Foz avança e prepara programa inédito para tratamento da obesidade grau II e III na rede pública
Foz do Iguaçu prepara programa inédito para tratar obesidade grau II e III no SUS, com emenda de R$ 1 milhão destinada à aquisição de medicamento e atendimento multidisciplinar a 200 pacientes.

Com emenda de R$ 1 milhão, município estrutura projeto pioneiro para ampliar acesso ao tratamento clínico especializado
A saúde pública de Foz do Iguaçu se prepara para dar um passo relevante no enfrentamento da obesidade grave. A Secretaria Municipal de Saúde iniciou a estruturação de um programa específico para tratamento da obesidade grau II e III na rede municipal, após o anúncio do deputado federal Luciano Alves sobre a destinação de emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão para aquisição do medicamento Mounjaro.
A iniciativa representa uma mudança estratégica na abordagem da obesidade no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) no município, com foco terapêutico e critérios técnicos bem definidos.
Protocolo clínico com critérios rigorosos
O projeto encontra-se em fase inicial de planejamento, com estudo técnico preliminar conduzido por equipe multiprofissional. A proposta prevê a elaboração de um protocolo clínico com critérios objetivos, baseados em evidências científicas e nas diretrizes vigentes para o tratamento da obesidade grau II e III.
Segundo a Secretaria, o programa terá finalidade exclusivamente terapêutica, voltada à melhora dos parâmetros metabólicos, redução de comorbidades associadas — como diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemias — e ampliação da qualidade de vida dos pacientes. A pasta reforça que a iniciativa não possui qualquer finalidade estética.
Nesta primeira etapa, o programa está dimensionado para atender aproximadamente 200 pacientes que atualmente aguardam na fila para cirurgia bariátrica.
“A obesidade é a doença do século”, afirma Dr. Capobianco
Para o médico Dr. Capobianco, o programa representa um avanço importante no enfrentamento de um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea.
“Eu considero a obesidade a doença do século. Ela não é apenas uma questão estética. A obesidade gera uma reação inflamatória corporal crônica muito grande. Isso aumenta significativamente o risco de diabetes, infarto, hipertensão e também está associada ao aumento de alguns tipos de câncer.”
Segundo ele, a perda de peso impacta diretamente a saúde sistêmica e emocional do paciente.
“Quando a pessoa emagrece, ela melhora não só os parâmetros clínicos e metabólicos, mas também a qualidade de vida e a autoestima. É uma transformação que impacta o corpo e a mente.”
O médico também destaca que, em alguns casos, após grandes perdas de peso, pode haver necessidade de procedimentos reparadores.
“Dependendo do volume de emagrecimento, algumas pessoas acabam precisando de cirurgia plástica reparadora. Isso faz parte do processo de reconstrução da saúde e da autoestima.”
Para o especialista, tratar a obesidade com seriedade significa reduzir internações futuras, complicações cardiovasculares e sobrecarga no sistema público.
Acompanhamento multidisciplinar
O modelo proposto prevê acompanhamento integral e contínuo, envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e educadores físicos. A estratégia é oferecer abordagem interdisciplinar, alinhada aos princípios do SUS, garantindo não apenas a prescrição medicamentosa, mas também suporte clínico, nutricional e comportamental.
O secretário municipal de Saúde, Fabio de Mello, destacou que a iniciativa representa um avanço significativo para o município.
“A aquisição da medicação está em fase de programação técnica para abertura do processo licitatório, respeitando todos os trâmites legais e os princípios da administração pública. A implementação efetiva do protocolo e o início do atendimento estarão condicionados à conclusão do documento técnico e à validação pelo Conselho competente”, explicou.
Transparência e responsabilidade técnica
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que todas as etapas serão conduzidas com base em critérios científicos, legais e assistenciais. A abertura do processo licitatório ocorrerá após a consolidação do estudo técnico e definição formal do protocolo.
A pasta destaca ainda que todo recurso destinado à saúde de Foz do Iguaçu é estratégico e será aplicado de forma responsável para atender às necessidades dos usuários do SUS, especialmente daqueles que convivem com obesidade grave e suas complicações clínicas.
Caso implementado conforme o planejamento, o programa poderá posicionar Foz do Iguaçu como referência regional na ampliação do acesso ao tratamento clínico da obesidade na rede pública, fortalecendo a atenção especializada e reduzindo a demanda reprimida por procedimentos cirúrgicos.