Influenciadores podem ser multados em até R$ 1,5 milhão por divulgar canetas emagrecedoras paraguaias irregulares
Influenciadores brasileiros podem ser multados em até R$ 1,5 milhão por divulgar canetas emagrecedoras paraguaias sem registro na Anvisa.

Ex-BBBs, artistas e cantores promovem produtos sem registro na Anvisa; especialistas apontam possível enquadramento como divulgação indireta de medicamentos proibidos
Ex-integrantes do Big Brother Brasil, artistas e cantores nacionais vêm utilizando o Instagram para dar visibilidade a laboratórios do Paraguai e a canetas para emagrecimento — versões que imitam medicamentos como Ozempic e Mounjaro — sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, no caderno Saúde.
Segundo a apuração do jornal, embora as publicações não apresentem explicitamente uma oferta de venda, especialistas consultados avaliam que esse tipo de exposição pode ser caracterizado como divulgação indireta de medicamentos não autorizados, conduta que pode configurar crime contra a saúde pública, conforme a legislação brasileira.
Nessas situações, as penalidades administrativas podem chegar a R$ 1,5 milhão em multas, além de outras sanções previstas na legislação sanitária.
Mercado cresce com foco no consumidor brasileiro
O cenário acompanha a expansão do mercado paraguaio de canetas emagrecedoras produzidas a partir de agonistas de GLP-1, substância que atua no controle da glicemia e da sensação de saciedade.
Laboratórios instalados no Paraguai vêm ampliando sua atuação com estratégias de marketing direcionadas ao público brasileiro, aproveitando a alta procura por medicamentos para perda de peso e diabetes.
Em resposta, a Anvisa intensificou ações de fiscalização, apreensões e restrições à entrada de produtos sem registro no país. Mesmo assim, a demanda continua elevada, impulsionada principalmente pela divulgação feita por influenciadores digitais com grande alcance nas redes sociais.
Fiscalização acompanha atuação nas redes sociais
De acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo, os órgãos de fiscalização monitoram o crescimento desse tipo de publicidade, considerando que a influência exercida nas plataformas digitais tem papel decisivo na popularização e na disseminação desses produtos entre consumidores brasileiros.
A preocupação das autoridades é impedir que medicamentos sem avaliação e autorização da Anvisa sejam promovidos como alternativas seguras, especialmente quando a divulgação parte de personalidades com milhões de seguidores.
Crédito da imagem: Rubens Cavallari/Folhapress