Alcolumbre mira indulto ou anistia a Bolsonaro para se reeleger no comando do Senado

Por Márcio Queiroz Vítor

Editoria: Política

Alcolumbre articula indulto ou anistia a Bolsonaro para conquistar apoio da direita à reeleição no Senado e conter pressão contra ministros do STF.

Alcolumbre e anistia a Bolsonaro

Foto: divulgação

Presidente do Senado busca o apoio da direita para mais dois anos à frente da Casa e promete levar a Lula a proposta de perdão humanitário ao ex-presidente preso.

Por Márcio Queiroz Vítor

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estuda propor um indulto ou uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso desde agosto de 2025 por ter participado de uma tentativa de golpe de Estado. Segundo dois aliados, a intenção é oferecer o perdão em troca do respaldo da direita à sua recondução ao comando da Casa. A estratégia também pretende conter a cobrança por impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

A bancada de direita que chega ao Senado em fevereiro se elegeu atacando o Supremo e defendendo o afastamento de magistrados, sobretudo Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro. Alcolumbre se posiciona contra o impeachment e busca um caminho para permanecer no cargo por mais dois anos sem enfrentar esse debate.

Pelo plano, os três Poderes seriam reunidos em um movimento de “pacificação do país” depois da eleição presidencial. Alcolumbre já informou a aliados que pretende procurar Lula (PT) para defender o indulto humanitário a Bolsonaro. A questão não entrou na primeira conversa entre os dois, realizada na segunda-feira (26), logo depois da votação no Congresso.

Ele afirmou que só vai procurar o presidente depois que a disputa eleitoral estiver encerrada. A decisão sobre o indulto é prerrogativa exclusiva de Lula. Aliados dizem ainda que o projeto deve esperar os desdobramentos da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para fora do país antes de avançar.

Caso o petista recuse o perdão humanitário a Jair Bolsonaro, Alcolumbre disse a parlamentares que vai se empenhar para que o Congresso aprove uma anistia.

A oposição pressiona para que ele leve o perdão a votação ainda nesta legislatura. Em vez disso, ele costurou uma saída mais moderada, que reduz as penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A medida foi aprovada no fim do ano passado, em meio ao julgamento de Bolsonaro e de outros líderes da trama golpista no STF.

Com a anistia ou o indulto, Alcolumbre espera que a direita se comprometa a abandonar a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo. Em contrapartida, os parlamentares passariam a focar em uma reforma estrutural do Judiciário.

Para os aliados dele, a chance de impeachment encolheu com a vitória de Lula, o que deixaria a oposição mais disposta a fechar um acordo desse tipo. Pelo menos 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendem o impeachment, mas muitos o fazem com ressalvas. Afastar magistrados exige 54 votos, dois terços da Casa.

Alcolumbre enfrenta dois senadores de oposição na disputa pela presidência do Senado em 2027. Ele conta com a simpatia da esquerda e do centro, mas esses votos não bastam. Por isso, aposta em relações construídas com partidos de centro-direita e até com integrantes do PL para garantir mais um mandato. Como a votação é secreta, deslealdades em relação às orientações partidárias ficam mais fáceis.

Do outro lado, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) apostam na maioria de direita para derrotá-lo. O PL será a maior bancada, com 29 senadores, somados às três cadeiras do Novo, que também fica na oposição. Partidos do centrão, como PP e Republicanos, têm mais afinidade com a oposição do que com o governo.


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