisas divulgadas hoje confirmam o momento favorável. Para ele, a vitória já no primeiro turno, em 4 de outubro, deixou de ser hipótese distante e passou a ser uma possibilidade concreta.
Moro também fez questão de marcar posição sobre a forma como montou sua candidatura: disse que não se vendeu ao centrão e que disputa o governo com apenas três partidos, PL, Novo e Podemos.
O otimismo tem história. Senador pelo Paraná desde 2023, Moro chegou ao PL em 2026 para disputar o Palácio Iguaçu, depois de passar pelo Podemos e pelo União Brasil. A mudança teve peso estratégico: ele estava sem espaço na Federação União Progressista, que ameaçava bloquear suas pretensões ao governo, e migrou ao PL a convite de Flávio Bolsonaro.
Na convenção de 1º de agosto, em Curitiba, o partido oficializou sua candidatura, com Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Fiep, como vice, e lançou Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. Ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, Moro construiu no estado um capital eleitoral sólido: em 2022, venceu a disputa ao Senado com 33,5% dos votos válidos.
Aliança enxuta
A aliança enxuta é apresentada pelo candidato como prova de coerência. Enquanto o principal adversário governista, Sandro Alex (PSD), reúne o grupo de Ratinho Júnior e tem o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) como vice, Moro aposta numa composição concentrada na direita, com Novo e Podemos.
O Podemos chegou em julho, pelas mãos do deputado federal Felipe Francischini, que passou a ajudar na articulação com prefeitos, vereadores e lideranças regionais. A mensagem que Moro quer transmitir ao eleitor é clara: chegar à liderança sem distribuir espaço a partidos de conveniência.
Pesquisas
Os números desta quinta-feira reforçam a leitura da campanha. A Neokemp divulgou levantamento em que Moro alcança 48,7% no cenário estimulado, muito à frente de Requião Filho, com 25,9%, e de Sandro Alex, com 20,8%, que disputam entre si o segundo lugar dentro da margem de erro. A pesquisa ouviu 1.008 pessoas em 22 e 23 de setembro. É um patamar que coloca o candidato do PL no limiar da vitória antecipada.
A Quaest, também divulgada hoje, confirma a liderança isolada: Moro tem 36%, com vantagem de 16 pontos sobre os dois adversários, empatados numericamente com 20%, e venceria ambos em eventual segundo turno.
Ao longo de todo o ano, Moro esteve sempre em primeiro lugar e, em geral, com o dobro do segundo colocado. Em levantamentos de institutos como Veritá e AtlasIntel, chegou a aparecer perto ou acima dos 50% dos votos válidos, patamar que, se repetido na urna, encerra a disputa no primeiro turno.
Outro dado joga a favor do candidato. Requião Filho, seu adversário mais frequente no segundo lugar, tem a maior rejeição da disputa na Neokemp, com 47,5%.
Ainda assim, há leituras menos favoráveis. Na média das pesquisas, Moro fica abaixo dos 50% dos votos válidos, e a Real Time Big Data chegou a registrar empate técnico com Sandro Alex em um cenário de segundo turno.
Sobre a aliança, a mesma escolha que Moro exibe como virtude é lida por críticos como limitação: na época da convenção, a imprensa já apontava dificuldades da candidatura para ampliar alianças, e a filiação ao PL provocou atrito com prefeitos do partido, com relato de que 48 dos 53 chefes de executivo filiados à sigla no Paraná indicavam intenção de deixá-la. As campanhas adversárias não foram ouvidas sobre as declarações.
Reta final
O Paraná chega à reta final com um favorito claro, e ele sabe disso. A confiança demonstrada por Moro ao Guarda Volume está ancorada em meses de liderança ininterrupta, em uma pesquisa divulgada hoje que o coloca a poucos pontos de liquidar a eleição e em uma coligação curta que ele transformou em bandeira.
Se a estratégia de crescer sem o centrão se confirmar nas urnas em 4 de outubro, será um recado forte para a política paranaense. Para Foz do Iguaçu e o Oeste, a expectativa é que o provável próximo governador traduza esse favoritismo em compromissos firmes com a fronteira, a segurança e o turismo.
A palavra final segue com o eleitor, mas o vento, neste momento, sopra a favor de Moro.
Autor: Márcio Queiroz Vítor – Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.