Dólar encosta em R$ 5,25 com tensão no Oriente Médio e pressiona mercados
Dólar encosta em R$ 5,25 após tensões no Oriente Médio e inflação acima do esperado no Brasil; alta pode impactar compras na fronteira com o Paraguai.

Escalada do conflito internacional e inflação acima do esperado no Brasil aumentam cautela entre investidores
O dólar voltou a subir no mercado financeiro brasileiro e encostou na marca de R$ 5,25, refletindo um cenário de maior instabilidade na economia global. A moeda norte-americana fechou o último pregão cotada a R$ 5,242, registrando alta de 1,62%.
O movimento ocorreu em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, que provocou forte reação nos mercados internacionais e elevou o preço do petróleo. O barril do tipo Brent ultrapassou os US$ 100, impulsionado por preocupações com o fornecimento global da commodity.
Um dos fatores que aumentou o alerta no mercado foi a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo. Qualquer instabilidade na região gera impacto direto nos preços internacionais de energia.
Além do cenário externo, dados da economia brasileira também contribuíram para a volatilidade. O IPCA de fevereiro, índice oficial da inflação no país, registrou 0,7%, acima das projeções do mercado. O resultado reduziu as expectativas de cortes mais agressivos na taxa de juros pelo Banco Central.
Com isso, investidores adotaram uma postura mais cautelosa, o que também se refletiu na Bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia com queda de 2,55%, aos 179.284 pontos.
Apesar da alta recente, o dólar ainda acumula queda de cerca de 4,4% no acumulado de 2026.
Impacto na fronteira com o Paraguai
Na região da tríplice fronteira, a valorização do dólar costuma ter reflexos diretos na economia local. Grande parte dos produtos comercializados em Ciudad del Este é cotada em dólar, o que significa que a alta da moeda tende a encarecer as compras para consumidores brasileiros que atravessam a fronteira em busca de eletrônicos, perfumes e outros importados.
Com o dólar mais alto, o turismo de compras pode perder força, reduzindo o fluxo de consumidores na Ponte da Amizade e impactando setores ligados ao comércio e ao turismo na região entre Foz do Iguaçu e o Paraguai.