Foz do Iguaçu investe R$ 1,4 milhão em caminhão multifuncional para enfrentar 240 km de vias em estado ruim

Foz do Iguaçu investe R$ 1,445 milhão em caminhão tapa-buracos para reforçar manutenção de 240 km de vias apontadas em estado ruim.

Foz do Iguaçu investe R$ 1,4 milhão em caminhão multifuncional para enfrentar 240 km de vias em estado ruim

A Secretaria Municipal de Obras de Foz do Iguaçu recebeu, nesta quarta-feira (2), um novo equipamento para reforçar a operação tapa-buracos: o caminhão Romanelli TBR-800 SUPER, adquirido por R$ 1,445 milhão.

A máquina reúne, em uma única frente de trabalho, etapas que atualmente são realizadas separadamente — remoção do pavimento deteriorado, limpeza, pintura de ligação, distribuição de massa asfáltica e compactação. O equipamento tem capacidade para armazenar 7,5 m³ de CBUQ e transportar cerca de 18 toneladas de massa asfáltica por operação.

O investimento chega em um momento crítico para a malha viária do município. Diagnóstico técnico da própria Secretaria de Obras, divulgado anteriormente, apontou 240 quilômetros de ruas e avenidas em estado ruim, extensão equivalente à distância de ida e volta entre Foz do Iguaçu e Cascavel.

O problema é antigo e já motivou, em janeiro, a criação de uma secretaria extraordinária de manutenção viária, dedicada à meta de “buraco zero” na fronteira. A situação também levou à apresentação de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para apurar responsabilidades pela deterioração das vias ao longo dos anos.

Vereadores têm protocolado dezenas de indicações cobrando reparos em bairros como Jardim Jupira, Jardim Eliza, Vila Maracanã e Alto São Francisco. A própria administração municipal já reconheceu publicamente que parte do problema decorre da má especificação de materiais utilizados em gestões anteriores.

Novo caminhão deve começar a operar em 15 dias

Segundo a Secretaria de Obras, o novo caminhão deve entrar em operação em cerca de 15 dias, após o treinamento de uma equipe de cinco profissionais responsável por conduzir e operar o equipamento.

O diretor de Manutenção Viária, Rubens Sampaio Sarlo, afirma que a máquina permitirá ampliar a produtividade das equipes e realizar mais serviços em menos tempo. Isso porque concentra, em uma mesma frente, etapas que, no método convencional, dependem da mobilização separada de caminhões menores, ferramentas e equipes distintas.

A chegada de um equipamento mais eficiente é, em si, uma notícia positiva para uma cidade que soma milhares de reclamações de motoristas e pedestres sobre buracos, ondulações e trechos praticamente intransitáveis.

Ainda assim, a magnitude do problema impõe cautela quanto ao alcance real da novidade.

Um único caminhão, operado por cinco profissionais, dificilmente resolverá sozinho um passivo de 240 quilômetros de vias degradadas, sobretudo quando a própria prefeitura já reconheceu, em ocasiões anteriores, não ter um prazo “único e definitivo” para concluir a recuperação da malha viária, nem ter mensurado o custo total dessa empreitada.

A administração também depende do envio de reclamações da população, por meio do telefone 156 ou do aplicativo e-Ouve, para mapear prioridades. Isso sugere que a capacidade de diagnóstico do problema ainda é, em parte, reativa.

Até o momento, não há indicação pública de um cronograma específico, metas de quilometragem a serem recuperadas com o novo equipamento ou uma comparação de custo-benefício entre a aquisição da máquina e a eventual contratação de mais caminhões menores para execução do método convencional.

Resultado será medido nas ruas

O novo caminhão tapa-buracos representa um reforço tecnológico bem-vindo para a manutenção viária de Foz do Iguaçu, mas seu impacto real só poderá ser avaliado quando confrontado com resultados concretos nos próximos meses.

Cabe à Secretaria de Obras transformar o investimento de R$ 1,445 milhão em uma redução mensurável do passivo de 240 quilômetros de vias deterioradas, sob pena de o novo equipamento se somar a uma longa lista de anúncios que ainda não conseguiram resolver, de forma definitiva, o problema crônico da buraqueira na cidade.

Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; coordenador comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

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