Ameaça de greve dos caminhoneiros volta ao radar e pressiona governo Lula em ano eleitoral
A ameaça de greve dos caminhoneiros voltou a pressionar o governo Lula em 2026, com alta do diesel, cobrança por frete mínimo e temor de impactos econômicos e eleitorais.

Alta do diesel, cobrança por frete mínimo e temor de nova paralisação reacendem alerta no país; governo anunciou medidas para tentar conter crise
A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros voltou a preocupar o governo federal e já acende sinal de alerta em Brasília. Em meio à disparada do preço do diesel e à insatisfação crescente da categoria, lideranças do setor afirmam que os profissionais estão mais articulados do que em 2018, ano em que uma paralisação nacional provocou desabastecimento, prejuízos bilionários e forte impacto político no país.
Segundo a reportagem da BBC News Brasil, publicada nesta quinta-feira (19), o diesel S-10 acumulou alta de 19,4% desde 28 de fevereiro, em meio às tensões no Oriente Médio e aos reflexos da guerra envolvendo o Irã. O aumento elevou os custos da operação nas estradas e aprofundou a pressão sobre caminhoneiros autônomos e transportadores.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, disse que a categoria já decidiu em assembleia por um indicativo de paralisação e avalia se as medidas anunciadas pelo governo serão suficientes para evitar o movimento. A principal reclamação é que muitos caminhoneiros estariam “pagando para trabalhar”, diante da alta dos combustíveis e da dificuldade para fechar fretes com margem mínima de sobrevivência.
Na tentativa de esfriar a crise, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (18) um pacote para ampliar a fiscalização do cumprimento do piso mínimo do frete e endurecer sanções contra infratores. De acordo com a ANTT, as ações incluem uso mais intenso de cruzamento de dados, ampliação da fiscalização eletrônica e medidas progressivas contra quem insistir em operar fora das regras. A agência informou que cerca de 20% das operações ainda estariam em desacordo com o piso mínimo.
Entre os pontos destacados pelo governo estão o aumento do número de autuações, a possibilidade de bloqueios operacionais e a responsabilização mais ampla dos agentes envolvidos na contratação do frete. A avaliação oficial é de que o reforço regulatório pode dar mais segurança aos caminhoneiros e reduzir distorções no mercado.
Mesmo assim, o clima entre lideranças do setor segue tenso. A categoria cobra medidas mais robustas para conter o avanço do diesel nas bombas, além de reivindicações antigas, como maior garantia de preço mínimo operacional e isenção de pedágio para caminhões vazios.
Economistas ouvidos pela BBC avaliam que o risco de paralisação é real, embora ainda não haja certeza sobre a dimensão que um eventual movimento poderá alcançar. A preocupação do Planalto é que, em ano eleitoral, qualquer interrupção relevante no transporte rodoviário afete a economia, pressione preços e desgaste ainda mais a imagem do governo. Em 2018, a greve dos caminhoneiros teve reflexos diretos no crescimento do país e no ambiente político daquele ano.
O cenário atual, portanto, mistura pressão econômica, sensibilidade política e memória recente de uma crise que parou o Brasil. O que o governo tenta evitar agora é que o fantasma de 2018 volte a ganhar força nas estradas em 2026.
Fonte: BBC News Brasil/Terra e ANTT.