Extremo-oeste do Paraná corre risco de eleger poucos nomes próprios em 2026, alerta campanha do Codefoz

Campanha do Codefoz alerta para a baixa representatividade do extremo-oeste do Paraná e defende maior participação dos eleitores nas eleições de 2026.

Extremo-oeste do Paraná corre risco de eleger poucos nomes próprios em 2026, alerta campanha do Codefoz

A poucos meses das eleições, um dado incomoda lideranças empresariais de Foz do Iguaçu e do extremo-oeste paranaense: mesmo movimentando bilhões de reais em impostos, a região historicamente elege poucos deputados com raízes locais na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Para tentar reverter esse quadro, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu e Região (Codefoz) ampliou uma campanha de mobilização do eleitor sob o mote “Nossa região precisa ter voz”.

A discrepância entre arrecadação e representação política não é um fenômeno novo no extremo-oeste. Cidades de fronteira e de forte vocação exportadora, como as do entorno de Foz do Iguaçu, historicamente concentram geração de tributos federais e estaduais sem que esse peso econômico se traduza, na mesma proporção, em cadeiras no Legislativo ou em emendas parlamentares direcionadas à região.

O fenômeno é agravado pela pulverização de candidaturas, característica do sistema proporcional brasileiro, que dilui votos entre dezenas de postulantes e favorece nomes com maior estrutura de campanha nas capitais e regiões metropolitanas, em detrimento de lideranças do interior.

Segundo o Codefoz, os 18 municípios do extremo-oeste recolheram R$ 23,2 bilhões em impostos nos últimos quatro anos, mas receberam apenas R$ 130 milhões em repasses de emendas de deputados estaduais entre 2019 e 2025.

A entidade também aponta que, no pleito anterior, 82 mil dos 414 mil eleitores da região, o equivalente a aproximadamente um quinto do total, deixaram de votar.

Outro levantamento citado pela organização mostra que, em 2022, a ampla maioria dos candidatos a deputado estadual e federal no Paraná recebeu ao menos algum voto na região, evidenciando a dispersão do eleitorado entre múltiplos nomes.

A campanha é conduzida em parceria com a Caciopar/Micro 1 e o Codemed, de Medianeira, e inclui outdoors, spots de rádio e conteúdo digital, com alcance estimado pela entidade em 221 mil pessoas apenas na principal cidade do extremo-oeste.

O presidente do Codefoz, Marcelo Brito, argumenta que a fragmentação dos votos e a preferência por candidatos de fora enfraquecem a força política da região em Curitiba e em Brasília.

Representatividade regional em debate

A campanha se apresenta como isenta e sem indicação de nomes ou partidos, mas parte de uma entidade que representa o empresariado local, o que naturalmente alinha o discurso da “representatividade regional” aos interesses econômicos de seus associados, sobretudo em pautas como infraestrutura, tributação e investimentos que beneficiam diretamente o setor produtivo.

Não há, no material divulgado, menção a quais políticas públicas concretas uma maior bancada regional deveria priorizar, além da genérica “defesa de demandas regionais”. Também não há espaço para vozes que discordem da tese de que mais deputados locais resultariam automaticamente em mais recursos para a população.

Isso porque a distribuição de emendas também depende de articulações políticas, alinhamento partidário com governos e critérios técnicos que não estão necessariamente relacionados à origem geográfica do parlamentar.

Tampouco há dados sobre iniciativas semelhantes em outras regiões do Paraná que enfrentam o mesmo desafio de sub-representação.

Ainda que patrocinada por um setor específico, a campanha do Codefoz tem o mérito de escancarar um problema real da engenharia eleitoral brasileira: a diluição do voto regional em eleições proporcionais.

Também estimula o debate sobre participação eleitoral em um cenário marcado pela abstenção e pelos votos brancos e nulos.

Cabe ao eleitor do extremo-oeste — e não à entidade patrocinadora — decidir se a resposta a esse diagnóstico passa, de fato, por concentrar votos em candidatos locais.

Autor: Márcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador Comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

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