Centro de Convenções de Foz entra em nova fase após anos de abandono e prejuízos
Centro de Convenções de Foz entra em nova fase após desapropriação e proposta de concessão. Projeto busca modernizar o espaço e reduzir prejuízos aos cofres públicos.

O Centro de Convenções de Foz do Iguaçu (Ceconfi), inaugurado em 1992, voltou ao centro do debate público após anos sendo apontado como um símbolo de potencial não realizado. O espaço passou a ser tratado como uma das principais promessas de campanha do prefeito Joaquim Silva e Luna, com proposta de reestruturação que avança agora com a desapropriação do imóvel pelo Governo do Estado e a perspectiva de concessão à iniciativa privada.
Construído com o objetivo de impulsionar o turismo de eventos, o Ceconfi nunca conseguiu operar em sua plena capacidade. Apesar da localização estratégica em uma das cidades mais visitadas do Brasil, o equipamento acumulou limitações estruturais e operacionais ao longo dos anos, comprometendo sua competitividade frente a outros destinos.
Especialistas do setor apontam que o espaço ficou defasado em relação às exigências técnicas do mercado, como climatização adequada, acústica moderna e flexibilidade para grandes eventos corporativos e feiras internacionais. Com isso, o centro acabou subutilizado, distante do protagonismo esperado.
Além das limitações físicas, os números também evidenciam o problema. O modelo de gestão pública direta não conseguiu tornar o espaço sustentável, resultando em prejuízos recorrentes aos cofres municipais e baixa taxa de ocupação ao longo dos anos.
Diante desse cenário, a atual gestão municipal decidiu mudar o rumo. Em articulação com o governador Carlos Massa Ratinho Junior, foi formalizada a desapropriação do Centro de Convenções — medida que permite ao Estado conduzir um projeto de modernização mais amplo e estruturado.
A proposta inclui a revitalização completa do espaço e a possibilidade de concessão à iniciativa privada, modelo já adotado em outros grandes centros de eventos do país. A expectativa é transformar o Ceconfi em um equipamento moderno, multifuncional e capaz de atrair eventos nacionais e internacionais.
Economia para os cofres públicos
Com a saída da gestão direta do município, a prefeitura deve deixar de arcar com custos operacionais e déficits anuais do equipamento. Considerando prejuízos recentes na casa de aproximadamente R$ 2 milhões a R$ 3 milhões por ano, a estimativa é de uma economia acumulada que pode ultrapassar R$ 20 milhões em um período de 10 anos.
Além da redução direta de despesas, o município também tende a economizar de forma indireta com manutenção predial, folha de pagamento e custos administrativos vinculados ao espaço. Esses recursos poderão ser redirecionados para áreas consideradas prioritárias, como saúde, infraestrutura e mobilidade urbana.
Outro ponto relevante é o valor obtido com a desapropriação, que deve reforçar o caixa municipal e permitir investimentos estruturantes, como o projeto do novo centro administrativo, com potencial de reduzir despesas com aluguéis públicos no longo prazo.
Nova etapa
A mudança representa uma inflexão importante na história do Centro de Convenções. De um equipamento marcado por dificuldades operacionais, o espaço passa a integrar um projeto mais amplo de desenvolvimento econômico, com foco no turismo de negócios — um dos segmentos que mais geram receita e movimentam a cadeia produtiva local.
A gestão do prefeito Joaquim Silva e Luna sustenta que a decisão de transferir o ativo ao Estado foi necessária para viabilizar investimentos que o município, sozinho, não teria capacidade de realizar no curto prazo.
Na prática, o futuro do Ceconfi dependerá da execução do projeto e da capacidade de atrair operadores qualificados. A expectativa do setor é de que, com gestão profissional e investimentos adequados, Foz do Iguaçu consiga consolidar sua posição como destino competitivo no turismo de eventos.
Por Marcio Queiroz Vítor
Jornalista há 21 anos
Gestor em Marketing e Eventos há 26 anos
MBA em Comunicação e Marketing
Coordenador comercial do Guarda Volume
PhD sobre Foz do Iguaçu