Itaipu volta a leiloar casas da Vila A, e mercado imobiliário de Foz sente reflexo da desmobilização binacional
Itaipu realiza novo leilão de casas na Vila A, em Foz do Iguaçu, no dia 10 de setembro. Serão 14 imóveis com valores a partir de R$ 262,4 mil.

Novo leilão será realizado em 10 de setembro e colocará 14 imóveis desocupados à venda, com valores iniciais entre R$ 262,4 mil e R$ 1,397 milhão
A Itaipu Binacional realizará, em 10 de setembro, mais uma etapa do seu programa de venda de imóveis na Vila A, em Foz do Iguaçu. Serão 14 unidades desocupadas colocadas em disputa, no quinto certame do gênero promovido pela empresa neste ano, um ritmo que evidencia a continuidade de um processo que já dura anos e que redesenha, aos poucos, a paisagem urbana de um bairro historicamente ligado à usina.
Um bairro ligado à história de Itaipu
A Vila A nasceu como estrutura habitacional destinada a funcionários da binacional durante a construção e a operação da usina e, por décadas, funcionou como um enclave residencial planejado, com padrão de infraestrutura diferenciado em relação a outras áreas da cidade.
Com o avanço da automação, a reorganização do quadro de pessoal e a política de desmobilização patrimonial que a Itaipu vem adotando, parte desse estoque de casas passou a ser gradualmente devolvida ao mercado por meio de leilões públicos.
O movimento acompanha debates mais amplos sobre o papel da estatal binacional na vida urbana da região da Tríplice Fronteira.
Leilão terá participação presencial e on-line
O leilão de setembro está marcado para as 9h, no Grand Carimã Resort & Convention Center, na Avenida das Cataratas, com sessão pública que permitirá lances presenciais e on-line de forma simultânea.
A condução caberá ao leiloeiro oficial Paulo Roberto Nakakogue, registrado na Junta Comercial do Paraná sob o número 12/048-L.
Os valores iniciais dos imóveis variam entre R$ 262.400 e R$ 1.397.000, faixa que reflete diferenças de metragem, localização e padrão construtivo dentro do próprio loteamento.
Editais e detalhamento dos lotes estão disponíveis no site do leiloeiro contratado e também no Portal do Fornecedor da Itaipu, na área de alienações.
Quem tiver interesse em conhecer as casas pessoalmente poderá agendar visitas nos dias 8 e 9 de setembro, em dois turnos diários, mediante contato por e-mail, telefone ou WhatsApp com a organização do leilão.
A participação é aberta a pessoas jurídicas constituídas no Brasil e a pessoas físicas maiores de idade ou emancipadas, conforme as regras do edital.
Reflexos da desmobilização na Vila A
Do outro lado desse processo estão questões que a divulgação institucional da Itaipu não costuma detalhar e que fazem parte do olhar mais amplo sobre o tema.
Entidades de moradores e ex-funcionários já levantaram, em outras rodadas de leilão, preocupações sobre critérios de avaliação dos imóveis, sobre o destino dos recursos arrecadados e sobre o impacto da chegada de novos proprietários privados na dinâmica de um bairro que foi projetado sob lógica de vila operária, não de condomínio de mercado aberto.
Também não é incomum que pesquisadores urbanos questionem se a venda fatiada, lote a lote, ao longo dos anos, substitui um planejamento mais amplo de reconversão do bairro, com participação da comunidade e do poder público municipal.
O leilão de setembro deve ser lido, portanto, não como um evento isolado, mas como mais um capítulo de um processo estrutural de desmobilização patrimonial que a Itaipu conduz há tempo e que tende a se aprofundar.
Cabe à imprensa e à sociedade civil acompanhar de perto os critérios de precificação, o destino dos recursos e os efeitos sobre o tecido urbano da Vila A, para que a transição de um modelo de vila operária binacional para um mercado imobiliário comum não ocorra sem transparência nem debate público.
Crédito da foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional
Autor: Márcio Queiroz Vítor – Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.