Foz do Iguaçu aposta na China e mira consolidar liderança no turismo asiático do Brasil

Foz do Iguaçu amplia ações na China e aposta no crescimento do turismo asiático, com promoção do destino em Pequim e capacitação de agentes.

Foz do Iguaçu aposta na China e mira consolidar liderança no turismo asiático do Brasil

Enquanto turistas seguem lotando as passarelas das Cataratas, um movimento silencioso acontece a milhares de quilômetros dali. Em Pequim, o nome de Foz do Iguaçu voltou a ser apresentado a operadores turísticos chineses, num esforço que a Secretaria Municipal de Turismo descreve como decisivo para consolidar a cidade como porta de entrada do público asiático no Brasil.

Segundo o secretário de Turismo, Jin Petrycoski, a Embratur reuniu nesta semana, em Pequim, tomadores de decisão de operadoras chinesas em um workshop com foco em Foz do Iguaçu e no Complexo Turístico Itaipu Parquetec.

A aposta no mercado chinês não é recente. Desde 2023, o município integra a Aliança Internacional de Cidades Turísticas da Rota da Seda, sendo a única cidade brasileira no grupo, e já colecionava resultados relevantes, como o crescimento de 156% no número de turistas chineses em 2024.

Crescimento do mercado chinês

De acordo com a Secretaria de Turismo, o levantamento mais recente aponta 90.111 turistas chineses circulando por Foz do Iguaçu entre janeiro e julho de 2026, ante 54.781 no mesmo período de 2025 — um salto de 64,5%.

O número seguiria uma tendência já registrada em 2025, quando o Parque Nacional do Iguaçu teria apresentado crescimento de 32% na visitação de chineses.

O cenário nacional dá algum lastro à narrativa. Dados do Ministério do Turismo e da Polícia Federal apontam recorde de chegadas de chineses ao Brasil em 2026, embora os números oficiais divulgados até agora tratem do país como um todo, sem discriminar Foz do Iguaçu com a mesma granularidade apresentada pela Secretaria.

Agentes capacitados e campanhas digitais

Entre as ações citadas pela pasta estão a certificação de 910 agentes chineses como “Especialistas em Brasil” e a inscrição de 1.501 profissionais na plataforma Brasil Travel Specialist.

A estratégia inclui ainda campanhas em WeChat, Weibo e Xiaohongshu, famtours com criadores de conteúdo chineses passando por São Paulo, Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro, além de experiências de realidade virtual que permitem ao público de Pequim “visitar” as Cataratas remotamente.

A Itaipu Binacional também aparece como diferencial nessa estratégia, apresentando em Pequim não apenas sua estrutura turística, mas também ações socioambientais que a estatal associa ao interesse do turista chinês por sustentabilidade.

Números ainda exigem verificação independente

A força da narrativa oficial, porém, não dispensa qualificações. Trata-se de um relato construído a partir da própria Secretaria de Turismo e de fontes ligadas à promoção do destino, sem que a reportagem tenha tido acesso independente aos dados brutos de fluxo turístico do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu ou a relatórios de fiscalização que confirmem os números apresentados.

Também não há, até o momento, verificação independente sobre o retorno efetivo do investimento público em campanhas digitais e certificações de agentes, tampouco estimativas de gasto médio do turista chinês na cidade que permitam medir o impacto econômico direto da estratégia.

Ainda assim, o esforço de posicionamento internacional é real e mensurável em outra frente. Foz do Iguaçu tem aparecido de forma recorrente em feiras como a ITB China, em memorandos assinados por Embratur, Visit Iguassu e Itaipu e em ações que vêm sendo construídas desde 2023.

Se os números de turistas chineses se confirmarem de forma independente, a cidade terá motivos concretos para comemorar. Por ora, o que existe é uma estratégia coordenada, um discurso otimista da gestão municipal e um mercado — o chinês — que segue sendo o maior emissor de turistas do mundo e que Foz do Iguaçu não pretende deixar passar.

Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; coordenador comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

Mais notícias