Flávio Bolsonaro pode estar em Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, dizem relatos; governo argentino nega

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Polícia

Relatos apontam possível presença de Flávio Bolsonaro em Puerto Iguazú, na fronteira com Foz. Governo argentino nega entrada; viagem não foi comprovada.

Relatos sobre possível passagem do senador pela fronteira com Foz do Iguaçu não têm comprovação; governo argentino e ali

Foto: divulgação

Por Marcio Queiroz Vitor

Em menos de 24 horas, a hipótese de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina ocupou a imprensa dos dois países. Até a manhã desta terça-feira (27), porém, nenhuma autoridade confirmou a saída, e o próprio governo argentino disse que o senador não entrou em seu território.

A suspeita surgiu poucas horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibir de sair do país. A decisão foi tomada depois que o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, afirmou em um podcast norte-americano que aconselharia Flávio a deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial. A investigação que embasou a medida envolve suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao senador e ao advogado Willer Tomaz.

O caso ganhou peso regional porque o foco da suspeita é Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha a Foz do Iguaçu. Segundo a Agência Noticias Argentinas, um jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly, chegou à cidade na noite de segunda-feira (26), vindo de Buenos Aires, com viagem prevista aos Estados Unidos durante a madrugada.

A aeronave, de acordo com fontes aeroportuárias citadas pela agência, permaneceu no aeroporto para verificações adicionais. O plano de voo previa quatro passageiros, dois pilotos e uma comissária, e as autoridades pediram informações complementares sobre a identidade dos viajantes. A decolagem inicial acabou cancelada, e a agência não apresentou prova de que Flávio estivesse a bordo.

Do lado brasileiro, a Polícia Federal verificou pontos de fronteira para saber se o senador havia deixado o território nacional, segundo a Folha de S.Paulo. Até o momento dessas checagens, não havia registro de passagem oficial de Flávio pela fronteira regular com a Argentina.

O UOL informou não ter encontrado registros de decolagens para os Estados Unidos na data citada pela imprensa argentina, e a versão do portal Infobae, que falava em partida às 2h de Puerto Iguazú, não bate com a da agência argentina sobre o voo.

O coordenador da campanha presidencial de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), negou que o parlamentar tenha deixado o país. Aliados disseram que a hipótese nunca foi cogitada.

Fontes do Ministério da Segurança da Argentina ouvidas pelo jornal Ámbito negaram a entrada, e um porta-voz do presidente Javier Milei fez a mesma negativa em declaração à agência Bloomberg. Segundo o UOL, Flávio afirmou que nunca pensou em deixar o Brasil e que cumprirá a decisão do STF.

O que se sabe, por ora, é que existe uma ordem judicial que proíbe a saída do senador e que a PF apura a versão de que ele teria cruzado a fronteira. O que não existe é comprovação de que a viagem tenha ocorrido.

Enquanto os registros de migração, a lista de passageiros do voo e a posição oficial da PF não forem divulgados, a informação deve ser tratada como suspeita, não como fato. Para uma cidade que convive diariamente com a fronteira, como Foz do Iguaçu, a diferença entre uma hipótese e um fato tem consequências práticas e políticas, e exige cuidado de todos os lados.

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