Inadimplência em Foz do Iguaçu atinge 114 mil moradores e soma R$ 827 milhões em dívidas
Mais de 114 mil moradores de Foz do Iguaçu estão inadimplentes em 2026. Dívidas somam R$ 827 milhões, com ticket médio acima de R$ 7,2 mil e forte impacto do cartão de crédito.

O cenário financeiro de Foz do Iguaçu no primeiro quadrimestre de 2026 revela um problema de grande escala: a cidade acumula cerca de R$ 827 milhões em dívidas em atraso, com mais de 114 mil moradores inadimplentes.
Embora o índice nacional de endividamento esteja elevado — com cerca de 80,4% das famílias brasileiras comprometidas com dívidas — o que chama atenção no município é a concentração da inadimplência e o valor médio por consumidor, que já ultrapassa R$ 7,2 mil por CPF.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Fecomércio PR indicam que, mesmo com o Paraná registrando o menor índice de endividamento da última década (84,4%), Foz apresenta um perfil mais sensível ao crédito de alto custo.
Cartão de crédito lidera disparado
O levantamento mostra que o endividamento na cidade é fortemente impulsionado por modalidades de crédito de curto prazo, com juros mais elevados. O principal destaque é o cartão de crédito, presente na quase totalidade dos casos.
Distribuição das dívidas:
Cartão de crédito: 94,1%
Financiamento de veículos: 7,9%
Financiamento imobiliário: 6,6%
Esse padrão evidencia um consumo baseado em crédito rotativo, considerado um dos mais caros do mercado, o que contribui para o aumento do tempo médio de atraso — atualmente acima de 65 dias.
Sazonalidade pesa no início do ano
O começo de 2026 trouxe um acúmulo de despesas típicas do período, como:
Material e mensalidades escolares
IPTU e outros tributos
Despesas acumuladas das festas de fim de ano
Esse conjunto pressiona o orçamento doméstico e dificulta a regularização das dívidas, ampliando o volume de inadimplência na cidade.
Impacto nas contas públicas e reação do município
A inadimplência também afeta diretamente a arrecadação municipal. Como resposta, a prefeitura lançou o programa RecuperaFoz, que já possibilitou a renegociação de aproximadamente R$ 23,3 milhões em débitos tributários.
A iniciativa tem duplo efeito:
Retira contribuintes da inadimplência
Injeta recursos imediatos no caixa público
Perspectiva para o segundo semestre
Economistas avaliam que pode haver leve retração da inadimplência ao longo de 2026, condicionada a dois fatores principais:
Redução consistente das taxas de juros
Manutenção do nível de emprego, especialmente nos setores de turismo e serviços
Esses segmentos seguem como pilares da economia de Foz do Iguaçu e têm impacto direto na capacidade de pagamento das famílias.
Crédito: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; gestor em Marketing e Eventos; MBA em Comunicação e Marketing; coordenador comercial do Guarda Volume.