Delegada defende debate sobre violência de gênero nas escolas de Foz

Delegada Giovanna Antonucci defende debate sobre violência de gênero nas escolas de Foz para prevenir abusos e romper ciclos de violência.

Delegada defende debate sobre violência de gênero nas escolas de Foz

Giovanna Antonucci afirma que conscientização desde a infância pode ajudar a romper ciclos de violência e evitar que comportamentos abusivos sejam tratados como normais

A delegada Giovanna Antonucci, da Delegacia da Mulher, defendeu que a conscientização sobre violência de gênero comece ainda durante a formação de crianças e adolescentes. A declaração foi feita durante entrevista ao Guarda Volume Podcast, nesta quarta-feira (9), em Foz do Iguaçu.

Ao abordar caminhos para prevenir a violência contra a mulher, a delegada destacou a importância de trabalhar o assunto também no ambiente escolar.

“A gente precisa falar sobre violência de gênero já desde pequenininho, desde pequeninhas, adolescentes.”

Segundo Antonucci, desde que chegou a Foz do Iguaçu, ela já realizou palestras em escolas públicas do município e considera necessário ampliar esse tipo de iniciativa.

A delegada argumentou que a prevenção não deve começar somente quando uma mulher procura uma unidade policial, mas ainda na formação das novas gerações, ensinando crianças e adolescentes a reconhecer comportamentos abusivos e compreender os limites de uma relação saudável.

Violência pode ser naturalizada dentro de casa

Durante a entrevista, Giovanna relatou que algumas mulheres atendidas pela polícia contam ter crescido presenciando situações de violência dentro da própria família e, por isso, demoraram para compreender que determinados comportamentos não eram normais.

Ela citou casos de mulheres que presenciaram a própria mãe sendo impedida de trabalhar ou sair de casa, além de sofrer agressões e outros tipos de maus-tratos.

“Eu achava que isso era normal”, relatou a delegada ao reproduzir uma frase que já ouviu de mulheres atendidas.

Para Antonucci, essa repetição de comportamentos entre gerações demonstra por que a conscientização também precisa alcançar meninos.

“A gente precisa criar homens que sejam educados, que respeitem os direitos das mulheres.”

A preocupação é evitar que crianças cresçam entendendo relações abusivas como parte natural da convivência entre homens e mulheres.

Educação e conscientização como prevenção

A delegada também ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher não depende exclusivamente da atuação policial. Palestras em escolas, empresas, campanhas e espaços de comunicação foram citados como instrumentos importantes de prevenção.

Durante a participação no Guarda Volume, Antonucci aproveitou ainda para explicar as diferentes formas de violência previstas na Lei Maria da Penha, chamando atenção não apenas para agressões físicas, mas também para a violência psicológica.

Entre os exemplos citados estão impedir a mulher de trabalhar ou sair, afastá-la de amigos e familiares, controlar sua rotina e submetê-la a ameaças e humilhações.

A fala reforça um dos desafios enfrentados pela rede de proteção: fazer com que a mulher consiga reconhecer a violência antes que a situação alcance níveis ainda mais graves.

Tema ganhou espaço no Guarda Volume

A participação da delegada Giovanna Antonucci no Guarda Volume Podcast abordou a atuação da Delegacia da Mulher, medidas protetivas, formas de violência previstas na legislação e os caminhos disponíveis para mulheres que precisam buscar ajuda.

A entrevista também colocou a prevenção no centro da discussão, defendendo que o enfrentamento à violência contra a mulher passe pela polícia e pelo sistema de Justiça, mas também pela educação e conscientização desde a infância.

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