Entre gestão e futuro: a construção do nome de Guto Silva no tabuleiro político do Paraná

Secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva desponta como possível nome do PSD na sucessão estadual. A reportagem analisa sua trajetória no Planejamento e nas Cidades, os programas estruturantes como o Ilumina Paraná, os desafios demográficos e a construção de viabilidade eleitoral no tabuleiro político paranaense.

Entre gestão e futuro: a construção do nome de Guto Silva no tabuleiro político do Paraná

Com o avanço do calendário eleitoral, a sucessão do governador Ratinho Junior começa a ganhar densidade nos bastidores. Dentro do Partido Social Democrático (PSD), a disputa interna tende a apresentar de três a quatro pré-candidatos ao Governo do Estado. Entre os nomes ventilados está o ex-prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos.

Nesse cenário, o secretário das Cidades, Guto Silva, surge como uma alternativa estratégica — sobretudo se consolidar posicionamento competitivo nas pesquisas de opinião.

Mas qual é a narrativa que sustenta seu projeto político?

Da articulação ao planejamento estratégico

A trajetória de Guto combina atuação técnica e articulação política. À frente da Secretaria do Planejamento e, posteriormente, da Secretaria das Cidades, assumiu papel central na execução territorial das políticas públicas.

Sua marca administrativa se apoia em três pilares:

Planejamento de longo prazo;

Infraestrutura como vetor de desenvolvimento;

Organização urbana como estratégia de futuro.

Planejar cidades é planejar o Estado

Durante sua passagem pelo Planejamento, reforçou a tese de que o Paraná precisa antecipar transformações estruturais globais.

Água como ativo econômico

A preservação hídrica é tratada como ativo estratégico. Em um Estado com forte base agroindustrial, a gestão da água não é apenas questão ambiental, mas elemento central de competitividade.

A equação é simples: segurança hídrica hoje significa soberania produtiva amanhã.

Infraestrutura para alimentar o mundo

O discurso conecta obras municipais — pavimentação, pontes, perimetrais, logística — a uma engrenagem global.

Com a população mundial projetada para saltar de cerca de 6,8 bilhões para aproximadamente 8,5 bilhões nas próximas décadas, cresce a pressão por alimentos, energia e eficiência logística.

Na leitura defendida por Guto, o Paraná deve se posicionar como fornecedor estratégico global — e cidades organizadas são parte essencial dessa cadeia produtiva.

Escassez de mão de obra: o novo gargalo

Com desemprego em níveis historicamente baixos, o desafio deixa de ser geração de vagas e passa a ser qualificação profissional.

O foco, segundo o secretário, precisa migrar para produtividade, formação técnica e atração de talentos.

Ilumina Paraná: LED como política pública

Um dos programas mais destacados é o Ilumina Paraná. Segundo dados da Secretaria, aproximadamente 70% da iluminação pública dos municípios já opera com tecnologia 100% LED — percentual superior à média nacional.

Os efeitos extrapolam economia energética:

Redução de custos municipais;

Aumento da segurança;

Diminuição de vandalismo;

Valorização imobiliária;

Elevação da autoestima urbana.

A iluminação passa a ser tratada como instrumento estruturante de desenvolvimento.

A transição demográfica

Outro eixo estratégico envolve o envelhecimento populacional. Projeções indicam que, por volta de 2027, o Paraná poderá ter mais idosos do que crianças e jovens.

Isso altera completamente a arquitetura das políticas públicas:

Saúde preventiva;

Mobilidade acessível;

Cidades adaptadas;

Sustentabilidade fiscal da previdência.

Antecipar essa transição é parte do planejamento defendido pelo secretário.

O desafio político: viabilidade eleitoral

Dentro do PSD, a disputa envolve lideranças competitivas e articulações regionais. Para consolidar-se como eventual candidato apoiado por Ratinho Junior, Guto precisará:

Crescer nas pesquisas espontâneas;

Expandir sua imagem além da gestão técnica;

Manter capilaridade municipal;

Construir unidade interna no partido.

O ambiente é competitivo, especialmente na capital, onde diferentes lideranças disputam protagonismo.

Entre números e narrativa

A possível candidatura dependerá da capacidade de converter gestão em capital político.

O discurso conecta:

Infraestrutura à produção global;

Iluminação à segurança pública;

Água à soberania econômica;

Envelhecimento ao planejamento antecipado.

Se esses eixos se transformarão em força eleitoral, dependerá da leitura do eleitor paranaense nos próximos meses.

O tabuleiro está montado — e, mais uma vez, planejamento pode ser a peça central.

MARCIO QUEIROZ VÍTOR Jornalista há 20 anos; Gestor em Marketing e Eventos há 25 anos; MBA em Comunicação e Marketing; Coordenador comercial do Guarda Volume; PhD sobre Foz do Iguaçu.

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