Mercado imobiliário valorizou até 95% em seis anos; esperar para comprar imóvel pode ter saído mais caro
Levantamento da Sicredi Vanguarda mostra que imóveis valorizaram muito acima da inflação entre 2020 e 2026. Especialista orienta sobre planejamento financeiro.

Quem decidiu adiar a compra da casa própria à espera de juros menores ou de um cenário econômico mais favorável pode ter visto o sonho ficar ainda mais distante. Um levantamento da área de Crédito Imobiliário da Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ mostra que, em diversas regiões do país, os imóveis registraram valorização muito superior à inflação nos últimos seis anos.
Entre 2020 e 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de aproximadamente 34,08%. No mesmo período, cidades atendidas pela cooperativa apresentaram crescimento muito mais expressivo no valor dos imóveis, impulsionado por fatores como expansão industrial, fortalecimento do agronegócio, investimentos em infraestrutura e crescimento do turismo.
O caso mais emblemático é o de São José dos Campos (SP). O valor médio do metro quadrado passou de R$ 4.849, em janeiro de 2020, para R$ 9.470 em junho de 2026, uma valorização próxima de 95%. Na prática, um imóvel de 100 metros quadrados que custava cerca de R$ 485 mil passou a valer aproximadamente R$ 947 mil, uma diferença superior a R$ 462 mil.
Segundo Felipe Presa, especialista em Crédito Imobiliário da Sicredi, muitas pessoas analisam apenas o comportamento das taxas de juros e deixam de considerar o impacto da valorização patrimonial.
"Quando olhamos apenas para a taxa de juros, muitas vezes deixamos de considerar outro fator igualmente importante: a valorização do imóvel. Em diversos casos, o patrimônio valorizou em ritmo superior ao aumento do custo do crédito, o que significa que esperar também teve um preço", afirma.
Paraná também registrou mercado aquecido
Nas regiões de atuação da Sicredi Vanguarda no Paraná, cidades como Cascavel, Foz do Iguaçu e Medianeira também apresentaram um mercado imobiliário aquecido.
De acordo com a instituição, a valorização foi impulsionada pelo crescimento urbano, expansão do agronegócio e investimentos em infraestrutura. Em Foz do Iguaçu, o fortalecimento do turismo e a elevada demanda por locações também contribuíram para manter os preços em alta.
Construir ficou mais caro
Para quem optou por construir em vez de comprar um imóvel pronto, os custos também aumentaram.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,68% nos 12 meses encerrados em maio de 2026, acima da inflação geral, refletindo o aumento nos preços dos materiais de construção e da mão de obra.
Mercado apresenta maior estabilidade em 2026
Embora os imóveis continuem valorizando, o ritmo de crescimento desacelerou em 2026.
No primeiro semestre deste ano, a valorização média nacional foi de 2,42%, enquanto a inflação acumulada no mesmo período alcançou 3,62%. Para especialistas, esse cenário representa uma fase de maior estabilidade, considerada favorável para quem pretende adquirir um imóvel com planejamento.
Felipe Presa destaca que o momento ideal para comprar depende menos das previsões econômicas e mais da organização financeira de cada família.
"Ninguém consegue prever exatamente quando o mercado vai subir, desacelerar ou como estarão os juros daqui a alguns meses. O que faz diferença é ter planejamento, conhecer sua capacidade financeira e escolher uma linha de crédito adequada ao seu perfil. Quando a decisão é bem estruturada, o financiamento deixa de ser apenas uma forma de compra e passa a ser uma estratégia de construção de patrimônio."
Para o especialista, a experiência dos últimos anos demonstra que esperar pelo chamado "momento perfeito" nem sempre resulta em economia. Em muitos casos, a valorização dos imóveis ocorreu em ritmo superior ao aumento da capacidade de compra dos consumidores.