Boato em aplicativos fala em rompimento de Itaipu, e a usina desmente: barragem segue sob vigilância de mais de três mil sensores
Itaipu desmente boato sobre suposto rompimento da barragem e afirma que a estrutura é monitorada permanentemente por mais de três mil instrumentos.

Uma mensagem que se espalhou por aplicativos de conversa em Foz do Iguaçu e região anunciava que a barragem de Itaipu estaria prestes a se romper. A informação é falsa.
Em nota oficial, a Itaipu Binacional negou qualquer risco à estrutura, reforçou que a usina é monitorada de forma permanente e pediu que a população não repasse conteúdos sem origem confirmada.
O boato não surgiu no vazio. Ele ganhou força em uma noite de chuva forte em várias regiões do Paraná, ambiente em que o medo costuma se espalhar mais rápido que os fatos. Em Foz do Iguaçu, o mesmo temporal alagou casas e derrubou árvores.
E a desconfiança em relação à barragem tem raízes antigas no imaginário local. Uma pesquisa de doutorado da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, apontou que 75% dos moradores acreditavam na possibilidade de rompimento da estrutura, mesmo mantendo uma imagem positiva da Itaipu.
Episódios anteriores confirmam o padrão. Em 2019, após a tragédia de Brumadinho, moradores foram às redes sociais questionar a segurança da barragem. No mesmo ano, circulou um vídeo de comportas despejando água, apresentado como se fosse Itaipu, mas gravado na usina de Yacyretá, entre Paraguai e Argentina.
A cada crise, a desinformação volta a bater na mesma porta.
Mais de três mil instrumentos monitoram a barragem
Na nota divulgada agora, a Itaipu afirma que a barragem foi projetada e construída sob os padrões de segurança mais rigorosos e que conta com mais de três mil instrumentos instalados, responsáveis por acompanhar continuamente o comportamento da estrutura.
Os dados, segundo a empresa, são analisados permanentemente pelas equipes técnicas da usina.
A Binacional também lembra que as informações sobre o Rio Paraná ficam disponíveis em seu site oficial, com atualização diária, e orienta a população a buscar os canais oficiais antes de compartilhar qualquer alerta.
Construída entre 1975 e 1982, a barragem combina um trecho de concreto, onde ficam as turbinas e o vertedouro, e um trecho de enrocamento, feito de terra e rochas.
Em manifestações anteriores, a empresa informou que as estruturas passam por avaliação de uma junta internacional de engenheiros a cada quatro anos. O Parque Tecnológico Itaipu também abriga o Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens (Ceasb), referência na área.
Desmentido também abre espaço para mais transparência
Ainda assim, o desmentido deixa espaço para mais transparência.
A nota não traz números do momento, como nível do reservatório, vazão afluente ou abertura do vertedouro, dados que ajudariam a desmontar o boato com evidência concreta, e não apenas com a palavra da instituição.
Também não informa se a origem da mensagem foi identificada ou se houve comunicação às autoridades para apurar a autoria.
Não há, até aqui, manifestação de órgãos independentes, como a Defesa Civil ou a Agência Nacional de Águas, reforçando a avaliação da usina. E a pesquisa da USP mostra que o receio da população não se resolve com notas pontuais: é um sentimento que exige diálogo permanente e acessível.
Informação é o melhor antídoto
Espalhar alarme falso sobre uma das maiores hidrelétricas do mundo, em uma cidade que vive à sombra dela, é irresponsável e pode gerar pânico real.
O Guarda Volume reforça a orientação: antes de encaminhar, confira.
Mas a responsabilidade não é só do leitor. Uma instituição do porte de Itaipu tem condições de ir além do desmentido e oferecer, em momentos de chuva intensa, boletins públicos simples e diretos sobre a situação do reservatório.
Informação clara, rápida e verificável é o melhor antídoto contra o boato.