Cigarro eletrônico vira tema de educação em saúde dentro das empresas em Foz

Uso de cigarros eletrônicos e aumento do tabagismo preocupam médicos. Em Foz, empresas recebem ações de conscientização e prevenção em saúde.

cigarro eletrônico

Aumento do tabagismo e avanço do vape preocupam especialistas; cardiologista defende ambiente de trabalho como espaço para conscientização e prevenção

O crescimento do uso de cigarros eletrônicos e o aumento recente do tabagismo convencional no Brasil têm levado a discussão sobre os riscos do hábito também para dentro das empresas. Em Foz do Iguaçu, ações de educação em saúde buscam conscientizar trabalhadores sobre comportamentos que podem afetar tanto a qualidade de vida quanto o desempenho profissional.

Sono, alimentação, sedentarismo, consumo de álcool, uso de medicamentos para emagrecer e tabagismo estão entre os temas que podem ser abordados no ambiente corporativo.

Para o cardiologista Eduardo Martins, fundador do Instituto de Cardiologia Comportamental (ICcor), as empresas podem desempenhar um papel importante na disseminação de informações sobre prevenção.

“O ambiente corporativo é interessante para conversas sobre hábitos saudáveis, porque permite alcançar diferentes faixas etárias. Além disso, as pessoas normalmente passam mais tempo no trabalho do que em casa”, afirma.

Em Foz do Iguaçu, o médico promove palestras com temas como alfabetização em saúde, funcionamento do corpo e benefícios da atividade física.

Empresas entram na discussão

Uma das empresas que abriu espaço para esse tipo de iniciativa foi a Eletromil Engenharia. O empresário Ademir Boldrini, de 73 anos, recebeu uma palestra promovida pelo cardiologista para os funcionários.

Segundo Boldrini, parte dos trabalhadores exerce atividades que exigem esforço físico, o que aumenta a importância da prevenção.

“Muitos dos nossos funcionários desempenham trabalhos pesados, então é ainda mais importante que mantenham hábitos saudáveis para viver bem, sem dor e complicações”, afirma.

O empresário também procura incorporar esses cuidados à própria rotina. Ele pratica hidroginástica há 25 anos, faz musculação e mantém acompanhamento nutricional e cardiológico.

Número de fumantes volta a preocupar

Um dos pontos que chamam a atenção dos profissionais de saúde é o comportamento recente dos indicadores relacionados ao tabagismo no país.

Dados do Vigitel apontam que o percentual de adultos fumantes passou de 9,3% em 2023 para 11,5% em 2024.

Paralelamente, cresce a preocupação com os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), popularmente conhecidos como vapes ou cigarros eletrônicos.

Embora exista a percepção de que esses dispositivos seriam menos prejudiciais por não produzirem a fumaça característica do cigarro convencional, entidades médicas alertam para os riscos associados à nicotina e às substâncias presentes nos líquidos utilizados nos aparelhos.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia considera os cigarros eletrônicos um fator de risco cardiovascular e alerta que o aquecimento de solventes e aditivos pode gerar componentes tóxicos.

A nicotina está associada ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, além de alterações relacionadas ao estresse oxidativo e a processos inflamatórios.

“Do ponto de vista cardiovascular, o vape pode ser até pior, porque vicia mais e a pessoa acaba fumando até em lugares fechados, por não ter cheiro de cigarro. Os fumantes confirmam que é mais difícil largar o vape”, afirma Eduardo Martins.

Uso de vape alcança parcela da população

O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta que 8,8% da população brasileira com 14 anos ou mais já experimentou dispositivos eletrônicos para fumar pelo menos uma vez. Entre aqueles que experimentaram, 63,6% mantiveram o uso, segundo os dados divulgados pelo levantamento.

Outro comportamento que preocupa especialistas é a combinação entre cigarro convencional e eletrônico.

“Há pessoas associando o uso de cigarros eletrônicos ao uso de cigarros convencionais e isso é ainda mais preocupante”, alerta o cardiologista.

Para Martins, a proposta de levar o assunto às empresas não é transformar o ambiente corporativo em consultório, mas facilitar o acesso a informações que permitam aos trabalhadores reconhecer fatores de risco e buscar mudanças de comportamento ou acompanhamento profissional quando necessário.

Tabagismo também gera impacto econômico

Além dos efeitos sobre a saúde, o tabagismo representa um impacto econômico significativo.

Levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima custos médicos diretos de R$ 67,2 bilhões por ano relacionados ao tabagismo. Outros R$ 86,3 bilhões estariam associados a custos indiretos, como perda de produtividade, mortes prematuras, incapacidade e cuidado informal.

Na avaliação de Eduardo Martins, ampliar o acesso à informação pode contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares, que geralmente se desenvolvem ao longo dos anos.

A estratégia, segundo o médico, é fazer com que a prevenção faça parte da rotina das pessoas — inclusive durante o período em que estão no trabalho.

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