Conta de luz 20% mais cara: Moro cobra Copel e Aneel e promete enfrentar abusos na tarifa
Editoria: Política
Sergio Moro critica reajuste de cerca de 20% na conta de luz no Paraná, cobra Copel e Aneel e promete enfrentar abusos na tarifa de energia.
O aumento de cerca de 20% na conta de luz dos paranaenses entrou no discurso de Sergio Moro (PL) na reta final da campanha. Em entrevista ao Guarda Volume nesta quinta-feira, 24 de setembro, a dez dias do primeiro turno, o candidato ao Governo do Paraná cobrou explicações da Copel e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pelo reajuste e prometeu, se eleito, lutar contra o que chamou de abusos na tarifa de energia.
Reajuste de 20,51%
O reajuste citado por Moro foi aprovado em junho. A Aneel homologou a Revisão Tarifária Periódica da Copel Distribuição com aumento médio de 20,51%, em vigor desde 24 de junho e válido até 23 de junho de 2027. Para os consumidores residenciais, a alta foi de 20%, e nas demais categorias os índices variam de 19,85% a 21,87%, conforme o perfil de consumo.
A medida atinge cerca de 5,32 milhões de unidades consumidoras, entre residências, comércios, propriedades rurais e indústrias. O contraste com anos anteriores é evidente: em junho de 2025, o reajuste anual da Copel havia sido de apenas 2,02%, e o índice de 2026 ficou mais de quatro vezes acima da inflação prevista para o ano, estimada em 4,9%.
Impacto no bolso do consumidor
Na prática, o peso chega direto ao bolso. Com o reajuste, a energia da Copel passou a custar em média cerca de R$ 0,76 por kWh, e uma residência com consumo médio de 217 kWh mensais pode ter fatura próxima de R$ 164,92.
Para Foz do Iguaçu, cuja economia depende de hotéis, restaurantes, atrativos e comércio, a alta pesa também sobre o setor produtivo que sustenta o turismo. O tema ganha ainda um contorno simbólico na fronteira: a cidade abriga a Itaipu Binacional, uma das maiores geradoras de energia do mundo, e mesmo assim o consumidor local sente a conta subir no mesmo ritmo do restante do estado.
Processo que levou ao aumento
O processo que levou ao índice teve várias etapas. A Copel chegou a estimar um reajuste próximo de 26%, reduzido pela agência ao longo da análise. Mesmo assim, o número final ficou acima da proposta preliminar da área técnica da Aneel, que previa 19,20% em abril.
A agência também aplicou o chamado diferimento tarifário, adiando a cobrança de cerca de R$ 1,1 bilhão para os anos seguintes, o que reduz o impacto imediato mas empurra parte da conta para o futuro. Foi o segundo maior reajuste aprovado pela Aneel em 2026, atrás apenas da Roraima Energia.
É nesse ponto que Moro concentra a crítica: para o candidato, o consumidor paranaense não pode ser o elo que absorve sozinho aumentos dessa dimensão.
O que dizem Copel e Aneel
Copel e Aneel, porém, apresentam outra explicação. A agência atribui o reajuste principalmente aos custos de transmissão e compra de energia, aos encargos setoriais e a componentes financeiros do processo anterior.
A Copel sustenta que o índice é definido pela Aneel, que o paranaense segue pagando a tarifa mais baixa entre as grandes empresas do setor e que só cerca de 20% do valor da conta fica com a distribuidora; o restante vai para compra e transmissão de energia, encargos federais e subsídios definidos pelo governo federal.
A empresa aponta como maior fator de pressão o subsídio à geração distribuída, com o número de consumidores com energia solar no estado saltando de 55 mil para 677 mil entre 2020 e 2026.
Há ainda um limite institucional relevante: a tarifa é regulada pela Aneel, órgão federal, e a Copel deixou de ser controlada pelo Estado desde sua transformação em corporação, em 2023.
Tema entra no debate eleitoral
A conta de luz é hoje uma das principais preocupações das famílias e das empresas paranaenses, e é legítimo que ela esteja no centro do debate eleitoral. Moro, líder em todas as pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, acerta ao tratar o reajuste como problema de primeira ordem e ao colocar Copel e Aneel sob cobrança pública.
O desafio será mostrar como transformar a promessa de combater abusos em resultado real, num setor em que as principais decisões são tomadas em Brasília. O consumidor, que já sente o aumento a cada fatura, vai querer mais do que discurso: vai querer ver a diferença na conta.