Guarda Volume Podcast vira o “telão” da apuração no Oeste e soma 11,7 mil visualizações no YouTube
Editoria: Entretenimento
Guarda Volume Podcast registra 11,7 mil visualizações e mais de 631 horas assistidas no YouTube durante a cobertura eleitoral de 2026.

Foto: Guarda Volume
Transmissão do primeiro turno das eleições de 2026 alcançou 11.734 visualizações e mais de 631 horas assistidas, mostrando a força das plataformas digitais na cobertura eleitoral regional.
Por Marcio Queiroz Vitor
Na noite de 4 de outubro de 2026, quando as urnas do primeiro turno fecharam, uma parte do eleitorado de Foz do Iguaçu não ligou o rádio nem sintonizou o plantão da televisão. Foi ao YouTube.
O canal @GuardaVolumePodCast transmitiu ao vivo a apuração dos votos de candidatos de Foz, do Oeste, do Paraná e da disputa nacional, no episódio 460 do Guarda Volume Podcast. A transmissão acumulou 11.734 visualizações e 631,8 horas assistidas entre 1º e 5 de outubro, segundo o painel de análise do próprio canal.
O estúdio recebeu convidados que comentaram em tempo real a evolução dos números, com bandeiras do Brasil e do Paraná no cenário e debate ao vivo a cada nova parcial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
A transmissão contou com o apoio dos patrocinadores tradicionais do podcast e dos patrocinadores excepcionais Animal Garden e Cartório Bar, além do apoio da Acifi, Mooven Audiovisual e Vídeo UP.
A mudança no comportamento do público
Durante décadas, a noite de apuração em Foz do Iguaçu teve dois donos: o rádio, que levava os boletins para o carro, a cozinha e o comitê de campanha, e a televisão regional, que reunia as famílias em frente ao plantão.
Essa hierarquia mudou.
Em dezembro de 2025, levantamento da Kantar Ibope mostrou a TV aberta com 55,8% dos aparelhos ligados, contra 37,2% do vídeo online, liderado pelo YouTube com 21,6%. A plataforma do Google passou a ser o segundo maior “canal” do país, atrás apenas da TV Globo e à frente de Record, SBT e Band.
O dinheiro da publicidade seguiu o mesmo caminho. No primeiro semestre de 2026, a internet recebeu R$ 5,62 bilhões, o equivalente a 40,7% do investimento das agências, e superou a televisão, que ficou com R$ 5,61 bilhões.
O rádio ficou com uma fatia pequena: 3,2% do bolo publicitário no primeiro trimestre do ano.
Na política, a mudança é ainda mais nítida. Pesquisa BTG/Nexus feita em agosto apontou que 47% dos eleitores brasileiros usam o YouTube para acompanhar a corrida presidencial, índice que chega a 60% entre jovens de 16 a 24 anos, e 45% no Sul.
Celular lidera acessos, mas televisão concentra tempo de audiência
Os números da transmissão do Guarda Volume ajudam a entender como essa migração acontece na prática.
O celular respondeu por 82,7% das visualizações (9.709) e por 59,5% do tempo assistido.
O dado mais revelador, porém, vem da televisão. Os aparelhos de TV somaram apenas 10,1% das visualizações (1.182), mas concentraram 23,7% de todo o tempo assistido, com 150 horas.
Quem assistiu pela TV ficou em média cerca de 7 minutos e meio por sessão, mais que o triplo de quem acompanhou pelo celular, com média de 2 minutos e 20 segundos.
Em outras palavras, a televisão não desapareceu da sala do eleitor. Ela continua ligada, só que sintonizada no YouTube.
A tendência já havia sido medida pela Kantar, segundo a qual a TV superou o celular como principal aparelho para ver YouTube dentro de casa no Brasil.
Computadores responderam por 15% do tempo de exibição, e tablets, por 1,7%.
Somadas, as 631,8 horas equivalem a mais de 26 dias ininterruptos de conteúdo assistido em cinco dias.
Audiência ultrapassa Foz do Iguaçu e alcança outros estados
O alcance também ultrapassou a fronteira.
O relatório de cidades mostra visualizações espalhadas por municípios de diferentes estados, como Ribeirão Preto e Bauru (SP), Dourados (MS), Juiz de Fora (MG), Anápolis (GO), Ji-Paraná e Porto Velho (RO), João Pessoa (PB), Aracaju (SE), Niterói (RJ) e São José (SC).
No Paraná, aparecem Paranaguá, Colombo, Marechal Cândido Rondon, Guarapuava e Francisco Beltrão.
Em Colombo e Ribeirão Preto, a média de permanência passou de seis minutos, sinal de público que acompanhou a análise e não apenas conferiu um número.
YouTube ganha protagonismo na cobertura eleitoral
O fenômeno se repetiu em escala nacional.
O SBT News registrou 32,8 milhões de visualizações no YouTube na cobertura do primeiro turno, com pico de 785,8 mil espectadores simultâneos.
Já o canal oficial do TSE teve cerca de 800 mil visualizações e pico de 15.036 espectadores simultâneos.
A noite eleitoral virou, definitivamente, um evento de plataforma.
O que os números realmente mostram
Os números, no entanto, pedem leitura cuidadosa.
Visualização não é o mesmo que pessoa: o mesmo eleitor pode entrar e sair da transmissão várias vezes, e cada retorno conta de novo.
A permanência média geral, pouco acima de três minutos, indica que boa parte do público entrou para conferir um resultado e saiu, comportamento típico de quem faz “zapping” entre várias transmissões.
A TV aberta também segue maior que qualquer plataforma isolada no país, e o rádio mantém presença no interior, no trânsito e entre eleitores mais velhos, faixa em que o uso do YouTube para acompanhar a eleição cai para 38%.
Há ainda a dependência de uma plataforma estrangeira, que define algoritmo, regras e remuneração.
A receita direta de anúncios do YouTube costuma ser modesta para canais regionais, que se sustentam principalmente com patrocínio local.
O futuro do jornalismo regional passa pelas plataformas digitais
Mesmo com essas ressalvas, a conclusão é clara.
A apuração de 2026 mostrou que um veículo regional, com estrutura enxuta e linguagem própria, pode ocupar o lugar que por décadas foi das emissoras tradicionais na noite mais importante da democracia.
O jornalismo local que não estiver no YouTube vai assistir de fora a essa mudança.
No dia 25 de outubro, no segundo turno, o Guarda Volume volta ao ar, e o público já sabe onde encontrá-lo.
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