Foz do Iguaçu mira feira paraguaia de US$ 600 milhões para turbinar economia e Natal turístico

Foz do Iguaçu mira oportunidades na Paraguay Business Week 2026, feira que projeta US$ 600 milhões em negócios, enquanto prepara o Natal de Águas e Luzes.

Foz do Iguaçu mira feira paraguaia de US$ 600 milhões para turbinar economia e Natal turístico

Codefoz debate participação regional na Paraguay Business Week 2026, planejamento do Natal de Águas e Luzes e campanha pelo voto em candidatos da região

A fronteira volta a ser vitrine de negócios binacionais. Nesta quarta-feira, 9, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz) reuniu conselheiros e convidados, presencial e remotamente, para tratar de dois temas que, à primeira vista, pouco se relacionam, mas que compartilham o mesmo objetivo: atrair visitantes e capital para a região trinacional. De um lado, a expectativa em torno da Paraguay Business Week 2026, feira empresarial marcada para novembro no Parque Tecnológico de Itaipu, em Hernandarias. De outro, o planejamento do Natal de Águas e Luzes 2026/2027, que tenta reconstruir a força turística da data com menos recursos do que em edições anteriores.

O tri-border tornou-se, nas últimas décadas, um dos poucos pontos do país onde comércio, indústria e turismo se cruzam diretamente com a diplomacia econômica de três nações. Eventos como a Business Week paraguaia se inserem nesse histórico: desde a integração impulsionada pela usina de Itaipu, a região vem tentando transformar sua posição geográfica estratégica em polo de negócios permanente, e não apenas em destino de compras e turismo de curta duração. Já o Natal iguaçuense, consolidado como atração turística nos últimos anos, disputa espaço com destinos concorrentes na América do Sul justamente no período de maior movimento de visitantes estrangeiros.

Feira projeta mais de US$ 600 milhões em negócios

Segundo apresentação feita à plenária do Codefoz pela diretora regional da Rede de Investimento e Exportação (Rediex), Noelia González Bruera, a segunda edição do evento no Alto Paraná deve reunir cerca de 1,2 mil empresas e movimentar mais de US$ 600 milhões em negócios, com presença prevista do presidente paraguaio Santiago Peña, ministros e governadores.

A gestora citou como referência a edição anterior, que teria superado a expectativa inicial de 1,5 mil participantes, chegando a um público estimado entre oito mil e dez mil pessoas — número que motivou a escolha de uma estrutura maior para 2026. Noelia também fez um convite direto a instituições paranaenses para articulação conjunta com o evento, que terá como eixos tecnologia, inovação e indústria 4.0.

Natal de Águas e Luzes busca parceiros

Na sequência, a diretora-presidente da Fundação Cultural, Patrícia Iunovich, apresentou o planejamento do Natal iguaçuense, que deve concentrar a estrutura principal na Praça da Paz e ampliar a programação para outros pontos da cidade conforme parcerias firmadas.

O secretário de Turismo, Jin Petrycoski, reforçou publicamente a necessidade de engajamento de empresários e instituições para viabilizar o projeto, tratado pela gestão municipal como política pública de turismo, cultura e convivência.

Codefoz reforça campanha pelo voto regional

A reunião também serviu para reiterar a campanha do Codefoz pelo voto consciente nas eleições de 2026, com spots em rádios, outdoors e divulgação digital estimulando o eleitorado a votar em candidatos da região para as vagas de deputado federal e estadual — iniciativa que empresas e instituições podem replicar gratuitamente mediante solicitação ao conselho.

Números ainda dependem de validação independente

Os números apresentados sobre a Paraguay Business Week — tanto os relativos ao público da edição anterior quanto a projeção de US$ 600 milhões em negócios para 2026 — partem da própria organização do evento e da Rediex, sem que haja, até o fechamento desta reportagem, validação por fontes independentes, como entidades empresariais brasileiras ou dados oficiais consolidados de comércio bilateral.

O mesmo vale para o discurso institucional em torno do Natal iguaçuense: a fala da Fundação Cultural e da Secretaria de Turismo expressa o planejamento e a expectativa do próprio poder público municipal, sem que se conheçam ainda valores de investimento, fontes de patrocínio ou cronograma detalhado da programação 2026/2027.

Também não há, na pauta original, manifestação de empresários do setor de comércio e turismo de Foz do Iguaçu sobre o interesse — ou eventuais entraves — em participar da feira paraguaia, tampouco de partidos ou candidatos da região sobre a campanha eleitoral promovida pelo Codefoz, que, embora apresentada como apartidária, ocorre em pleno período pré-eleitoral.

Fronteira como estratégia de desenvolvimento

O cruzamento dessas três frentes — negócios binacionais, turismo natalino e mobilização eleitoral regional — expõe uma aposta recorrente da liderança política e empresarial de Foz do Iguaçu: usar a posição de fronteira como capital simbólico para atrair investimento e visibilidade.

A concretização dessa aposta, no entanto, dependerá de dados que ainda não foram checados de forma independente e de compromissos que, por ora, existem apenas no campo do anúncio institucional.

Autor: Márcio Queiroz Vítor – Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

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