Foz supera Curitiba e lidera geração de empregos no Paraná em agosto, puxada por hotéis e restaurantes

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Economia

Foz do Iguaçu liderou a geração de empregos no Paraná em agosto de 2026, com saldo de 1.028 vagas formais, impulsionado pelo turismo e setor de serviços.

Empregos em Foz do Iguaçu

Foto: Divulgação

Município registrou saldo positivo de 1.028 empregos formais em agosto de 2026, impulsionado pelo setor de serviços. Resultado é o melhor do ano, mas desafios permanecem no acumulado.

Por Marcio Queiroz Vitor | Guarda Volume

Foz do Iguaçu terminou agosto de 2026 no topo do ranking paranaense de geração de empregos com carteira assinada. A cidade abriu 1.028 vagas formais a mais do que fechou no mês, o melhor saldo mensal do município no ano e o maior entre todas as cidades do Paraná, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O desempenho deixou para trás centros econômicos maiores. Curitiba registrou saldo de 906 vagas, Toledo de 759, Londrina de 559 e Cascavel de 451. O saldo do Caged é calculado pela diferença entre admissões e desligamentos no período.

Turismo como motor do mercado de trabalho

O resultado confirma o peso do setor de serviços na economia iguaçuense, sustentada pelo turismo das Cataratas, pela vocação de fronteira e pela rede de hotéis, bares e restaurantes que atende a milhões de visitantes por ano.

Em agosto, os serviços responderam sozinhos por 877 novas vagas. O comércio veio em seguida, com 163 postos.

A comparação com o ano anterior reforça o momento. Em agosto de 2025, Foz havia registrado saldo de 668 empregos. O resultado de 2026 representa crescimento de quase 54% sobre o mesmo mês do ano passado.

O papel da Prefeitura

Para a diretora da Agência do Trabalhador de Foz do Iguaçu, Cátia Fritzen, os números refletem as ações de intermediação de mão de obra conduzidas pela Prefeitura de Foz do Iguaçu.

Ela destaca a Agência Itinerante, que desde o início de 2025 já realizou 23 eventos externos para aproximar candidatos e empresas.

Segundo a diretora, o setor de serviços, especialmente alojamento e alimentação, foi o principal responsável pelo resultado, refletindo o bom momento vivido por essas atividades.

No acumulado de janeiro a agosto, o município contabilizou 30.839 admissões e 28.751 desligamentos, com saldo positivo de 2.088 empregos formais.

Cátia Fritzen ressalta que o resultado mostra crescimento líquido do emprego formal ao longo do ano e que o desempenho de agosto ajudou a elevar o balanço anual. No ranking acumulado, Foz ocupa a oitava posição no Paraná.

A expectativa da Prefeitura é manter o ritmo até o fim do ano, impulsionado pelo aumento da movimentação no comércio, pela alta temporada turística e pela abertura de novas vagas.

O outro lado dos números

O resultado de agosto é expressivo, mas a leitura do ano pede equilíbrio.

Se agosto sozinho respondeu por 1.028 das 2.088 vagas acumuladas, os outros sete meses somados geraram 1.060 postos, uma média próxima de 150 por mês, com possibilidade de saldos negativos em parte do período.

É isso que explica a diferença entre o primeiro lugar no mês e o oitavo lugar no acumulado do ano.

Há também a questão da rotatividade. Para abrir pouco mais de 2 mil vagas líquidas, a cidade precisou admitir mais de 30 mil pessoas e desligar quase 29 mil em oito meses, um giro elevado, típico de setores sazonais como hotelaria e alimentação.

A forte concentração em serviços, embora seja uma vocação natural de Foz, também expõe o mercado local a oscilações do turismo, do câmbio e do movimento na fronteira.

O Caged mede apenas o emprego formal e não informa a qualidade das vagas, os salários médios ou a situação do grande contingente informal da região.

O desafio de transformar crescimento em estabilidade

A Prefeitura de Foz do Iguaçu tem motivo para celebrar: liderar o Paraná na geração de empregos em um mês, à frente da capital, não é resultado banal e mostra que o turismo segue como a grande locomotiva da cidade, com a Agência do Trabalhador cumprindo o papel de ligar quem procura a quem oferece trabalho.

O desafio agora é transformar um pico mensal em tendência sustentada, reduzir a dependência de um único setor e garantir que as vagas criadas sejam também vagas duradouras e bem remuneradas.

O Guarda Volume seguirá acompanhando os próximos boletins do Caged.


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