FARTAL OU FESPOP? A RESPOSTA PODE ESTAR NA UNIÃO DAS DUAS
Artigo de opinião analisa a importância da Fartal e da Fespop para o desenvolvimento econômico, turístico e cultural do Oeste do Paraná.

Por Márcio Queiroz Vítor
A realização da maior Fartal de todos os tempos, em Foz do Iguaçu, reacendeu nas redes sociais uma pergunta recorrente entre moradores da região Oeste do Paraná: afinal, Fartal ou Fespop?
Embora muitos tentem transformar a discussão em uma competição, a verdade é que os dois eventos possuem identidades próprias, histórias de sucesso e um papel fundamental no fortalecimento econômico, turístico e cultural do interior paranaense.
A Fartal (Feira de Artesanato e Alimentos de Foz do Iguaçu) nasceu com o propósito de celebrar a identidade iguaçuense. Ao longo dos anos, consolidou-se como um dos principais eventos populares da cidade, reunindo apresentações culturais, valorização do artesanato local, gastronomia, entretenimento e grandes shows nacionais.
Em 2026, a feira atingiu um novo patamar ao integrar as comemorações dos 112 anos de Foz do Iguaçu, atraindo milhares de visitantes ao CTG Charrua e reforçando sua importância no calendário regional.
A grande virtude da Fartal está justamente na sua capacidade de unir diferentes públicos em torno do sentimento de pertencimento. A festa movimenta hotéis, restaurantes, serviços de transporte e o comércio local, além de abrir espaço para pequenos empreendedores, artesãos e artistas da região mostrarem seus talentos.
Por outro lado, a Fespop Festival, realizada em Santa Terezinha de Itaipu, tornou-se uma das maiores referências em eventos do Sul do Brasil. Com uma estrutura robusta, atrações de alcance nacional e forte participação da iniciativa privada, a festa impulsiona a economia local e coloca o município em evidência no cenário estadual.
A Fespop se destaca pela organização, pela capacidade de atrair turistas de diversas cidades e pelo impacto positivo gerado na rede hoteleira, na gastronomia e no comércio regional. O evento também representa uma importante vitrine para Santa Terezinha de Itaipu, ampliando sua projeção para além das fronteiras do município.
Mas será mesmo necessário escolher entre uma e outra?
A resposta parece cada vez mais clara: não.
A comparação entre os dois eventos pode até gerar debates saudáveis sobre gestão, inovação e experiências oferecidas ao público. No entanto, transformar essa relação em rivalidade acaba diminuindo o verdadeiro potencial que ambos possuem.
A Fartal fortalece Foz do Iguaçu. A Fespop fortalece Santa Terezinha de Itaipu. E, juntas, ajudam a fortalecer toda a região Oeste do Paraná.
Cada visitante que participa desses eventos movimenta a economia, gera empregos temporários, incentiva o empreendedorismo e contribui para o desenvolvimento regional. O sucesso de uma festa não representa o fracasso da outra. Pelo contrário: demonstra que existe demanda, organização e capacidade para que a região seja reconhecida também pelo turismo de eventos.
Em tempos em que muitos municípios enfrentam dificuldades para promover atividades culturais de grande porte, ter duas celebrações consolidadas, capazes de reunir milhares de pessoas, deve ser motivo de orgulho coletivo.
A discussão, portanto, talvez não devesse ser "Fartal ou Fespop?", mas sim: "Como fazer com que ambas cresçam ainda mais?"
Porque, no fim das contas, não existe disputa quando o resultado beneficia a população. Existe convergência de interesses, cooperação regional e a compreensão de que o desenvolvimento do interior passa também pela cultura, pelo entretenimento e pela capacidade de gerar oportunidades.
Fartal e Fespop são importantes. Ambas representam o potencial de uma região que aprendeu a transformar festa em desenvolvimento, tradição em identidade e turismo em prosperidade.
Márcio Queiroz Vítor é jornalista há 21 anos, gestor em Marketing e Eventos há 26 anos, possui MBA em Comunicação e Marketing, atua como coordenador comercial do Guarda Volume e é estudioso da história e do desenvolvimento de Foz do Iguaçu.