Feriado da Independência empurra Cataratas para setembro inédito, com quase 187 mil visitantes de 124 países

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Turismo

Parque Nacional do Iguaçu recebeu 186.906 visitantes de 124 nacionalidades em setembro de 2026, o maior movimento já registrado no mês.

Cataratas do Iguaçu

Parque Nacional do Iguaçu recebeu 186.906 visitantes em setembro de 2026; brasileiros representaram cerca de 60% do público, enquanto argentinos lideraram entre os estrangeiros

O Parque Nacional do Iguaçu viveu, em setembro de 2026, o setembro mais movimentado de sua história. Foram 186.906 visitantes de 124 nacionalidades em 30 dias, segundo balanço divulgado pela Urbia+Cataratas, concessionária que responde pela gestão turística da unidade.

O pico veio no sábado, 6 de setembro, véspera do 7 de Setembro, quando 15.942 pessoas cruzaram os portões em um único dia. É um volume cerca de duas vezes e meia maior que a média diária do mês, que ficou em torno de 6,2 mil entradas.

Movimento mantém sequência de números expressivos

O resultado de setembro não surge isolado. O parque fechou 2025 com 2.020.359 visitantes, a maior marca desde 2019, conforme dados da própria concessionária repercutidos pela imprensa especializada.

No mesmo ano, a unidade ficou em segundo lugar entre os parques nacionais mais visitados do país, atrás apenas da Tijuca, no Rio de Janeiro, em um ranking divulgado pelo Governo do Paraná.

Em 2026, o embalo seguiu. O portal Brasilturis registrou recorde histórico em julho, com 263 mil visitantes, e a expectativa da administração para o feriado prolongado era de 25 mil pessoas entre 5 e 7 de setembro.

O Patrimônio Mundial Natural, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), funciona como o principal motor da economia de Foz do Iguaçu e um dos ativos mais estratégicos da Tríplice Fronteira.

Argentinos lideram entre os estrangeiros

Os números de setembro mostram um parque majoritariamente brasileiro, mas com forte sotaque platino. O público nacional somou 112.700 pessoas, cerca de 60% do total.

Os estrangeiros, portanto, responderam por aproximadamente 74,2 mil entradas, e a Argentina sozinha representou 32.793 delas, quase metade de todo o público internacional e o segundo maior contingente do mês.

A distância entre os vizinhos e o terceiro colocado é enorme. A Alemanha aparece com 4.371 visitantes, seguida por Estados Unidos (3.812), Paraguai (3.525), Uruguai (2.869), Espanha (2.269), China (2.159), Colômbia (1.968) e Peru (1.823).

A presença chinesa no top 10 dialoga com os esforços recentes de Foz do Iguaçu para atrair esse mercado.

Paraná e São Paulo praticamente empatam

No recorte doméstico, o Paraná voltou a liderar, com 33.217 visitantes, mas por margem estreita. São Paulo veio logo atrás, com 32.557, diferença de apenas 660 pessoas.

Completam a lista Santa Catarina (8.008), Rio de Janeiro (5.629) e Minas Gerais (5.487).

O peso dos paranaenses, somado ao calendário do feriado, reforça o perfil de turismo de proximidade e de fim de semana prolongado.

Experiências além das Cataratas

A concessionária também aposta em ampliar o tempo de permanência do visitante com produtos além da contemplação das quedas, como os passeios de Amanhecer, Pôr do Sol e Céu das Cataratas, este último voltado à observação do céu noturno, além de trilhas autoguiadas na Mata Atlântica e opções gastronômicas.

Ingressos e informações estão disponíveis no site oficial das Cataratas do Iguaçu.

O parque foi ainda apontado entre as principais atrações do Brasil e da América Latina por usuários do Tripadvisor no prêmio Best of the Best 2026.

Recorde também abre espaço para questionamentos

Há, porém, perguntas que o balanço não responde. A concessionária fala em recorde para o mês, mas não informa o número de setembro de 2025 nem o percentual de crescimento, o que impede medir o tamanho real do salto.

A concentração de quase 16 mil pessoas em um único dia também levanta o debate sobre capacidade de carga, filas, conforto nas passarelas e pressão sobre uma unidade de conservação que existe, antes de tudo, para proteger a biodiversidade.

Ficam de fora do relatório vozes como a do ICMBio sobre impactos ambientais, a de trabalhadores e prestadores de serviço do entorno e a do próprio setor hoteleiro e de receptivo, que poderiam dizer quanto desse fluxo de fato se converteu em pernoites, consumo e renda distribuída na cidade — e quanto se limitou a visitas de um dia.

Também não há dados sobre preço de ingressos e acesso da população local ao principal patrimônio do município.

Desafio é transformar movimento em desenvolvimento

O recorde é uma boa notícia para Foz do Iguaçu e confirma que as Cataratas seguem como vitrine global do destino. Mas número de catraca não é sinônimo automático de desenvolvimento.

O desafio da cidade, da concessionária e do poder público é transformar picos de feriado em fluxo sustentável ao longo do ano, com transparência nos dados, respeito aos limites ambientais do parque e retorno concreto para quem vive na fronteira.

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