Moro busca no Tesouro Nacional o nome para cuidar do cofre do Paraná, com aval de Guedes e do entorno de Flávio Bolsonaro

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Economia

Sergio Moro anuncia Pricilla Santana para a Fazenda do Paraná. Economista foi indicada por Paulo Guedes e Dani Marques e tem experiência no Tesouro Nacional.

Pricilla Santana Fazenda do Paraná

Foto: Divulgação

Governador eleito anuncia Pricilla Maria Santana para a Secretaria da Fazenda; economista tem experiência no Tesouro Nacional e na gestão das contas públicas do Rio Grande do Sul.

O primeiro nome do secretariado de Sergio Moro não é paranaense, não vem do PL e já ajudou a negociar a dívida de estados com a União. O governador eleito anunciou nesta terça-feira (20) a economista Pricilla Maria Santana como futura secretária de Estado da Fazenda do Paraná. Ela é a primeira integrante confirmada da equipe que assume o Palácio Iguaçu em janeiro de 2027 e também a primeira mulher anunciada para o futuro governo.

O anúncio chega pouco mais de duas semanas após a eleição. Moro foi eleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com pouco mais de 50% dos votos válidos, o que tornou matematicamente impossível um segundo turno. Na véspera, as pesquisas o mostravam na liderança, mas abaixo do percentual necessário para liquidar a disputa.

A vitória interrompeu a continuidade do grupo político do governador Ratinho Junior, e a transição ainda está em fase de organização. Moro e Ratinho se reuniram pela primeira vez após a eleição no último dia 15, no Palácio Iguaçu, e o atual governador ofereceu um espaço no Bigorrilho, em Curitiba, como base da equipe de transição.

A Fazenda é a pasta que define o ritmo de qualquer governo, inclusive o volume de repasses e convênios que chegam a municípios como Foz do Iguaçu.

Experiência no Tesouro Nacional e no Rio Grande do Sul

Pricilla vem de uma trajetória técnica e de carreira. Ela foi a primeira mulher a comandar a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul. Antes, desde 2015, atuava como subsecretária de Relações Financeiras Intergovernamentais da Secretaria do Tesouro Nacional, e foi gerente-geral da ANTT entre 2005 e 2009.

É especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal desde 1998. Foi empossada no RS por Eduardo Leite em janeiro de 2023.

Já na primeira reunião do secretariado gaúcho, alertou os colegas sobre as restrições do Regime de Recuperação Fiscal e sobre o acordo que retomava o pagamento da dívida do estado com a União.

Ou seja, chega ao Paraná com experiência dos dois lados do balcão: no Tesouro, que cobra os estados, e num estado endividado que negocia com o Tesouro.

Indicação de Paulo Guedes e Dani Marques

Segundo o próprio Moro, em vídeo divulgado nesta terça, a indicação partiu do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e de Dani Marques, que, de acordo com o governador eleito, hoje trabalha com o senador Flávio Bolsonaro.

Moro disse ter pedido aos dois o nome de uma economista "top" para as finanças do estado e afirmou que a escolha "mostra o perfil técnico" que pretende imprimir ao governo.

O passe de Pricilla também estava sendo disputado. O portal O Fator relatou que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, sondou a secretária para a Fazenda mineira. Segundo interlocutores, ela recusou porque já tinha proposta da equipe de Moro.

A escolha técnica e seus reflexos políticos

Há, porém, leituras que o discurso técnico não esgota.

A primeira é política: Moro rompeu com Bolsonaro ao deixar o Ministério da Justiça em 2020. Agora recorre ao ex-ministro da Economia daquele governo e ao entorno de Flávio Bolsonaro para escolher a pasta mais sensível da sua gestão, num movimento que sela publicamente a reaproximação com o bolsonarismo pelo PL.

A segunda é de perfil: Pricilla serviu a Eduardo Leite, do PSD, mesmo partido de Ratinho Junior, adversário de Moro na eleição.

A terceira é de contexto: a especialidade dela é gerir estados em crise fiscal, e o Paraná não vive a mesma situação do Rio Grande do Sul. Resta saber se a missão será ajuste, expansão de investimentos ou reorganização da máquina.

Ficam de fora desta história, até aqui, a voz da própria Pricilla, a posição do governo gaúcho sobre a saída da secretária e a avaliação da atual equipe da Fazenda paranaense.

O desafio da autonomia na Fazenda

A escolha de um quadro com currículo de Estado, e não de um aliado de palanque, é um bom sinal para quem paga a conta: o contribuinte e os municípios que dependem da saúde financeira do estado.

Mas o padrinho também diz muito. Se a Fazenda de Moro for de fato técnica, terá de provar autonomia diante de quem a indicou.

O Paraná vai saber logo, no primeiro orçamento e nas primeiras decisões sobre repasses, se a técnica comanda a política ou se apenas a acompanha.


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